Uma realidade diferente.

Há momentos que partilhados desta forma publicitam uma beleza artificial que não é mais do que o espelho de um planeta Humanizado. Defeitos e virtudes que dariam horas de discussão mas que sem dúvida nos mostram uma outra realidade que em nada se parece com a nossa.

A beleza inebriante de uma monocultura que em termos de biodiversidade é um deserto. Sem dúvida uma faca de 2 gumes bem afiada pela civilização Humana.

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Sobre abelhasdoagreste

Jovem, apicultor apaixonado e que comercializa inovação apícola.
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19 respostas a Uma realidade diferente.

  1. Eduardo Gomes diz:

    Belas imagens. À superfície!

    Não vou descer um pouco abaixo da superficie onde vários aspectos e várias perspectivas podem ser analisadas. Os extensos desertos verdes, não é verdade Afonso?!

    Se não estou em erro são imagens de um vasto campo de canola. Parece que se produz um pouco por todo o mundo (sei que se produz em grandes extensões em França, na Alemanha, nos EUA e no Canadá), mas julgo que nunca reparei nela por cá. Uma planta com um imenso potencial nectarífero. Julgo que um dos principais produtos que se tira da canola é o óleo. O néctar esse é bem clarinho ao que parece.

    Faz sentido que o mercado grossista europeu do mel valorize o nosso mel mais escuro. Misturar o mel claro chinês com o mel escuro português deixa de parecer chinês não é? E não é preciso muito mel escuro para a mistura deixar de parecer mel chinês. E para que no rótulo possa aparecer “mel UE e não UE”. O mercado a funcionar e os responsáveis governamentais de olhos bem fechados. Propositadamente!

  2. Neste caso Eduardo nem é bem um deserto, pois ao contrário da vinha ainda produz algo que alimenta pássaros e insectos. Mas é um cenário de incrível falta de biodiversidade apenas lindo aos olhos de um humano.
    Por outro lado o mel desta planta é de boa qualidade (um amigo meu Alemão retira 1 alça/semana durante as 3 semanas que dura), cristaliza muito depressa (por isso ter de ser retirado semanalmente), e é geralmente vendido em creme depois de passar no homogenizador. Neste caso os Chinos retiram-no a cada 2 dias com um extrator manual, mesmo antes de ser selado. Mas como alimentam artificialmente ao mesmo tempo, aquilo é uma mistura manhosa.
    No entanto eles têm abelhas extremamente mansas e bem seleccionadas.
    Mas é inaceitável que cá entre mel produzido em condições como as que vemos, extraído no meio da poeira, misturado e aldrabado depois mais tarde…depois claro que os Chinos precisarão de contorcionismo para algum dia terem boa imagem. Eles por onde passam destróem tudo sem cuidado com a Natureza. Em Angola pude ver isso in-loco nas suas mini-cidades de construtores prisioneiros.

    O que eu gostava de ver era uma aposta na agricultura em que a prioridade fosse para projectos que gerassem mais postos de trabalho/ha ou por input de capital público. Com o 2º critério a ser a biodiversidade e a diversidade de produtos a ser o 3º critério.

    Na vinha (o nosso deserto verde), são precisos 8ha para gerar 1 posto de trabalho directo. Outras àreas agro geram 2postos de trabalho/ha. Uma vinha custa só em plantio 80 000eur para gerar esse posto de trabalho, é de uso intensivo de químicos e horas máquina, é uma planta cujo retorno do investimento é de (8000*0,3)= 2400eur/ha/ano e que o 1º retorno de capital só acontece ao 3º ano. Que além de tudo isto não permite conversão a outra produção se houver queda no valor da uva. O produtor está agarrado à planta durante 15 anos!!

