Regalo para os olhos!

Depois de cerca de uma semana envoltas numa espécie de caldo ora chovido ora em forma de spray…Hoje finalmente houve céu limpo e o vento amainou. As abelhas saíram tão a gosto que não queriam saber de nada nem de ninguém. Procuravam as 1as azedas abertas nalgum cantinho abrigado, os medronheiros e alecrins dos jardins, as nespreiras e os sinda poucos eucaliptos. Foi um regalo poder passear no meio de um apiário com 50 caixas e outro de 15 e nem uma picadela!!

Os mini-núcleos que foram povoados até junho estão soberbos e apenas 5 perdidos ou unidos. Os tardios terão percas maiores, mas assim que as azedas abrirem terão literalmente milhões delas ao seu entorno e os tardios que se safarem só precisarão de bom tempo para quadruplicar a sua dimensão.

Na frente das colmeias não há abelhas a trepar, nem mortas. Os estrados estão limpinhos e estou a gostar da entrada no Inverno. Mas nada de alimentar agora…nada de estimular! O ideal era mesmo entrar tudo em Janeiro com apenas 3Q de cria, e as azedas ao estarem atrasadas podem ser um precioso auxílio. É que no ano passado por esta altura haviam colmeias com zangão e estava tudo demasiadamente acelerado…e tudo tem o seu tempo de ocorrer.

Vamos ver no que vai dar este 2017 apícola…mas para já promete!

Alimento só na entrada do ano e em pasta…até abril só e apenas só pasta!!nada de estimulante. Colmeias demasiado fortes agora (excepto zona de eucalipto ou flora de inverno muito forte e com climatologia boa) podem morrer de fome num instantinho caso o tempo vire para o extremamente chuvoso ou extremamente frio. Assim o ninho quase cheio de abelhas e nascimento de novas abelhas que mantenham a população é o ideal, pois cria a mais representa reservas a menos. Daí a alimentação ficar para mais tarde, com os dias a crescer e com as abelhas a arrancarem. Aí sim, temos de lhe dar conforto em hidratos de carbono e libertar campeiras para colherem mais pólen, facilitando assim o turn-over de Inverno no seu ponto crítico.

Esqueci de dizer que o tojo já está a florescer, e é mais uma fonte de pólen. Hoje elas já andavam nele em força.

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A vergonhosa realidade!

No CM de ontem, 3/12 está um artigo sobre a melaria da Meltagus em Castelo Branco. Um verdadeiro Elefante cuja extracção é gratuita para os Apicultores. Até aqui tudo bem, e saúda-se o apoio de alguns meios locais à apicultura.

No entanto, penso que (segundo a informação que me chegou) a mesma melaria custou       1 000 000 de Euros entre equipamentos e Edifícação.

Em 2016 extraíu 20 000Kg de mel, e está lá escrito que a Câmara Municipal de Castelo Branco investiu cerca de 80 000 eur que suponho serem para manter o investimento em laboralção. Ou seja!

Cada Kg de mel extraído custou à Camara de Castelo Branco 4Eur, um pouco acima do valor do mel aí extraído.

Isto quer dizer que caso não tivessem feito o investimento, a Câmara Municipal de Castelo Branco, poderia com esse dinheiro e em anos maus comprar as 20 ton de mel já extraídas aos apicultores acima do preço de mercado, revender a preço de mercado…e ainda poupava 70 000eur.

Na mesma coluna vem publicado que a quantidade de mel de um ano normal deveria de rondar as 50 ton, o que mesmo assim daria 1,6Eur/kg de custo de extracção.

Também se não me engano, a capacidade instalada é de extracção de 7ton/dia. A tal corresponde que em 2016 a dita melaria trabalhou 3dias e que num ano dito “normal” trabalhará cerca de 7 dias.

Assim, denuncio este investimento que nem sequer é questionável. É Criminoso!!! é assim com investimentos desta qualidade que se destrói um Portugal, e se manda literalmente para o lixo 2 000 000 de euros que dariam para equipar dezenas de pequenas melarias e se cria um custo anual exorbitante pois após construída o custo de manutenção e operação tem de estar coberto sob risco de falência.

