Espírito novo!

Estes dias que passaram foram de trabalho intenso, de observar o que correu bem e menos bem nesta campanha, de meditar quais os caminhos mais acertivos à minha exploração.
Esta reflexão terminou, e com esse términos, decidi que há grandes mudanças a serem feitas e cujo processo se está a iniciar, por forma a tornar a minha exploração mais rentável (sobretudo uma rentabilidade mais estável) e diminuir em muito a carga de trabalho que este ano me assoberbou.
Acabado o processo de cresta que me deixou a alma em frangalhos e renascendo agora com novo espírito, é tempo de voltar ao blog, arrumar o armazém que parece ter visto um tornado…enfrascar mel.

Por outro lado foi com enorme orgulho que 3 turmas de formandos já efetuaram a sua cresta, na formação ao longo do ano…e em que os nossos apiários de formação duplicaram o seu efetivo e produziram algum mel e ceras puxadas. Houve frasco de mel para todos, almoçarada de convívio inter-turmas. Foi excelente de ver como estão agora apicultores capazes de tomar conta das suas colmeias!! Faltam 2as turmas…está quase!!!

Em último,
Está-se a aproximar o tempo das reportagens apícolas, e preparo já 2as delas. Uma na rubrica 5 perguntas a: e a outra na nossa Volta a Portugal em Apicultura.
Também em Agosto regressará a rubrica Abelhas Pelo Mundo, com o que espero ser um Mega Post.

Abraço a todos!!

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Mudanças no horizonte!

Este ano a cresta está a ser particularmente penosa. Tal não se deve a dores nas costas, nem crgas enormes. Deve-se sim a que a cada regresso de um apiário a moral do apicultor vem cada vez mais em modo depressivo.

Ontem foi atingido um record negativo, em que eu e o meu amigo António crestámos cerca de 80 colmeias, umas 40 de cada um de nós, e no final extraímos o mel. Obtivémos a média de 1,7Kg de mel por colmeia…algo nunca antes ocorrido!, ainda complementado por boa parte das ceras novas que haviam sido puxadas pelas abelhas e abandonadas estarem derretidas. Salva-se o bom estado das colmeias (ninhos com boa cria e reservas), já com as raínhas novas em postura.

Como 2 anos antes (salvou-se o ano passado que foi razoável) foi muito parecido, espero sinceramente que não se repita tão brevemente isto…no entanto, há consequências a tirar, e uma delas é re-orientar os produtos-alvo da minha exploração.

Vou continuar a crestar, e a penosamente ir vendo o nível de mel dos tambores a subir aos bocadinhos. Mas assim, cada passo custa mais, cada quadro vazio ou derretido é mais pesado que um cheio.

Faltam mais 3 a 4 dias desta vida…antes de iniciar os trabalhos de preparação Outonal.

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Testes…Sucesso?

Após as primeiras amostras que foram tiradas alguns dias após o teste ao oxálico, e após falar com alguns amigos e ler num fórum Espanhol que a eficássia de algo parecido havia sido nula (apenas um amigo meu relatou boa eficiência), fiquei um pouco assustado, voltei a agarrar em frascos com àgua e a gota mágica de sabão da louça…e fui tirar mais amostras!…pois poderia ter acertado nos que não tinham varroa.

Talvez o tipo de glicerina influencie?
Talvez o tipo de papel?

Ainda não sabemos!, e uma vez mais as entidades responsáveis andam a dormir na forma, quando 2 anos após a colocação no mercado do AluenCap…e por cá ninguém testou nem há notícias de nada. Era tempo de estarem a decorrer em meio académico estudos ao procedimento Argentino, ao procedimento Chileno e mais recentemente a comprovar que o método Americano também resulta. Pois com 10eur e 200 colmeias ficam com infestação de varroa baixa… (caso resulte)!
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Os resultados da direita para a esquerda,
1 – 0 V
2 – 1 V
3 – 0 V
4 – 6 V
5 – 0 V
6 – 0 V
Portanto ou estou mesmo a ficar louco, ou resulta!
As vezes pergunto-me se após os resultados podem ter sido influenciados pela temperatura extrema?

São estas coisas que não sabemos…e que podíamos e deveríamos ter raspostas, pois tudo isto é tão barato que o protocolo científico de uma tese de mestrado se faria num àpice e a baixo custo.

Sei fazer isso, mas recuso-me…pois não teria validade científica, e enquanto produtor, é-me suficiente os resultados.
Mas enquanto membro da comunidade apícola e enquanto cidadão…fico deveras desapontado por não se falar disto a nível das instituições. DGAV, INIAV, Ministério da Agricultura (é quem paga a conta dos MUV´s) e sobretudo a FNAP que deveria estar atenta ao setor que supostamente representou durante estes 2 anos.

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Cresta,

Ontem foi dia de crestar mais um pouco.
O dia começou pouco passavam das 6 e terminou cerca das 21h.

Aproveitámos para ensaiar o equipamento novo e ver onde estão as falhas a corrigir.