    Mas isto é só a minha cabeça a dizer disparates… 😉

  3. Eduardo Gomes diz:

    Afonso os chineses fazem o que fazem porque têm mercado. Felizmente para eles há consumidores que só olham ao preço. Há também os outros consumidores que, sem quererem, compram gato por lebre. São estes últimos, os que são apanhados nas teias da rotulagem pouco clara, que podem agradecer em grande medida a quem nos (des)governa ao longo dos últimos 30 anos. Caros amigos passem a mensagem por favor: mel rotulado como sendo de origem “UE e não UE”, quer dizer uma coisa muito clara: o mel é maioritariamente de proveniência chinesa. Acerca do controlo de nutrientes, sanitário e outros, as nossas dúvidas são mais do que razoáveis.

    Apenas uma nota para terminar: “os chineses têm abelhas mansas e bem seleccionadas”, são palavras tuas. Parece-me que paras eles é muito fácil dado que não têm abelhas nativas da espécie “mellifera” no seu território. O que fizeram foi ir ao menu europeu e escolher. Para além do mais essa opção por esta ou por aquela raça foi seguramente determinada centralmente pelo governo. Estamos a falar da China, não nos esqueçamos. Ou muito me engano ou não foi cada um a escolher por si.

    E nós em Portugal? Nós temos, no nosso território e há milhões de anos, abelhas nativas melíferas, e muitas, felizmente. Já nem discuto a questão de fundo se sim ou não devemos “substituir” a nossa abelha nativa por outra. Na Suiça, um dos países do eixo avançado na apicultura, segundo a tua opinião, polémicas e até confrontos, têm surgido entre os apicultores “buckfast” e os apicultores defensores da pureza da sua abelha nativa (abelha negra). Mas deixo esta questão para outra altura.

    A minha pergunta, como já perguntei noutra altura, é como fazer. Como vamos nós trocar a nossa abelha por outra de uma forma sustentável? Como? Não pergunto porquê e para quê? Pergunto como? Não nos esqueçamos que o nosso país é um dos que tem das maiores densidades de colmeias por Km quadrado. Aos meus olhos a nossa realidade é esta e dou alguns exemplos que ajudam a compreender melhor o retrato que eu faço dela (se estiver errado façam o favor de me corrigir): eu escolho as abelhas do Kefuss, tu Afonso escolhes as de não sei quem, a Maria gosta delas bem amarelinhas e manda vir de Itália umas linhas cordovan, um maluco qualquer importa, no bolso, dos EUA uma linha africanizada do Texas com caraterísticas VSH. E como pano de fundo, não nos esqueçamos, as nossas meninas iberiensis estão por todo o lado. Eu tenho muita dificuldade em acreditar que serei capaz, ou outro qualquer companheiro, de manter linhas estáveis neste contexto. Parece-me mais que vão ser elas que vão ter que se “entender” nas zonas de congregação dos zângãos. Grande caldeirada imagino eu. Bem uma coisa me tranquiliza: seguramente continuarão a ser abelhas as que dali saírem. Mas só essa. Todas as outras outras questões ainda não encontrei resposta para elas. Como poderia? Sempre trabalhei com as nossas iberiensis. Quem já esteja no “ramo” das estrangeiras há mais de 5 anos que se chegue à frente. Há por aí alguém que tenha posto as mãos na massa?

    Uma coisa estou certo: não vai ser nem simples nem planeado como na China, isso não vai.

  4. Pois Eduardo, não posso comentar a rotulagem, pois por escolha minha decidi vender 99% da minha producção a granel para não ter essa chatice nem ter de pensar nisso tão pouco.

    Quanto às abelhas, axo que a nível Europeu, excepto 3 ou 4 casos vai acontecer cada vez mais como nos USA…cada um ter o que quer.

    A Ibérica só pode ser defendida via investimento nela para a uniformizar um pouco, como tem o Basagar, assim ninguém as precisa de ir buscar fora. E sou grande defensor que isso seja feito. Via estações de fecundação e um PAN capaz!