Os apicultores que têm a sorte de poder aproveitar isto fazem-no e bem a meu ver! A culpa não é deles de forma nenhuma!!

Mas no mínimo devería ser investigado pelo ministério público quem tomou a decisão de avançar com a obra, com que números se avançou e quais as alternativas que existiam. Era o Mínimo…dos mínimos! Saber quem apresentou os cálculos de viabilidade financeira.

À Camara Municipal de Castelo Branco cabe procurar por todos os meios que se passe aí a extraír muitíssimo mais mel, pois só para justificar os 80 000 eur anuais, mesmo a ser simpático teriam de extraír 160 ton para não ser um investimento super ruinoso e passar apenas para questionável.

Vejam a Notícia…, denunciem e quem de direito que investigue!!

A Central Meleira de Castelo Branco, que extrai e embala o produto de vários apicultores da região, esperava processar 50 toneladas de mel este ano, mas não ultrapassou as 20. Ainda assim, diz Odete Gonçalves, presidente da Associação Meltagus, que gere a melaria, “as perdas dos apicultores que recorreram à central foram minimizadas, já que os custos operacionais de todo o processo de extração, embalamento e controlo de qualidade são suportados pela autarquia”. Financiada pela câmara municipal, que este ano investiu mais 80 mil euros num sistema de recolha e purificação de cera, a Central Meleira abriu portas há quatro anos com sete produtores associados e, já este ano, processou 39 lotes de mais de 20 apicultores.

Ler mais em: http://www.cmjornal.pt/sociedade/detalhe/clima-fez-cair-producao-de-mel

É com milhares de investimentos desta qualidade financeira “INJUSTIFICÁVEIS e RUINOSOS” que comprometemos o passado, o Presente…e o FUTURO!!!

Esta é mais uma denúncia de como é fácil gastar o dinheiro alheio, e de como ninguém é responsabilizado por investimentos que no final são um gasto, pois investir requer retorno. Todos os Albicastrenses devem pois saber que anualmente pagam esta fatura e que cada um deles pagou 1,4Eur este ano, quando o mesmo apoio (oferta de extracção) custaria numa melaria convencionada e para a mesma quantidade de mel 0,08centimos…quase 20x menos. Estão a ser roubados sem se aperceberem!!!

 E no Investimento todos (Portugueses e Europeus) fomos Roubados!!

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Formação em Santarém

Em Santarém, na Escola Superior de Agricultura decorrerá a durante 2017

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Aguardamos pela vossa presença!

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A ver a meta…

Estou a ver por estes dias a meta do meu projeto de investimento. Falta pois passar 2 cheques e receber 2as carradas de material…e pronto!

Submeter o fecho do mesmo!

Assim, esta maratona que alguns têm acompanhado desde o início terá ao que indica no mês de Janeiro ou máximo o de Fevereiro o seu último capítulo. Depois espera-se que durante o início de verão sejam atingidos os números suficientes para dar também por encerrado o aumento de efetivo.

Falamos de anos à espera desse momento! De 2013 a 2017 a luta tem sido forte e finalmente entramos na última volta destes 1500m obstáculos que demoram 4 anos a percorrer. Toca o sino…há que reunir as energias que sobram e acelerar para a meta, sabendo que nessa linha de meta não haverá paragem…mas sim o tiro de partida para aquilo que a vida de trabalho durar.

Assim em 2016 foi o 1º ano de contas positivas, pelo que se espera que 2017 dupliquem esse rendimento e que finalmente se sinta o frutificar de todo o planeamento e suor.

Por tudo isto o nervoso miudinho é bastante, o Inverno vai custar a passar. É toda uma jovem família a depender deste fardo e essa responsabilidade que me cabe carregar.

Há ainda a questão sobre até onde se deve crescer?

