Because of My World…

We live here…and here is the only place we know of that sustain life.

Have you seen any planet as beautiful as our?

So,

VEJAM A BELA…

Why are we so committed into making it as ugly as all the other ones?

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A alimentação

Para já o Outono não requer que se faça qualquer investimento em alimentação, pois o Eucalipto abriu cedo aqui no Agreste, a sul as urzes finalmente chegaram, e na Serra D’Aire o stress também está finalmente a desaparecer e as abelhas devem aproveitar estes dias solarengos e com temperaturas a rondar os 20ºC para obterem uma reserva de pólen adequada e para pelo menos colocarem os tais 3Q de cria que são indispensáveis à renovação geracional com massa crítica suficiente. Pois aqui no centro as abelhas estão lindas, mas de Alverca para sul o sofrimento foi grande…

Este ano no que a alimentação diz respeito, a minha ida à Dinamarca fez-me mudar a perspectiva do que é alimentar abelhas e do que temos de fazer, quando e como. Ficou claro para mim que poderia poupar uma imensidão no custo por Kg, e essa poupança já me pagou neste momento a viagem.

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Outra coisa que ficou clara para mim é que”SEMPRE” que não exista uma banda de néctar fresco nas colónias em torno da cria, a colmeia está em stress alimentar e precisa de hidrato de carbono para não reduzir a sua atividade quer de limpeza quer de cuidados à cria!

Quando falamos de alimentar, também o tipo de alimentador e quantidade é relevante! (ver foto acima), sendo que um enxame de caixa cheia precisa de pelo menos 3kg de xarope a cada 2as semanas se não houver fluxo a entrar, e os mini-micro alimentadores que por cá usamos são trabalhosos e de dimensão inadequada. Um enxame que cubra todo o ninho e esteja em carência, ao recolher 3Kg de xarope apenas armazenará 1,7kg desse peso, sendo que o restante fica imediatamente nas abelhas sob forma de reservas vivas.

A forma como as reservas são vistas nos países Nórdicos é substancialmente diferente de como nós as encaramos, sendo que só reservas desoperculadas são encaradas por eles como utilizáveis pelas abelhas no imediato, e reservas operculadas são consideradas como reservas usadas apenas em emergência pelas abelas, isto independentemente da quantidade das 2as.

Assim, sendo que o nosso maior estio é o quente, é necessário rever aquilo que até aqui fazia, e mudar a estratégia.

Em 2º lugar, a estratégia de alimentação de Primavera tem de ser também alterada, sobretudo porque ao direccionar a exploração para o pólen, significa que temos de ter sempre a postura em máximos, que devo deixar de lado o inconstante mel e que com este maneio poderei fazer muito mais desdobramentos programados e tratar a meia Primavera para não deixar jamais a varroa subir de 2%, visto que não terei alças em cima até muito mais tarde.

Se cada alimentação quinzenal corresponder à retirada de 3Q desse ninho na seguinte quinzena, espera-se que cada enxame forte dê pelo menos por 6x uma maquia de 3Quadros ( 18Q = 3,5 enxames de 5Q), e esperam-se 4 meses de recolha de pólen. Assim, não parece ser oneroso este maneio, que apesar de só levar 1a alça já tarde e de reduzir em muito o potencial de producção de mel, mas que aumenta em muito o potencial de recolha de pólen, supondo que os  capta-pólens estariam 90 dias fechados e 30 dias abertos neste período.

O Carrascal será a cobaia! e veremos o que de lá sai.

Previsto – 17 capta pólen fechados num total de 90 dias (só até julho, sem pólen de outono e supondo 2as aberturas programadas de 5 dias cada e mais 20 dias de mau tempo num total de 120 dias) rendimento suposto das 22 colmeias (17 fortes), 306Q com 50% de cria e 50% reservas e 102kg de pólen e no final 20 meias alças de mel.

Custo = 500Eur/ano (custo sem fator humano por apiário numa exploração profissional) + 300 eur em xarope.

Será assim linear? Não sei…geralmente nunca o é, mas seguiremos o desenrolar deste post ao longo da campanha, com as pesagens e com as contagens de quadros de lá retirados.