    Mas enquanto isso não acontece ela vai sofrer um hibridação e se isso tardar muito deixa de existir uma matriz e teremos “mongrel”.
    Por outro lado as mongrel têm uma variabilidade genética incrível, o que em termos de espécie é do melhor!
    Temos cá operadores transumantes de 400+ colmeias a trabalhar com abelhas iguais às minhas, só que caladinhos para ninguém os chatear nas zonas para onde transumam. Em Inglaterra há grande liberdade, e eles continuam a ter abelhas. Na Áustria eles investiram forte na cárnica, mas fora das zonas de fecundação continuam a haver outras. No entanto o programa de selecção está tão avançado e tem tanto sucesso que já são poucos os que têm outras abelhas. Até porque eles incluem na selecção a longevidade, e as raínhas chegam a fazer 3 anos de qualidade (temos de descontar o menor desgaste do clima com pausa grande de inverno).

    No Luxemburgo (que é do tamanho do Algarve) convivem Buckies e Cárnicas, e nunca houve problemas. Mas lá a inseminação é uma realidade para cada associação, existem zonas onde só uma existe e zonas onde só outra existe. Os apicultores é que se entenderam, e bem! Assim dentro de cada zona a fecundação é garantidamente com a mesma estirpe.

    Eu só estou a terminar a conversão das minhas este ano. E posso dizer que em Julho quase garantirei 95% das minhas fecundações com Drones puros ou cruzados, mas meus drones. Daqui a uns 2 anos, quando cada apiário for composto por irmãs apenas, poderei avaliar melhor os resultados. Neste momento o que noto é que a agressividade está a diminuir, muitas colmeias já permitem que as luvas fiquem no carro, e espero que este processo se acentue este ano em que até ao verão todas as raínhas sejam F1. Ou seja, as fecundações que terei em Set/Out já só devem ocorrer com zangãos puros e devem já permitir um resultado próximo do final.

    Infelizmente não sei como se processa na China o controlo do estado sobre a apicultura, mas penso que pelos relatos do Dr. Kefuss e filmes que tenho visto, existe algum grau de liberdade na escolha.

    Resumindo e concluindo “Há sempre quem queira ter algo exótico!”, mas se houver qualidade, só esse louco irá fazer isso. A generalidade optará pelo lógico! No meu caso mudei porque procurei cá (as da minha zona, de Setúbal, de Fafe) e comparei-as com estas aqui no campo…e foi como meter o Ronaldo a jogar de um lado e o Tózeca Pirilau do outro. Em enxames ganhou o Tozeca Pirilau, em tudo o resto ganhou o Ronaldo!

  5. Eduardo Gomes diz:

    Obrigado pela tua resposta Afonso. Como não tenho tido os problemas de enxameação que tu tens tido, como as minhas são produtivas, como estão adaptadas como nenhumas outras ao nosso país (julgo eu), mas como não são resistentes à varroa tenho de ir buscar esta característica onde ela existe. O criador basco quando lhe perguntei se as abelhas dele eram resistentes não me respondeu (!?). Apenas esta característica, a resistência à varroa me interessa, por agora. É verdade que não ganharam nenhuma bola de ouro, mas têm-me dado as alegrias suficientes, para estarem no meu coração. Às minhas falta-lhes apenas a resistência/tolerância à varroa. Só é isso, na minha opinião.

    O pessoal que tu referes, que está a trabalhar já numa dimensão igual à minha (400+), com linhas estrangeiras talvez tenha a resposta à minha pergunta: como evitar a hibridização e a perda de certas características no nosso país, sem ter de estar dependente de um criador estrangeiro para fornecer rainhas todos os anos ou da inseminação instrumental ou de uma técnica conhecida como “acasalamento ao luar”?

    Suponho que possa ser complicado para ti dares essa informação aqui, e se assim for envia-ma por favor para o meu e-mail. Gostaria de falar com eles directamente e se possível for conhecê-los pessoalmente. A minha intenção, que fique bem clara, é perceber como fazem eles para manter as suas linhas com as características estabilizadas, para que eu seguindo os seus passos consiga manter as minhas abelhas com as características resistentes/tolerantes à varroa. Tanto quanto sei só existem 3 caminhos: inundação das zonas de fecundação com os zângãos com as características desejadas (nada garantido como sabemos); inseminação instrumental (dispendioso em todos os sentidos) e acasalamento ao luar (complicado para quem tem de gerir o tempo para 400+ colmeias). Pode ser que alguma coisa me esteja a escapar e por isso nada melhor do que falar com quem já o fez ao longo de vários anos, em Portugal e nas condições que temos. Obrigado pela tua atenção.