E por último o sonho de gerar um posto de trabalho a tempo inteiro. 2016 contei com a esporádica e valiosa ajuda do Nuno e do Rui, mas também de bons companheiros e amígos da apicultura…e da minha Tanya. Em 2017 virá o Rúben por algumas semanas…e que se no final os astros estiverem alinhados, seria um dia memorável poder contratar a tempo inteiro um companheiro de trabalho.

As angústias e os planos…o tempo de olhar pela janela as rajadas de nevoeiro, e depois noutras alturas o saír de noite e regressar de noite.

São assim os ritmos de uma atividade diferente…o Coração de uma Exploração Apícola em Crescimento.

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Ao Serviço dos Apicultores!

Hoje mais um passo foi dado para servir os clientes e os apicultores Portugueses e Estrangeiros.

Assim o Agreste vai-se especializando nos materiais que mais ninguém fornece ou que se encontram no mercado a preço exorbitante. Desenvolve-se o produto na àrea em que me formei com o objetivo de o usar na exploração própria e depois de provar ser bom é disponibilizado a todos!

Foi assim no primeiro esboço com os alimentadores internos, é agora com os “Ferrari Amarelos do Agreste” e hoje há um novo produto para vós!

Caixas de Transporte de raínhas Q24.

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Afim de que o envio de raínhas seja mais profissional e cómodo para as abelhas, procurou-se que a ventilação fosse máxima e ao mesmo tempo houvesse garantia da integridade da embalagem e as raínhas estejam o mais protegidas possível do impacte direto da luz solar.

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Assim, de hoje em diante as Q24 estão ao dispôr de todos! Não haverá encomenda mínima. No entanto a personalização com a vossa morada ocorre para números de 250 ou mais unidades.

O preço é bastante bastante baixo, o que até foi uma surpresa positiva, visto que analisei a mesma gama noutros países e foi possível fazer e mesmo disponibilizar a 1/3 do preço!!

Ainda neste post uma outra novidade,

Apartir de Fevereiro de 2017 e por pedido de diversos apicultores começaremos a disponibilizar também colmeias, mas apenas e só as melhores do mercado, não querendo entrar no mercado dos preços baratos mas sim para os apicultores que procuram material de alta qualidade, com telhados forrados a madeira, e todos os mimos que as nossas abelhas merecem.

Talvez em 2017 nasça mesmo a nossa loja apícola.

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Que bem enganas…

Hoje fui espreitar os mini-núcleos e os núcleos.

Não foi preciso abrir, pois o pólen entrava abundante e pela primeira vez já senti o aroma inconfundível do eucalipto. O fluxo vem em crescendo!

Mas aqui é Agreste, e no Agreste é um enorme engano pensar que estas 4 ou 5 horas de trabalho diário das abelhas chegarão para fazer algumas alças de mel.

Assim, é tempo de ir sentindo regularmente o pulso aos enxames, e é tempo de alimentar os mini-núcleos. Mas é sobretudo tempo de estar precavido para um inverno que pode bater com muita força lá mais para diante.

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Para os lados do Litoral Centro e Litoral Norte este deve ser o ano do Eucalipto, pois ao contrário de outros anos as abelhas tiveram tágueda encadeada com muita margoriça e agora com eucalipto que está a abrir na altura certa e com imenso botão miúdo que abrirá já no fim de Inverno. Ou seja, suponho que nessas paragens as abelhas tenham este Inverno uma bela chance de retribuirem e bem aos apicultores.

Por cá, haverá mais uma vez um belo fluxo de Azedas, que este ano será extraordinário, tal a quantidade delas e o seu desenvolvimento que está ligeiramente atrasado. Mas cabe ao Inverno decidir qual o aproveitamento que as abelhas farão. Geralmente redunda em fraco aproveitamento devido ao frio e vento! No entanto as abelhas estão tão glamorosas que se houver boas previsões lá para meio de Dezembro, irei arriscar e colocar umas alças em mais 2 apiários (num já as tenho).