Se a rentabilidade for a prevista, significa que o meu maior custo anual passaria a ser o alimento, que superaria o custo do diesel, mas que a rentabilidade por apiário iria subir novamente (algo desejável). No entanto o factor de risco em anos de primavera chuvosa seria maior, e a perda potencial também maior devido ao maior investimento envolvido.

Tudo questões de um país onde temos de descobrir por nós a apicultura profissional e os seus meandros, pois temos imensa tradição numa apicultura que é sobretudo amadora ou profissional mas que usa a mesma forma de ser feita da anterior. Além disso a enorme diversidade de climas dentro de um tão pequeno Portugal é algo que faz com que tenhamos de descobrir cada realidade por nós mesmos.

 

 

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Planos para 2018

A nóva época arrancou solarenga…

O Agreste tem planeado continuar a crescer, e deixar para trás a horrorosa campanha de 2017.

Para já a seca continua, e se as previsões se cumprirem o cenário não é o mais animador.

Como objetivo a chegada às 550 colmeias em estado adulto + núcleos e mini-núcleos, o duplicar da quantidade de pólen produzido e que pelo menos o mel não seja tão mau como o deste ano…não sou nada exigente e peço só 12 tambores.

Visto que me vou centrar mais no pólen, a chegada à 1ton deste maravilhoso oiro tem de ser vista com normalidade.

Com a alteração de maneio que está a ocorrer, espero ter mais tempo livre, ou seja, suportar tratar mais colmeias, até porque passarei a fazer raínhas muito menos frequentemente e em muito maior quantidade. Ou seja, quando as condições forem adequadas, farei cerca de 250 realeiras de cada virada, e assim que estas estejam aceites terei 4 dias dedicados a fazer núcleos, tendo de fazer 80 cada dia…mais coisa menos coisa. Nada que me atormente, apenas terei de fazer muito bem a matemática do tempo necessário à recolha do pólen.

Planos aparte, faltam poucas semanas para se iniciar a obra do meu “Cantinho do Pólen”, espaço dedicado à secagem e beneficiação do meu oiro.

Conseguirei tomar conta de tudo? há-de de dar…

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Serra D’Aire,

Hoje passei o dia na Serra D’Aire,

No imenso medronhal cujas flores dos primeiros medronheiros ainda irão demorar pelo menos mais duas semanas a estarem no ponto de trabalho para as abelhas.

Felizmente alguns urzes resolveram florir…e as abelhas estão agora a começar a responder. O total de baixas não vai variar das colmeias mantidas em modo convencional, e das 106 que iniciaram o verão, apenas umas 80 – 85 chegarão ao Natal como colónias invernáveis. No entanto é com enorme alegria que registo uma recuperação da cria, que na maioria das colmeias apresenta um par de milhares de abelhas a nascerem por estes dias e as raínhas a meterem ovos com um ritmo crescente. Todas as que apresentam neste momento 3Q de cria sólidos jão não me assustam, diria que metade delas! As restantes, espero que com as boas reservas, flores e bons cuidados e mimos do dono, cheguem dentro de poucos dias a esse limiar de massa crítica.

A varroa, que quando adquiri a exploração estava em 22%, está agora em cerca de 2,5%, sendo que lhes aviei mais uma tareia hoje, e é expectável que reduza a 1% neste final de mês…valor que me deixa descansado, tendo em conta as boas perspectivas de floração que deixará a Serra florida todo o inverno, e sendo que a mesma está muito perto das colmeias, permitirá que se o Inverno não endurecer demasiado, as abelhas estejam muito dentro do limiar de segurança no que a viroses respeita.

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Assim, mais uma vez, mostra-se que é possível e não é demasiado complexo fazer uma apicultura sem químicos de síntese…sendo apenas necessária alguma flexibilidade mental para aprender.

Espero que gostem das fotos…tanto como desfrutei do dia magnífico, por entre 2 bandos de perdizes, algumas dezenas de tordos e um belo de um faisão.

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Formação para 2018

Olá a todos,

Tenho na agenda espaço livre para 2as formações de apicultura ao longo do ano, pelo que se houverem instituições ou grupos de apicultores interessados, irei fechar as marcações até ao Natal, afim de poder planear a minha apicultura de 2018, sobretudo no que a raínhas e mini-núcleos respeita.