  6. Olá Eduardo,

    Penso que as raínhas deles, tanto quanto sei dependem de inseminação e importação regular como eu estou a basear a minha.

    Quanto a nomes, é algo que não posso divulgar nem em público nem em privado. Sei que ali para o Luso estão umas 120 em plena zona controlada, que no alentejo estão ou estiveram outras e que tiveram uma excelente colheita no ano em que isto me foi dito e em que um par de núcleos eu tive nas mãos e confirmei.

    Não sou adepto da fecundação ao luar. Axo difícil que as raínhas ao darem uma “rapidinha” fiquem fecundadas com a mesma qualidade.

    A inseminação não é assim tão cara. Se eu levar os zangãos e as raínhas, já se arranja a 15eur cada. Algo que se suporta bem para meia dúzia delas. E desta forma na minha opinião se conseguem matriarcas péssimas em produtividade e longevidade mas que dão filhas que fecundadas abertamente são fantásticas produtoras e doadoras de zangãos.

    As de ilha importadas, ou de estação de fecundação, já se conseguem por valores simpáticos. Sim, temos de depender deles. Embora já em Portugal haja quem possa fornecer qualidade com algum engenho, nomeadamente através de preservação de ovos de zangão a serem usados mais tarde, quando ninguém tenha zangão. Engenho Tuga!!

    As do Kefuss são de facto tolerantes, mas em termos genéticos não são menos “melting pot” que as minhas buckies. Tem ali sangue de raínhas Chinesas, Cárnicas, etc…

    Aqui não há tradição apícola, as minhas abelhas eram rijinhas (mesmo à varroa), mas de péssima produtividade devido a enxameação tardia (maio/junho).
    As de Fafe e as filhas delas eram más quanto a tudo o que é doença e hegiene, mais fáveis de ir às alças era talvez o seu melhor atributo (14raínhas).
    As (3 raínhas) de Setúbal, só precisavam de meio motivo e 8Q de abelhas para enxamearem, agressivas e difíceis de subir às alças e más contra a varroa (e eram de um apicultor com 170 colmeias e diretor de uma associação).

    Isto é o que acho das minhas antigas abelhas aqui no meu pobre Agreste ventoso.

    As que agora tenho podem ser escolhidas, são caras, estou dependente de terceiros…mas confio nelas como num relógio e nunca nenhuma F1 me deitou um enxame ou sequer o tentou. As costas agradecem.

  7. Eduardo Gomes diz:

    Obrigado Afonso. Acerca do “como” confirmas o que eu já antevia: inseminação instrumental e dependência regular do estrangeiro.

    Tiro duas constatações da tua resposta:
    1) linhas estrangeiras sim, mas só com F1. A pergunta que me fica é esta: como evitar as rainhas de emergência ou supercedure que poderão fazer de uma colmeia, antes governada por uma F1, uma colónia governada por uma mais que duvidosa F2?

    2) com esta necessidade de encomendar matriarcas, criar, fecundar, substituir, inseminar, acasalar ao luar etc, ainda resta tempo ao apicultor com 400+ colmeias para tirar o mel? Ou o seu produto-alvo é sobretudo a criação de enxames e de rainhas para vender aos amadores, que gostam das abelhinhas bem mansinhas, para ter ali perto de casa?

    Outra pergunta para me ajudares no meu plano: inseminasse em Portugal rainhas por 15 €? Está-me a dar ideias. O Kefuss também me arranja zângãos se lhos pedir, creio eu. Como se transportam zângãos sem eles “murcharem”? Achas que podem vir nas jaulas das rainhas? Ou, em alternativa, posso trazer uns capilares com sémen de zângão. Podes dar-me o contacto do inseminador?

