15h…

Clímax da campanha de Outono (esta semana),

É o momento de uniformizar e preparar a entrada no estio.

Mas também é tempo de colher…, apesar de este outono estar a ser o 2º mais fraco de que me recordo. Pois o frio, a chuva, o vento deixam pouco a que as abelhas façam o volume de trabalho que deveriam.

Assim, hoje é Domingo. E eram 15h quando me sentei à mesa, apesar de estar a trabalhar desde cedinho. É o tipo de sorte a que se referia um amigo ao comentar em conversa sobre a minha vida. Talvez ajude um pouco a que as coisas resultem, essa coisa chamada de “trabalho”.

Hoje foi assim (colheita de fecundadas), e amanhã será já com a ajuda do Sr. João. O armazém ficará tão feliz como eu por o ver chegar enquanto eu termino com a colheita do último lote de fecundadas do ano. Tentando que os meus núcleos Alentejanos ainda as recebam…

Publicado em Uncategorized | Publicar um comentário

Desde 2013

Desde 2013 que não havia um fluxo de Outono tão ranhoso. Ora chove, ora faz frio, ora se levanta um vento diabólico.

A ver no que dá!! Nesse ano, se bem me recordo foi chuva até os cães beberem sentados.

O que me retira um pouco o efeito susto é o facto de a erva nova estar nascida e o campo a verdejar a pleno Setembro, e portanto a flora de inverno vai chegar mais cedo. Além disso, o frio está a atrasar as heras, a chuva que caíu está a prometer uma ou outra flôr de eucalipto em Novembro…

Mas na viragem de mês de Outubro a Novembro…pasta para as costas!!

Publicado em Uncategorized | Publicar um comentário

Pólen lavado…

Este ano o outono está a ser estranho e nem por isso bom.

A tágueda chegou cedo, desfasada da hera e com a floração a pleno tem sido lavada e despojada daquilo que poderia fornecer às abelhas. As quais fazem o que podem, mas bem menos do que o habitual e sem fartura de fluxo nectário em alguns apiários.

Este mau sinal, vai refletir-se em pouco mel a colher, em má preparação para o Inverno e muito menos cria do que seria suposto. Talvez a chegada da vespa e a sua predação sejam também elas a influência negativa.

Outra coisa que este ano incomoda é a contínua re-infestação com varroa a que as colmeias estão sujeitas. Quer seja por enxames assilvestrados, quer seja por apicultores incautos que mesmo distantes causam grandes prejuízos e necessidade de tratamentos extra.

Não vou Invernar convicto de que as abelhas o vão passar bem!

E vou ter de acrescentar em gasto com alimento naquilo que o campo não provém. Gasto extra, tratamento extra…colheita menor, quer de quadros, de pólen e de enxames de Outono.

Quebra de 5 dias num fluxo cujo pico são 20 dias (descontando as flores lavadas) é uma quebra de mais de 25% na quantidade colhida. Uma quebra muito significativa, pois aumentou as horas de consumo pelas abelhas (horas mortas). Isto resume uma quebra prática que provavelmente é superior a 50%. Altamente significativo!! Enxames a nú deixaram de ser opção!!

Qual o ponto positivo no meio de tudo isto:

É que as plantas de Inverno estão já nascidas, portanto terão +de 3 folhas verdadeiras aquando da altura do 1º gelo (se vier) e sendo assim muito mais imunes a geadas ligeiras. Outra questão é a de que haverá eucalipto florido bem cedo, e de que a rega de hoje e amanhã providenciam boa instalação ao sistema radicular destas plantas recém nascidas.

Talvez..se outubro trouxer alguns dias húmidos a azeda se apresse e alguma mostarda dê um aporte de qualidade ao pobre pólen do eucalipto.

Publicado em Uncategorized | Publicar um comentário

Conhecimento 2/2020

Artigo sobre Bio -Protecção. Investigação.

Boa leitura!

Publicado em Uncategorized | Publicar um comentário

Conhecimento 1/2020

Vou deixar aqui algum conhecimento recente sobre vários temas apícolas.