Não venderei raínhas em 2018 por falta de tempo, apenas cumprindo uma encomenda que a pedido do cliente passou para 2018. Todos os núcleos para 2018 estão já também reservado e não venderei mais.

Gostaria muito de dar um curso sobre apicultura livre de tratamentos, mas são precisos pelo menos 12 apicultores, e mais maneios nas colmeias.

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17 ou 18?

Pelo meu calendário apícola 2018 já começou algumas semanas atrás, com a abertura das primeiras flores de eucalipto.

No entanto os trabelhos referentes ao final da campanha de 2017 estão ainda a decorrer, pelo que me encontro algures perdido num espaço temporal entre campanhas…

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É assim hora de desinfecção e de aproveitar os belos pôr de sol que ocorrem agora à meia tarde.

Sinal de chuva, nem perto…e a seca agrava-se. Para as abelhas neste momento não é problema algum, os orvalhos ficam na terra até tarde. Mas poços e ribeiros estão secos…totalmente sem pinga!

 

Escorrem as últimas gotas de cera de 2017,

E até o meu companheiro roedor que vive na horta desde que lhe dei alforria há 2as semanas atrás, se goza do bom tempo junto ao seu castelo de pedras. É este meu sócio que põe os cachorros profissionais para 2018…a Princesa, até chora ao estar presa no canil a vê-lo roer ervinhas. Quando apanha uma nesga e se pisga, o coelho corre para o seu castelo e ela passa cerca de 30 minutos a cantar-lhe o Aúuu ao ouvido.

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1 já está!

1 dos armazéns está já arrumado, o outro falta apenas que os cerca de 1000Q sejam passados ao maçarico e encostados ao seu canto.

Depois há que preparar 25 meias alças e fazer a primeira de duas viagens à Serra D’Aire…

e logo em seguida será…Feliz Natal!!… e Férias à Apicultor, com um ou 2 dias de trabalho semanal.

Ou talvez Não!!, pois está a nascer a minha pequena central de pólen, e há obras a fazer. Bahhh…ainda não é desta que tenho férias!!

Talvez daqui a 1 ano…quem sabe!

Mas é o preparativo para o passo essencial de 2018…atingir 1ton de pólen anual. Foi um grande caminho para aqui chegar. Longo, penoso, estenuante…e ainda mais duro neste que foi o pior ano apícola dos 12 anos que levo de apicultura. Mas chegámos lá…e é tempo de produzir!!

Como mais uma meta está já aqui…há que definir o próximo passo. Pois chegar ao cimo de uma colina não quer dizer que não hajam outras para serem escaladas. É preciso manter a bandeira no topo dessa pequena colina, olhar outra, traçar outro plano e de imediato deitar mãos à obra. Não sendo ainda tempo de subir a próxima colina…é tempo de olhar o que está ao redor e começar a sonhar.

O que será a próxima colina?…idéias já há

 

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O regreso de: “5 Perguntas a” – Denis Hickel

Pois há pessoas que têm pensamento relevante, e porque o AbelhasDoAgreste tenta não ser um monólogo.

Assim se insere esta pequena entrevista ao Denis;

1 – Quem é o Denis Hickel e porque foi a escolha de abraçar a Agricultura Bio em Portugal?

Eu nasci no Brasil, onde estudei e trabalhei com arquitectura. Em 2004 vim para Portugal com a minha esposa, com o objectivo de fazer alguma pós graduação, mas acabamos envolvidos pelo país, sua cultura, começamos a conhecer pessoas, a trabalhar e cá ficamos. Hoje esta é a nossa casa.

A agricultura e a apicultura surgiram por acaso na minha vida. Foi durante o período em que estive a investigar e desenvolver uma tese de doutoramento em Design, entre Portugal e a Escócia. Foi aí que acordei para a profundidade, complexidade e gravidade dos grandes temas do meio ambiente. Um deles, e que tomei a peito, foi o facto de que uma das maiores pegadas ecológicas da nossa sociedade vir da produção alimentar, com formas de cultivo altamente danosas para o meio ambiente e para a saúde humana.