    Acerca das abelhas do Kefuss qual é a tua fonte? Já tinha ideia que a base era cárnica, mas sangue chinês nunca tinha ouvido. Bem, estaria a fazer o que fez o irmão Adam há umas décadas atrás, com a integração no seu programa de linhas um pouco de todo o mundo. Sei que o Kefuss teve no seu programa de formação, em Toulouse, apicultores chineses, que ele vendeu rainhas para a China sim, que esteve na China a acompanhar o trabalho lá feito.

    O Kefuss é um homem que se dá a conhecer ao mundo, ao contrário dos vários apicultores portugueses com 400+ colmeias lideradas por rainhas de sangue estrangeiro, que são mais secretos que as tríades chinesas. Até fico a pensar se existem? 120 colmeias numa zona controlada pela associação de que eu sou associado. hummmm. Vamos a ver Afonso, como diz o nosso povo há muitas maneiras de levarmos a água ao nosso moinho. Já me deste uma ajuda! 😉
    Um abraço e bom trabalho Afonso.

  8. Eduardo,
    Nestes dias tenho estado em Tomar. Lá na formação está a esposa do João. Ela contou-me que vão juntos a França e o moço da GoldenBee…assim que eles ponham as Beebox ao preço das de madeira e acrescentem Lusitano ao leque, e vendem 10 mil cada ano.

    Começando pelo zangão, axo que só com capilares. Depois de recolhido dura que se farta se voçês perguntarem à Ingmar Fries como se faz o soro revitalizante de esperma, podem tê-lo 2 semanas ou mais fora de frio. Eles trouxeram de Àfrica o esperma das Monticolas assim. Para voçês bastam 4 capilares de 8 drones cada. 32 drones maduros no total. E durante 7 a 8 anos podem manter via inseminação essa descendencia pura sem necessidade de comprar mais nada.

    Quanto à origem das abelhas, as palavras são dele mesmo. Tem vídeos onde ele diz que parte do sangue das abelhas é de raínhas trazidas da China que depois ele seleccionou pelo Bond Test junto com todas as outras e voltou a vendê-las aos Chineses depois de seleccionadas e misturadas no seu melting-pot. Que a base é Cárnica é simples de entender porquê, devido à pausa de postura e pré selecção feita anteriormente faz com que maior % delas tenham sucesso relativamente a abelhas menos trabalhadas. Tal como facilita que se tenham abelhas mansas.

    Quanto às abelhas lá do seu vizinho apicultor. Se calhar já fecundam ali muita raínha desde há alguns anos, mas como ele faz questão de guardar tudo a 7 chaves, ninguém faz a mais pequena idéia e portanto ninguém se quaixa. Sou amigo dele e quando começei ele não foi capaz sequer de me vender um par de núcleos para eu introduzir as 1as que comprei. Histórias para contar mais tarde…lol

    O João Gomes tem inseminador…falem e usem-no! Queria eu ter um…mas um de qualidade são 6000 mocas, que me permitem comprar raínhas até eu me reformar 😉
    Para o rentabilizar tinha de inseminar 100 por ano ou mais e ter tempo para isso. Muita gente diz mal das inseminadas porque axam que podem vir da noite e ir inseminar raínhas, ou não distinguem esperma maduro de imaturo, ou porque não desinfetam o material como devia. Isto é o que me diz a experiência daquilo que tenho visto. Pois há raínhas bem inseminadas a durarem 2 anos e meio.

    As F2, para quem usa este sistema podem existir, mas em pequena quantidade e tempo muito limitado. Há uma altura no ano em que se armam 3, 4, 5 criadeiras (1a por apiário) e quando as células estão maduras e a primavera já era, se substitui tudo o que é raínha num periodo de menos de 1 mês.Assim, mesmo que 10% das colmeias no decurso do ano substituam naturalmente, sabemos que a maioria dos Drones daquele local eram Buckfast, logo a maior chance é de que essa F2 seja na realidade uma F1 novamente porque a F1 que lhe dá origem foi maioritáriamente fecundada por zangão puro. Por outro lado, mesmo sendo uma F2, terá novamente grande % de drones Buckfast o que induz poluição genética reduzida(50% na raínha e drones dela resultantes e uns 30% em obreiras maioritáriamente filhas de drone puro). Mas passados alguns meses volta a levar a célula real por mim feita, pelo que se garante sempre qualidade e nova raínha a cada ano. Na minha opinião os 2 defeitos das F2 são a maior agressividade e o facto de algumas já enxamearem. Mas não há raínha que as supere em postura e tamanho do ninho. Afinal essa raínha é ela mesma um híbrido, e tem assim um vigor fora do normal.