Eis o primeiro sobre investigação no âmbito de Varroa.

Link!!https://www.mdpi.com/2071-1050/12/6/2302

É só abrirem o link!

Publicado em Uncategorized | Publicar um comentário

Oportunidade perdida…

Se há 2as coisas que o COVID veio colocar a nú, uma delas foi a problemática das cadeias de abastecimento longo e a outra foi a necessidade de muitas práticas serem reformadas.

Infelizmente Portugal tem uma enormíssima dificuldade intrínsica de querer mudar. E isso é extraordináriamente impeditivo de fazer avançar o País.

Quanto às cadeias de abastecimento, veio há dias o Primeiro Ministro falar sobre a Agricultura, que de repente passou a ser a paixão. No entanto relembro que os fogos de Pedrógão e o Seguinte de Outubro desse mesmo ano já foram há 2 anos, e nem a população do Interior aumentou, nem os indicadores agro-florestais dessa zona mudaram.

Quanto à necessidade de se simplificar processos, quer administrativos, quer de licenciamento, o nó dado por diferentes instituições que tutelam uma mesma coisa precisa de ser alvo de rápida e forte intervenção. Vou exemplificar:

Uma pessoa que queira iniciar uma atividade agrícola/pecuária tem tantos níveis de papelada pelo meio que tende a desistir. Vejamos,

1 – Abre atividade…mas ter atividade aberta não significa que as instalações sejam reconhecidas

2 – Supondo que vai recuperar umas instalações pré-existentes, chega-se à Camara Municipal, a qual recebe IMI do local há muitos anos, e nos diz que afinal as instalações estão em Reserva Agrícola. Segue-se ida á Zona Agrária para submeter um Pedido de Desafetação da Àrea já existente, mas que não é reconhecida como existente apesar de existir e pagar impostos. Na Zona Agrária, pedem um certificado emitido pela Câmara Municipal em como o local está dentro de Reserva Agrícola. Volta-se à Camara Municipal, para que esta passe o referido Certificado. Depois regressa-se à Zona Agrária com o mesmo, e com mais uma memória descritiva para pedir a desafetação.

Após a desafetação do local para que esse possa ser impermeabilizado (quando na verdade já o está há mais de 30 anos) e caso esse local seja aceite!!, volta-se à Câmara Municipal e faz-se um pedido de Informação Prévia.

Ao termos essa info, podemos então colocar em curso o licenciamento…que demorará novamente o seu prazo!!

Supondo que tudo corre bem…voilá, podemos então fazer as obras e licenciar o espaço para a atividade já licenciada (será que alguma atividade agrícola se faz sem um espaço??).

Tudo isto desgasta quem tem vontade de avançar, e precisa de tempo que não se coaduna com a velocidade do mundo atual!!, além de que a cada passo que se dá, há sempre uma chance de algo correr mal.

Isto foi apenas um exemplo. O mundo atual pede outra coisa:

Pede que quando temos um projeto, nos dirijamos a um local, a uma pessoa, submeta-mos um projeto e entreguemos uma cópia do nosso CC. E que internamente alguém trate de toda esta burocracia num tempo útil (um agente de processo que funcione como um solicitador interno)…diria que 60 dias, e findo isto levantemos a nossa licença que inclua atividade e espaço onde esta decorre. E voilá!!

O Estado nas suas diferentes formas que se reforme, que se simplifique e que deixe de agir como se cada departamento não reconhecesse os outros e fosse cego e surdo com eles.

Esta é a atividade que conheço…mas generalizo para as restantes, pois suponho não serem diferentes!!

Publicado em Uncategorized | Publicar um comentário

Lá vai àgua!!

Com as vindimas em alto ritmo nesta zona, eis que vem uns dias de chuva. Que estou com dificuldade em interpretar.

Esta dificuldade prende-se com o fluxo de pólen e mel que será interrompido.