Em 2011 resolvemos sair de Lisboa para levar outro tipo de vida. Logo começamos a cultivar o nosso próprio alimento — assim mesmo sem saber nada — apenas começamos. Com o tempo, fomos ganhando gosto pelo próprio processo de aprendizagem e aprimorando técnicas e as nossas perspectivas sobre o tema. Com as abelhas, foi a mesma coisa.

Começamos por partilhar os excedentes com os amigos, depois vender cabazes e mel, até que nos sentimos seguros para iniciar uma horta para o mercado local. Hoje horticultura e apicultura andam juntas e de forma integrada — que para mim é o que faz sentido. Gradualmente iremos também fazendo pequenas experiências de agrofloresta, com produção integrada de frutas, madeira para o nosso consumo, biomassa para horta. No fim tudo isso criará um pequeno habitat para as abelhas e para nós.

Neste processo conhecemos outros produtores e criamos uma rede de pequenos agricultores para podermos fornecer cabazes mais frequentes e participar semanalmente no mercado local de Torres Novas, com qualidade e diversidade de produtos. Desde então estamos sempre a promover cursos na nossa Quinta como forma de fomentar o surgimento de outros pequenos agricultores na nossa região, para podermos colaborar e também reduzir as deslocações, aumentar a energia criativa e a possibilidade de entreajuda. Oportunidades como essa, estão todas por serem criadas (mas dão muito trabalho!

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2 – Qual o espaço que a agricultura Bio tem em Portugal? está em crescimento ou é apenas vista como um nicho?

Eu olho para agricultura biológica em Portugal (e no mundo) como sendo uma posição política, é uma atitude perante tudo que aí está e acho que não é só seguir um manual, mas sim um estilo de vida, uma nova forma de fazer agricultura, de se relacionar com as pessoas e seus lugares.

Infelizmente há um número cada vez maior de pessoas e corporações que olham para isso como um nicho de oportunidade financeira. Esta atitude infelizmente acaba por gerar distorções no espírito original do movimento biológico o que muitas vezes acaba por prejudicar a imagem da Agricultura Biológica. Mas o tempo dirá e acho que outras formas certificação e/ou reconhecimento de quem faz um trabalho diferenciado deverão surgir, como por exemplo o certificado Demeter, da agricultura Biodinâmica, ou ainda, processos de certificação participada como existem no Brasil e nos EUA, onde os produtores são certificados por comitês locais, formados por outros produtores, técnicos e consumidores.

No que diz respeito as oportunidades, vejo que é um universo com muito potencial para enriquecer as relações entre as pessoas e as diferentes regiões (continentes, países, conselhos e aldeias), criar empregos diretos, recuperar o meio ambiente, a paisagem rural e dignificar o papel do agricultor na sociedade. Desde que tenhamos em mente que não basta apenas seguir cadernos de encargos, mas sim entender as dinâmicas dos ecossistemas e viver de acordo e assim, criar outros percursos de produção e consumo, com maior aproximação entre o produtor e o consumidor; com impacto positivo no meio.

3 – Em termos de apicultura, como é que alguém ligado à agricultura Bio vê a evolução da paisagem Rural na actualidade?

Como profundamente degradada. Os solos estão degradados, as florestas e por consequência, fauna, flora, cursos da água, todos muito degradados e com imensa e acelerada perda de biodiversidade. Certa vez, entrevistei apicultores mais antigos e descobri que no passado um apicultor podia ter duas colheitas fartas, uma ao início do Verão e outra no Outono. A biodiversidade era maior, o regime de chuvas era outro, as estações mais definidas, a biodiversidade nos campos agrícolas, sebes e matas eram muito maiores e a pressão de doenças e de factores externos sobre as abelhas era muito menor. À medida que tudo isto está a mudar muito rápido, acaba por exigir uma maior presença do apicultor o que infelizmente tem se transformado em mais um fator de stress da colónia. Com tudo isso junto, hoje, mal conseguimos ter uma colheita decente de mel por ano.