A CAL (Cooperativa Agrícola de Loures) investiu bastante, investiu bem…e vamos dar uso à maquinaria, pois na ótica Agreste, não faz sentido cada um ter a sua linha de extracção, quando depois trabalhará meia dúzia de dias por ano.

O mel é mesmo pouco, e quanto a isso, nada a fazer! Muitos quadros que as abelhas puxaram a cera e abandonaram, muitas meias alças com 5 a 7 kg de mel…mas mesmo assim, ele vai correndo e o tambor ficou 2/3 de cheio na tarde de ontem.

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Ontem, lá em cima estava toda uma turma de iniciação à apicultura, com a Filipa

Cá em baixo nós…e falta aqui ainda o Tiago e o André na foto.

Quanto ao extrator, não há que chegue ao modelo “reversível”, que vira os quadros sozinhos, não parte ceras e em menos de 2min tem a rodada de quadros impecávelmente extraída.

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Testemunho da exigência!

Hoje, resolvi escrever um pouco sobre o que penso ser o caminho do futuro apícola.
Como todos os que visitam regularmente este espaço que pertençe a toda a comunidade apícola sabem, sou adepto de boas abelhas.

Hoje um amigo visitou-me para levar o seu pólen que eu havia seco e limpo, e enquanto conversávamos, íamos mexendo nas abelhas que entravam e saíam daqueles 4 núcleos, afagando algumas como se fossem um gatinho a ronronar no colo, estando na sua linha de voo e deixando que as abelhas guarda nos trepassem para as costas da mão.

Penso que na apicultura do futuro, a mansidão tem de ser um denominador comum, algo que temos de exigir de uma abelha que seja “de apicultor”.

Se as tenho todas assim? Ainda não!, mas estou muito mais perto de o estar.

Só reproduzo raínhas notóriamente mansas, elimino sistemáticamente raínhas que originem abelhas nervosas e portanto isto tem melhorado incomensurávelmente.

Algo que noto, é que as abelhas deixaram de atacar a roçadora e que dos apiários do centro apenas tive de eliminar este ano 2as raínhas por estas serem de notória agressividade.

Não sei se conseguirei sem recurso a mais tecnologia chegar a ter abelhas que me permitam ir em manga curta abrir um apiário…mas tenho isso em mente, num futuro mais ou menos distante, mas que vejo aproximar-se diante de mim.

Esta é a exigência que gostava de ver ser tida por todos os apicultores, que em vez de gastarem a sua energia a perseguir enxames empoleirados, a gastem ao invés a reproduzirem e escolherem o gado mais manso e produtivo.

Aqui no Agreste o próximo passo será o de adquirir material genético capaz de diminuir o número de tratamentos anuais para a varroa para 1 tratamento anual. Ainda não sei se com o nosso clima, esse caminho será curto…mas vou tentar, e se conseguir, então será um novo capítulo!

Vejo a apicultura cada vez mais como uma atividade em que não faz sentido certo tipo de esforços nada amigos das costas nem do ambiente, mas que crescentemente terá de ser uma atividade diferente do tradicional e cujos apicultores devem antes demais perceberem o que a sua localização pode dar com menor esforço.

As vezes axo que sonho demais…mas depois olho para trás e vejo o que está feito, e ao virar a cabeça na direcção do futuro vejo que posso fazer mais um pouco. Um dos exemplos disso é o pólen, em que tenho captado mais e mais e mais a cada ano que passa…e em que este ano a meia tonelada é a meta perfeitamente atingível se o outono for minimamente normal…mas em que já cheiro a chegada ao meu “targuet” de 1a ton anual.
Mas há outros exemplos, outros produtos, outras metas a chegarem.

Cada um tem de fazer o seu caminho…ter idéias próprias. Gurús não existem, mas existem pessoas que podem ajudar-nos a nos tornarmos melhores profissionais e pessoas, e em que sem qualquer dúvida para mim, a abelha produtiva mas mansa é o denominador que tem de ser comum, afim de tornar a apicultura mais integrável numa sociedade urbana e mais próxima de ser o primeiro insecto domesticado.

Cada vez mais a paisagem é urbana, as pessoas estão concentradas, e seria um grande erro deixar que essa vasta maioria veja a abelha como um animal agressivo. Só uma abelha mansa traz pessoas à apicultura. E as pessoas que mais interessam à apicultura são os pequenos apicultores, pois são eles o garante de uma polinização o mais uniforme possível em todo o território, o garante da diversidade cultural e genética e portanto o garante da nossa Apis!

O grande apicultor pensa muito mais na perspetiva empresarial, e sendo importante pela mais valia económica que gera, está muito longe de ter a importância dos milhares e milhares de colmeias que estão nos pequenos apiários, quer urbanos quer em volta das aldeias. Esta minha querença foi-me confirmada quando há dias, e no centro da grande Lisboa uma fiada de 20 tílias completamente floridas e um canteiro de girassóis na mesma localização se me depararam completamente desprovidos de abelhas melíferas nem bombus.