As colmeias têm bloqueio de pólen neste momento e uns dias sem entrada podem até ser bons nesse ponto. Mas com as flores a pico, as abelhas nas alças e muita flôr que será estragada sem retorno, ter mais abelhas na entrada de Outubro pode não significar melhor condição, pois abelhas a mais nesta altura significarão reservas a menos e a possibilidade de ver voar 1 ton de mel!

Pelo contrário, diz-me a experiência que se a àgua for suficiente, o eucalipto começa cedo e não há muito estio. Também se enlamear tudo que não entre de seguida uma torra de calor, a experiência aponta para bocados de uva tinta que ficam por vindimar, isto porque apodrecem na cepa. Tal pode gerar uma quantidade absurda de melada escura (já ocorreu uma vez).

Nada posso fazer, e recuso-me a fazer apostas! Vou antes para o armazém colar tirinhas de cera nos quadros e fazer figas para que seja lama até aos joelhos. Os vitivinicultores…devem estar a fazer figas com a outra mão…, mas sempre foi assim, mau ano de frutas…bom ano de mel!!

Falta falarmos dos figos, que estão no ponto…e uma chuvada remete-los para os pássaros e abelhas, sendo de forte impacte na quantidade de melada escura obtida.

P.S. – Vou-me ver à rasca para voltar ao apiário do “Mato Grosso” com a carrinha. Se tiver de se tirar de lá 300kg de melada ao ombro…que seja!! São Pedro é que sabe…

Publicado em Uncategorized | Publicar um comentário

1ºs Ovos

Aí estão eles a 14/09, os primeiros ovos e larvas de zangão. Neste momento ainda e apenas em pequena àrea. Assim, é dar mais uma semana na abundância…e começar desdobramentos, pois não queremos que os papás sejam filhos daqueles 50% de enxames que interessam menos, mas sim dos mais vigorosos que já se encontram neste momento a saltar para as alças e a ovar de zangão.

Dentro de uma semana também seguirão as 1as fecundadas do outono e começarei a colocar os armazéns de cria, afim de esta selar e ser entregue ao cliente uma semana depois.

As colmeias começam a demonstrar excesso de pólen nos ninhos, mas se a chuva prevista vier, tal não chegará a ser um problema.

Há já colmeias a ultrapassarem pelas 10 da manhã as 60 cargas de pólen por minuto.

Vão ser dias de muita…muita loucura! E não vou desbloquear tudo dentro de uma semana, pelo simples facto de que abrir 500 caixas e passados 10 dias ter de as abrir de novo para crestar e preparar o maneio para o Inverno seria loucura do ponto de vista físico. Portanto…aguentem meninas!! Papai está a caminho…com quadros de cera puxada. Vá vá…melem lá um pedacinho 1º…que vos darei festinhas e cafuné de seguida!! (mas só às melhores 50%)…as outras é “frango assado”, também conhecido como “Jack the Reaper!”

Publicado em Uncategorized | Publicar um comentário

Apicultura Prática – 2

Cada vez mais, a minha idéia assenta em métodos mais simples para ir levando as colmeias de fluxo em fluxo e sobretudo para as apresentar bem ao fluxo seguinte.

Algo que muitos apicultores não dominam é a percepção de que uma colmeia apenas sobe às meias alças se o ninho se encontrar totalmente cheio. Desta forma, o domínio da quantidade de cria e reservas no ninho poderá influenciar muito o que se passará no fluxo.

Em fluxos muito fortes não importa assim tanto, pois são de tal forma intensos que em poucos dias uma colmeia moderadamente populosa entra pelas meias alças sem pedir meças. No entanto estes fluxos estão a tornar-se mais raros! e em zonas onde antes abundavam em frequência, são hoje por vezes mais os anos que falham do que aqueles que aparecem.

Assim, ter abelhas em zonas cujos fluxos sejam pouco fiáveis na sua regularidade é a meu ver uma escolha que à partida tem logo poucas chances de sucesso. Zonas emblemáticas como as da Serra da Lousã, Serra dos Candeeiros são disso exemplo.