Como apicultor, este início de campanha promete, visto que a varroa está em níveis extraordináriamente baixos fruto do bom maneio, as reservas são adequadas e o nível de cria também. As colmeias estão fortes mas sem criarem zangão e estas chuvadas temperadas com bom tempo permitem às abelhas voar e não acomular mortandade por viroses ou nosemose. A entrada constante de pólen de nespreira e agora também de eucalipto ajuda a uma dieta saudável, que dentro em breve trocará o amarelo das nespreiras com o amarelo das azedas a juntar-se ao branco dos Eucaliptos.

De todos os núcleos de Outono houveram apenas 6 falhas, e os núcleos aceleram agora para que em breve se sentirem com o conforto de uma caixa cheia. Mas tal desenvolvimento valerá muita população e menos reservas. Por isso toda a atenção é pouca! E ao mínimo alarme de que virá uma semana de mau tempo há que carregar a carrinha com uma dezena de caixas de pasta e distribur meio pacote a cada um deles…sem medo das despesas!

 

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Volta a Portugal em Apicultura…Etape de Mirandela!

A Volta a Portugal em Apicultura está de regresso!

Desta vez foi uma longa etape de 20h de viagem que me levou por terras de Transmontanas! Uma enorme aventura em que com o companheiro Milton embarcou também e nos levou por profundos montes e vales, encostas do Douro, e mesmo até 2Km da fronteira com Espanha. Entre um Marão coberto de Branco e Soutos de Castanheiros pintados de cores outonais. Por Olovais sem fim e lindos Socalcos do Douro Vinhateiro.

Foram 1000 Km de Aventura, em modo de trabalho! Foram 19h ao volante e um dia belo e desgastante. Chuva, Neve e Sol!

Também hoje, neste post se inicia uma nova rúbrica, com entrevista a apicultores e empresários apícolas, numa versão nova e mais jornalística para dar a conhecer a todos o nosso setor por dentro. Esta Rúbrica chamar-se-á “5 perguntas a:

Assim, apresento o “Mel Santa Maria” , pertinho de Mirandela, uma empresa apícola cujas condições de trabalho são do melhor que vi.

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Ali, pude conhecer o Dr. Rui Batista, que entrevistei para o Abelhasdoagreste

1 – Mel de Santa Maria…quem é?

R: Empresa recente, desde 2014 para agregar a actividade apícola que até aí era em nome individual desde 2000 afim de enquadrar o aumento das producções, surgindo assim a MSM. A marca Mel de Santa Maria existe há cerca de 22 anos.

2 – Apicultura Transmontana, que presente e que futuro?

R: O Presente é promissor.Quanto ao futuro não sou otimista, por considerar que os pessimistas são optimistas esclarecidos. Vejo muitas pessoas ligadas a esta atividade que na opinião que tenho não têm formação científica a qual é cada vez mais necessária, visto que me recordo de há 22 anos a esta parte de uma apicultura quase sem tratamentos. Essas pessoas sem conhecimentos acabam por prejudicar os verdadeiros profissionais que estão a trabalhar.

3 – O que dizer a quem se inicia na atividade?

R: Como em qualquer atividade as pessoas devem fazê-lo com gosto e não por necessidade, mas isso não chega! é necessário que existam os tais conhecimentos. É uma atividade muito volátil, e hoje podes ter 1000 colmeias…amanhã nenhuma!

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4 – Fragilidades do setor, especialmente em Trás os Montes?

R: Muitas! Para já a Vespa Velutina, havendo inclusivamente já armadilhas colocadas pela direcção geral e pelo município para detecção da evolução e monitorização da chegadas das mesmas, já por mim avistadas regularmente aqui.

5 – Colmeias Espanholas nesta zona? problema ou oportunidade? quantas e onde?

R: São Milhares de colmeias, mas para já mais na zona de Mogadouro, no Nordeste Transmontano. São dedicadas ao pólen e poderão ser um problema se eles continuarem a invadir o território com mais colmeias e mais para o interior.

Houve nesta épica viagem ainda uma passagem pelo Amilcar Morgado em Freineda…mas não havia nem tempo nem energia para mais trabalho bloger!! No entanto prometo da próxima vez colocar nova visita nesta noss “Volta a Portugal”

P.S. – Já dias 10 de Dezembro nova etape!! ligará o Minho ao Alto Alentejo na ADERAVIS

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Literatura!