No que toca a agricultura e paisagem, é o mesmo. Aqui onde vivemos as pessoas faziam pegos nos ribeiros, onde regavam as hortas, pescavam e banhavam-se nos meses quentes, os poços nunca secavam, os terrenos agrícolas eram cultivados, havia diversidade de culturas e havia pastoreio nos baldios e nos montados, enfim, o ser humano (mesmo sem saber) era um participante deste ecossistema. A vida girava em torno do cultivo do alimento, das estações do ano e da celebração das colheitas. Gradualmente, super mecanizamos o campo, introduzimos uma cultura química, esgotamos e poluímos fontes de água o solo e roubamos áreas antes bio diversas para substituir por monoculturas. A agricultura ganhou outras dinâmicas e deixou de ser local para ser global, com diferentes fluxos e dinâmicas ecológicas, sociais e económicas. O resultado está a vista, quebramos laços de comunidade, a figura humana perdeu o seu lugar na paisagem, foi embora. Com a aceleração das alterações climáticas estes são todos problemas que tendem a agravar-se.

Teremos que optar se vamos pela via do remédio (onde continuaremos a ver os problemas como separados, e estimularemos uma economia de inovação por tecnologias cada vez mais caras e químicos cada vez mais potentes para resolvê-los) ou se vamos pela via da regeneração (das redes, dos laços de comunidade, das dinâmicas ecológicas, da diversidade e das tecnologias adequadas?). Parece óbvio mas não é, pois isto implica o rompimento hábitos e interesses encravados na cultura vigente.

Temos também que ser realistas, pois nunca existiu um passado idílico no campo para resgatarmos, as respostas portanto, não estão no passado e sim em todo o conhecimento que adquirimos sobre agroecologia, o que está a mão de semear e o que já está a germinar um pouco por todo o mundo. Do passado podemos entender que o esgotamento dos ecossistemas levou ao colapso de antigas civilizações, que a disputa por recursos naturais levou (e ainda leva) a guerras e que a economia é muito mais um cuidar das pessoas e dos lugares do que propriamente jogos e arranjos financeiros. Toda a agricultura de cariz ecológico tem um papel muito importante de regeneração da paisagem rural.

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4 – Eucalipto, Pinheiro…monoculturas. Que espaço lhes deveria estar reservado e o que se deveria alterar?

Primeiro, deveríamos criar um entendimento, ou um significado correto sobre as coisas para evitar confusão. O que hoje nós chamamos de floresta (de eucalipto, ou pinheiros, etecetera) nada mais são do que PLANTAÇÕES MONOCULTURAIS que desconsideram aspectos ecológicos e até mesmo culturais, com a intenção de atender a intenções estritamente económico-financeiras.

Uma FLORESTA não é simplesmente um aglomerado de árvores, mas sim um sistema vivo, diverso e complexo que envolve relações entre diferentes espécies de animais, fungos, bactérias e plantas, incluindo nós seres humanos. Estas interações complexas formam paisagens e para nós uma paisagem é uma coisa cheia de significados culturais. Existem diversos tipos de florestas pelo mundo, umas por nós intocadas e outras mais ou menos manejadas pelo ser humano. Por exemplo, um índio é um agente da floresta amazónica, os pastores e os colectores são/foram agentes nos montados ou outras florestas e hoje, sujeitos como Ernst Gotsch, vêm mostrar-nos que o agricultor, por exemplo, pode vir a ser também um agente consciente dentro da floresta (ou dos demais ecossistemas agrícolas).

Surge portanto o conceito de AGROFLORESTA, que vem a ser um sistema intencionalmente plantado por motivos não só económicos, mas também de regeneração de ecossistemas e dos serviços que estes nos prestam e que podem ser tão diversos, tão complexos e ricos como florestas naturais (ver o próprio caso de E. Gotsch e ainda de Martin Crawford, Geoff Lawton, ou o trabalho que o fotógrafo Sebastião Salgado e sua família fizeram para resgatar uma propriedade desertificada; ou ainda buscar diversos pequenos exemplos existentes em Portugal).

Portanto, floresta é uma coisa, monocultura é outra! Mas não podemos ter/regenerar florestas se não mudarmos muito da nossa matriz cultural produtiva e de consumo.