Outra questão que muitas vezes atormenta o apicultor é a dos desdobramentos. O seu timing e como o fazer? Há que dizer que apenas uma colmeia moralizada com uma raínha fecundada irá trabalhar para o apicultor, e que a enxameação é uma enorme limitante produtiva. Mas que a prevenção da mesma é além de desgastante para o apicultor um enorme custo em hora/homem para alguém que da apicultura queira viver. Não sendo viável a meu ver andar a abrir semanalmente colmeias já com alças que progressivamente estarão mais pesadas e temperaturas cada vez mais elevadas com a finalidade de andar a destruír mestreiros. Por vezes é melhor planear as coisas e fazer apenas 3 maneios de Primavera, mas libertando o corpo de trabalhos desnecessários.

De tal forma é exigente a abertura de colmeias, sobretudo quando são centenas, que opto por não usar fumo e ser rápido no que nelas fizer, além de as chatear o menor número de vezes possível. Hoje em dia, em apiário não-transumante, limito-me a uns 6 maneios/ano. No entanto, é de notar que sempre que vou crestar (seja mel, cria ou abelhas) levo comigo o frasco das amostragens, tratamentos e alimento. Sempre que se cresta, alimenta-se!, desbloqueia-se os ninhos, testa-se a infestação média do apiário e se necessário trata-se a varroa. Isto é meio caminho feito para se poupar viagens, diesel e o corpinho.

Não vou entrar em muitos mais detalhes, apenas dizer que quando as abelhas se encontem a armazenar nas alças, não se alimenta com líquido, afim de não haver contaminação. Mas que em tempo de estio, uma colmeia populosa consome muito mais alimento do que a maioria dos apicultores supõe, e diria que o 1º Kg de xarope (pouco denso) fica práticamente na massa viva de abelhas, indo muito pouco dele ao favo sequer. Sobretudo se houverem muitos zangãos na colmeia, os quais servem de armazém vivo e têm um elevado consumo de energia.

Saliento ainda que na maior parte dos estios há pólen no campo, mas a falta de estímulo energético coloca as abelhas num estado de letargia que diminui muito a sua atividade de cria. Isto ficou por mim comprovado este verão, quando a pleno Agosto uma razoável melada de cardicha, azinho e girassol ocorreu após uma chuvada. A àrea de cria aumentou a níveis de Primavera, não sendo os 42ºC uma limitante. A limitante era sim a humidade dentro da colmeia e a falta de estímulo nectarífero.

Ficam as idéias…caso alguém as queira aproveitar!!

Publicado em Uncategorized | Publicar um comentário

Apicultura Prática – 1

Algumas regras básicas para que os apicultores que têm mais dificuldades em ler o que se passa dentro das suas caixas possam de uma forma fácil perceber o que por lá se passa.

1a regra – Atenção ao nível de varroa (amostragem trimestral de pelo menos 4 colmeias do apiário). Sanidade é essencial! E conseguimos prever a evolução do estado de infestação com esta ferramenta. Basta assumir que a % de infestação duplica mensalmente.

2a regra – Não perder tempo com enxames fracos e incapazes. Não os paternalizar e focar-se nos mais fortes.

3a regra – Talvez em Portugal morram de fome tantas colmeias quantas as que morrem de varroa. Uma regra simples e “no brainer” é a de colocar 1 pacote de 2,5kg de pasta sempre que se encontre um estio frio, ou se alimente com 3kg de xarope quando se enfrente um estio quente. Estas doses são suficientes para enfrentar cerca de 5 semanas de estio e precisam de ser reforçadas sempre que este dure mais.

De uma forma geral o nosso território não é carente de pólen, excepto em algumas zonas do interior ou longos períodos de chuva ininterrupta.

4a regra – Ao contrário do que pensamos, as abelhas passam bem sem nós as importunar. Assim, e excepto no período mais forte de enxameação, 1a visita mensal é mais do que suficiente.

No próximo artigo, falarei sobre acções de maneio muito simples e que são na minha óptica fundamentais.

Publicado em Uncategorized | Publicar um comentário