Hoje venho partilhar convosco alguma literatura que está acessível de forma gratuita. Como é óbvio não é em Português, é em Inglês e temos pois de interpretar com as devidas interpretações de um nosso clima que difere bastante do clima nórdico e mais chuvoso.

Dentro de uns anos espero ter a coragem de adaptar um dos clássicos da alicultura à nossa realidade, e atualizá-lo nos capítulos onde a modernidade assim o exige. Mas enquanto o tempo e sobretudo a coragem ou falta dela não me deixa arrancar com esse projeto que exigiria dias a fio agarrado a caneta e papel (são 700 páginas)…vou disponibilizando o que posso!

Manual_Prático_de_Apicultura_Gratuito_Para_Todos

Assim, têm o serão bem mais entretidos!!

Se no final o sono não chegar, aproveitem!,

Guia_Para_Apicultura_Eficiente

😉

 

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Outros trablhos!

Por estes dias,

Na falta do trabalho de campo, com a chuva a bater na janelas e o barro que enterra o melhor 4×4, é hora de cuidar da máquina para que no próximo ano ter tudo pronto e evitar ao máximo ficar apeado a meia campanha. Bateria…escape…pneus…óleo…água…radiador.

Daqui a dias é levar 20lt de xarope aos mini-núcleos mais atrapalhados.

É ir buscar as caixas especiais de transporte de raínhas

É ir imprimir 1000 rótulos …os meus primeiros!, afim de que quando voltar a haver mel, ter tudo pronto.

É ir cortar estrados de mini-núcleos…

É ir roçar a horta no meio daquela sopa que a chuva provoca.

É ir estudando, preparando, hpra de ler, de reler…

Hora depois de levantar tiras de tratamento e alguma colmeia que se vá suicidando durante o inverno.

E ir hibernando!!!, olhando o calendário 3x por dia a ver se a Primavera está a chegar…vou gastando o calendário de tanto o olhar. Não nasci mesmo pra estes 3 meses de ocaso…

P.S. – Aquele abraço ao meu amigo Edgar, que ontem me presenteou com um belo coelho bravo que apenas tinha gramado 1 bago de chumbo nº6 que parecia um ricohete de uma pedrinha ao só ter furado a costela e um dentinho de podengo que o deve ter agarrado uns bons metros adiante. Hoje passei 2h ao fogão, bebi a garrafa de PêraDoce que a Raquel da BeeRural me havia oferecido…e fiz um maravilhoso arroz de coelho. As saudades que eu tinha disto!!, e o bem que fez à alma. O cheiro, o sabor, a melancolia, o vinho…as saudades. Quem não entende isto é bichinho de gaiola de cimento e não entende que são estes momentos o SPA do homem do Campo.

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Aos novos Apicultores e aos Sonhadores!

Este ano tenho sido abordado por diversos apicultores que começam a atividade.

Assim, resolvi publicar algum do aconselhamento que lhes dou,

1 – Alguns apicultores chegam junto a mim pois querem submeter um PDR2020, uns com experiência e outros sem. Em comum têm muitas vezes o mesmo sonho que eu tive alguns anos atrás. Mas muito poucos conhecem realmente as despesas envolvidas numa apicultura profissional, mesmo uma de baixo custo e não transumente como a minha. E é por estes apicultores que começo, pois é neles que o potencial desastre é maior, pois implica gastarem as economias de uma vida, anos preciosos dessa mesma vida e muitas vezes créditos!!

Assim, se vão fazer um destes projetos com base em dinheiro emprestado…desistam antes de começar. Se o vão fazer com o dinheiro contadinho e à justa, sem uma almofada financeira de pelo menos 20 000Eur e capacidade de sobreviverem 2 anos sem lucros…desistam antes de começar!!

Como devem fazê-lo?

A – É imperioso terem um efetivo construido por voçês, sendo apicultores que tenham conseguido aumento de efetivo em pelo menos 3 anos consecutivos e produzido algo de visível pelo meio.