Infelizmente isso leva tempo, por isso deveríamos de forma urgente discutir estes temas localmente (a nível dos conselhos) para criar uma legislação ambiental municipal e soluções como a simples aplicação da algumas das regras já existentes e a criação de outras como impor uma área 25 a 30% da exploração florestal para a regeneração da biodiversidade entre outros meios preventivos aos incêndios. Porém, acredito que em breve muitas pessoas vão entender a necessidade e as possibilidades do conceito de agrofloresta. A começar pelos apicultores e agricultores ecológicos que têm muito a ganhar com a regeneração da biodiversidade. Aliás, no meu entender, a regeneração de largos ecossistemas (e nos acoplarmos dentro deles) é única forma de travar e reverter as alterações climáticas.

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5 – Que conselhos dar a quem quiser iniciar-se na Agricultura Bio?

Acho que um agricultor biológico tem um papel político a desempenhar na sociedade. Portanto deveria estar atento e sensível a tudo que disse acima, que participe nas questões locais e globais da sua comunidade e também, sensibilidade para ouvir, aprender com os erros e humildade para arregaçar as mangas e trabalhar e colaborar. Quem entrar na agricultura biológica apenas pela questão financeira estará fazendo o “business as usual” que no longo prazo não contribuíra no essencial.

Outra coisa, é que não existem neste momento mecanismos adequados de financiamento, nem de apoio técnico, à fixação de jovens agricultores em Modo de Produção Biológico. Isso deve-se ao facto de que as dinâmicas culturais económicas e as pressões por resultados são profundamente diferentes das dinâmicas ecológicas que o trabalho em biológico requer. É um trabalho de paciência, pois os resultados podem levar mais tempo, mas terão também um impacto mais duradouro e benéfico. Dentro do possível, criar alternativas económicas a partir da diversidade (pois é uma forma de resiliência).

Portanto, ainda que haja toda essa componente ecológica, não podemos esquecer da gestão. Portanto, que se pese muito bem o que quer fazer, como vai fazer, onde quer chegar e como vai financiar o seu projecto. Acima de tudo, gaste algum tempo para conhecer o mais variado número de outros projectos e explorações, os que obtiveram sucesso e os que falharam.

Para quem vem da agricultura convencional, saiba que não basta seguir um caderno de encargos, caso contrário isso só vai levar ao surgimento de problemas diversos. É necessário adoptar novas práticas, formas de fazer e estar. Esteja aberto a “desaprender” muito do que sabe. Para quem vem de outra área, como eu vim, as vezes pode até ser mais fácil no que toca ao entendimento das novas práticas e conceitos, no entanto, saiba que o trabalho na agricultura é duro. Se tiver disponibilidade passe pelo menos um ano a fazer voluntariados, ajudar, ou a trabalhar para saber se a vida no campo é o que você quer realmente!

Em ambos os casos, deve-se deixar de lado a cultura da competitividade, aprender a trabalhar em rede, colaborar, a aceitar feedback e saber que ainda que o biológico esteja a crescer, há toda uma nova cultura de produção, distribuição e consumo por fazer em Portugal.

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3a e última aula! – Medhat Nasr

Peço a todos que prestem muita mas mesmo muita atenção ao que será dito durante o minuto 20, pois para os defensores assérrimos de Amitraz + Amitraz…talvez seja prudente escutar atentamente que sabe, antes de emitirem opiniões fortes!!

Assim, que fique de uma vez por todas claro que há que possuir alternativas, que ir testando as mesmas…para que nesse dia não fiquem com as calças na mão e a pedir esmola!

Destas 3 aulas tenho retirado muitas mais elacções sobre o que vou fazendo bem e o que tenho que melhorar bastante.

Diria mesmo que estas 3 aulas são melhores do que muitos livros de apicultura. E são de borla. É pôr os olhos e ouvidos em quem sabe!!!. Ver e Rever!!

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1a vez…

Pela primeira vez, o AbelhasDoAgreste teve mais visitantes internacionais do que Portugueses.

Foi a 4/11/2017

Thank you all for following my blog! I hope this BeeBlog help you to keep your bees in better shape!!

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