Espero desta forma estar a contribuir mais um pouco com a minha visão para a apicultura, e a criar em alguns apicultores mais algumas sementes.

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Um exemplo!

Hoje venho mostrar um exemplo de como se pode ter dupla rentabilidade de um negócio,

No caso, conseguem 25 dúzias de ovos Bio por dia…cerca de 75Eur/dia

Dupla rentabilidade

Sei que não é apicultura…mas pode ser pensado também para a apicultura!

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Foi dia!

Hoje foi dia da inspecção final ao meu projeto apícola.
A coisa correu bem!, e falta apenas um par de cópias para que tudo esteja terminado e que em 2018 se proceda ao controlo da faturação do mesmo,com a chegada e entrada em modo cruzeiro (apesar de faltar ainda cera puxada em quantidade suficiente).

O procedimento da visita foi àgil, e para quem trabalha e tem o material no campo, o procedimento da inspecção é simples e os técnicos foram simpáticos, explicando inclusive algumas coisas que lhes perguntei.

Estou pois na última página deste capítulo,

Próximos capítulos estão no horizonte…

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Hoje é o dia!

Hoje é o dia em que deixo a carrinha preparada para a cresta de 2a…vai começar!
No entanto não vou nada alegre…
O mel é pouco e há inclusive apiários em que não compensa o tempo dispendido, a viagem e o trabalho, pelo que será penosa a recolha de 50kg ali…100 acolá

Há uma ou outra colmeia que encheram 3 meias alças, e uma louca que chegou as 5, mas cujas 2as de cima so têm medalhinhas de mel.

Vou alimentar mais quantidade do que a quantidade de mel extraído, pois é a forma de as ter em forma para desdobrar na 1a semana de Outubro.

A varroa vai ser morta, as colmeias crestadas e deixadas na sua maioria apenas com 8 ou 9Q no ninho, afim de que no outono lhes meta 2as laminas e para crestar mais um tambor de mel dos quadros metidos esta primavera.

Cada colmeia leva já com 1,2kg de xarope, e as de sul levam ainda com 460gr de proteína. Quero-as com bastantes reservas na entrada de Agosto, e portnto com capacidade de arrancarem após este inverno quente que se aproxima.

Aqui no Agreste está prevista 2,5mm de chuva para amanhã, o que seria uma boa refresca para os milhos e sobretudo para o pouco cardo abelha e muita verdizela. Talvez alguma àrvore se resolvesse a melar!!

Assim estamos…

P.S. – Os Apicultores têm aderido e ainda hoje recebi um telefonema de um Sr. de Viseu pronto a ajudar, outro Sr. Transmontano, o meu amigo António também vai doar 5 enxames…e o caminho para 70 está a ser cumprido.
Se chegaremos aos 100…não sei!, mas estou muito feliz pela prova de grande coração dada pelos apicultores.

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STOP Varroa!

Está na hora!,

Já com raínhas substituidas, comecei já a tratar os núcleos.

Aqui mostra uma experiência feita no apiário de fecundação e em núcleos, com um acaricida orgânico e preparado por mim, afim de testar se está a ser eficaz e para que possa aferir da sua capacidade como tratamento de verão.

Foto 1 – Abelhas na rede de filtragem

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Foto 2 – Cálculo de percentual, com a amostra 3 a ter sido das que leveram o varroacida apenas alguns dias antes, e portanto ainda com varroas que claramente resultam do nascimento da cria selada. As 2as semanas a % é bem melhor, como mostra a amostra 1 e 2

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Ainda na foto 3,vemos a diferença entre um terreno gradado no inverno passado e em pousio, para a faixa limpa em Março e cheia de cardo florido e repassagem

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Assim, que fique claro para todos os trabalhos de fim de Primavera e início de cresta.

Nunca apliquem varroacidas desconhecidos sem testar eficiências e efeitos secundários nas abelhas, pois podem correr sérios riscos. 1º aferir efetividade em condições extremas, e aferir impacto nas abelhas. Depois sim, se os resultados forem bons, aplicar nas restantes colónias.
Isto ao nao ser respeitado e poderão perder boa parte das colónias, quer por falta de efeito, quer por agressividade demasiada sobre a colónia e efeito de stress.

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Com lágrimas mistas…

Hoje recebi o seguinte comentário, do Nuno Martins…

Ola Afonso. Quando falavas no domingo da segurança das abelhas. Estava com uma única preocupação. Onde posso ter falhado. Agora regressando aos apiários de lagrimas nos olhos. Uma mistura de alegria e tristeza. Mas muito feliz por ter perdido muito poucas colónias. Apesar de tudo preto a volta elas la estão, lutadoras e sobreviventes. Obrigado por tudo o que me tens ensinado.

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É por isto que continuo a dar formação, e que tanto gosto dessa vertente da apicultura. Para poder ajudar, para contribuir e semear conhecimento que possa depois ser localmente re-distribuido aos apicultores. Pois Saber Não Ocupa Lugar!

E obrigado também pelo muito que vou aprendendo…

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