B – Precisam de pelo menos 50 colmeias já próprias, precisam de depois adquirir 50 bons núcleos (mesmo se mais caros valem bem mais a paena serem bons e bem povoados cedo na Primavera), precisam de ter já garantido o poiso para pelo menos 10 apiários, precisam de estar preparados para imprevistos e viverem bem com “morte” as vezes em escala épica!!

C – Têm de ter a noção de que sozinhos podem tratar umas 350 colmeias e uns 100 núcleos, mas que depois só compensa ter um projeto maior que pague a um trabalhador se passarem o limiar das 550 colmeias e 150 núcleos

D – Mesmo sozinhos as vossas despesas anuais serão de 12 000Eur/ano, sim, 1000Eur por mês (seg social, seguros, carro, contabilidade, fatos, luvas, contabilização de renovação de madeiras e máquinas com desgaste a 10%/ano, tratamentos, alimentação das colmeias, eletricidade, materiais de limpeza e escritório, ajuda na cresta, enfim…)

Contas feitas, vendido a granel são 4 000Kg de mel que têm de produzir apenas para as despesas..ano após ano…todos os anos!

E – Antes do romance se tornar verdadeiro façam as contas bem feitas!!, e só depois dêm asas aos sonhos. Estejam preparados para 3 meses de férias, mas nos 9 meses que restam trabalharem por 15 meses.

2 – Aos que iniciam a atividade e querem ser apicultores em part-time, o mais comum de ocorrer é o impulso de aumentar, aumentar, aumentar (chama-se em calão “tesão do mijo”). Mas depois já têm 50…60…100 colmeias e caem na real de que não sabem produzir, de que nunca tiraram uma colheita a sério de mel, de que já não vendem tudo o que produzem aos vizinhos. Há uma mudança de vida (nasce um filho, aparece uma companheira/o, mudam de trabalho, aparece um novo hobby) e todo aquele investimento esfuma-se!!

Geralmente quando os aconselho a terem cerca de 12 colmeias e 3 a 5 núcleos…abanam com a cabeça a dizer que sim, mas vejo nos seus olhos passarem as imagens de pelo menos 50 colmeias com 10 alças cada uma em cima. E alças em cima das colmeias ficam lindas!! mas tenho aberto imensas colmeias com alças vazias…que quem vê de fora não nota! ou cheias de cria até ao telhado, mas sem mel, ou com abelhas nas alças mas o ninho a fazer de auto-estradas, ou mesmo com realeiras até ao telhado.

Assim, a esses apicultores, que façam 2as lindas bancadas…talvez 3! Comprem 5 belos núcleos e sozinhos os levem até terem as 3 bancadas ocupadas. Depois percam mais um par de anos a aprenderem a produzir, pois esses núcleos proporcionaram um rendimento extra e enxames para substituir colmeias e raínhas problemáticas. E sozinhos entam realmente o que podem 12 colmeias produzir. Enquanto estes 5 anos duram a “tesão do mijo” passa e o apicultor com o seu cantinho de garagem aprendeu o suficiente para tomar decisões de aumento ou manutenção de efetivo de uma forma muito mais consciente, sem ter gasto mundos e fundos, sem ter comprometido nada da sua vida pessoal e dedicando aquele par de horas a cada 15 dias ao seu hobby.

Portanto ao ler este post, evita boa parte dos erros…quase de certeza que ou é este tipo de apicultor ou já o foi!!

3 – Falta aqui o outro tipo de apicultor, o que começou logo a saber tudo, que apanhou enxames a torto e direito, que nao sabe produzir nada e antes do saber deixou morrer boa parte dos enxames…

Parte destes apicultores desiste, outra parte continua a cometer o mesmo erro ano após ano, outros há que vao aprender num curso rápido de 2 ou 3 dias a manter as abelhas vivas e no ano seguinte são já mestres apicultores (segundo eles próprios) e há uma franja deles que eu aprecio muito que são os que realmente entendem a asneira e então decidem ir aprendendo e paulatinamente tornarem-se apicultotores a sério.

 

 

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