    Abraço Eduardo

  9. Eduardo Gomes diz:

    “sabemos que a maioria dos Drones daquele local eram Buckfast”

    Onde é esse local no país? Como fazer para que a rainha vá acasalar na zona de congregação onde estão os machos Buckfast? Sabemos que o instinto envia as rainhas para uma zona e os machos para outra zona, para evitar acasalamento com irmãos. Como se justifica a técnica do acasalamento ao luar, se tudo fosse assim simples como dizes que é?

    Em Portugal, sem inseminação instrumental, sem comprar lá fora as F1 ou F0, ou eventualmente num ou outro local muito raros, a grande maioria dos que têm rainhas de cepas estrangeiras e as acasale naturalmente vai ter grandes dissabores e vai provocar grandes dissabores ao vizinhos. Por saberem isso, os tais das 400+colmeias de linhas estrangeiras andam em segredo. Eles estão bem conscientes da poluição genética que estão a causar. Porque andam em segredo?
    Bom trabalho!

  10. Algumas destas perguntas não posso responder por não saber. Sobretudo por não entender o secretismo que envolve o assunto.
    Do acasalamento ao luar simplesmente não gosto, pois as raínhas são obrigadas a uma rapidinha, numa hora fora do que é biológicamente natural e com menor temperatura. Ao encaixar as peças do puzzle parece-me que o farão com menos zangãos, e sem que estes compitam entre si.

    Quanto às zonas de congregação, a minha opinião é de que alguma da teoria não faz sentido. E axo que uma nuvem de dispersão explica muito melhor o fenómeno. Básicamente como os electróes de um àtomo. Concordo sim que a geografia e ventos dominantes têm um papel determinante no percurso maioritáriamente seguido pelos Drones, mas que este não é muito diferente do das raínhas, nem em altitude nem em percurso..

    Mas isso teríamos de passar uma tarde a conversar, e seria bem melhor junto a um vinho do Porto Vintage!! Geralmente ao 4º copo começam a saír importantes conclusões 😉

  11. Bernardino da Silva Gomez diz:

    Olá Afonso.
    Se for para beber esse vintage!, não te esqueças de mim, eu ainda estou para as curvas.
    Quanto ao assunto em conversa, é por estas questões e outras, que vou apostando na nossa abelha. Tenho a mesma opinião do Eduardo, com tanto modernismo e inovações, quem sabe se não estão a criar, ” monstros”, e que tal seja o descalabro ou o fim da apicultura nacional.
    Espero que não. Que tirem ilações do que já aconteceu no estrangeiro. Ex. USA , com o desaparecer das abelhas.

  12. Eduardo Gomes diz:

    Porto Vintage!! Os Srs. só do melhor! E estas depois de se abrirem já não nos resta outra solução… é bebê-la toda para não se estragar. Uma chatice. 😉

  13. Bernardino e Cristóvão, acreditem que também eu axo que a Ibérica seria a solução mais óbvia, fácil e menos dispendiosa. Só que neste momento o trabalho não está feito e tanto eu como muitos outros não temos os recursos para o fazer e não podemos esperar a década que demora a fazê-lo. E enquanto apicultor de producção não tenho outra opção que não seja usar a abelha que menos chatices me dê e mais proveitos me possa trazer.
    A alternativa seria que entidades públicas ou privadas ou preferencialmente ambas pudessem gerar uns postos de trabalho para fazerem consistentemente este trabalho.

    A Cárnica Austríaca é o exemplo a seguir. Passou de uma abelha enxameadora e pouco produtiva para uma abelha não enxameadora e produtiva. Embora eu axe que eles exageram ao levar a selecção ao índex cubital e outras características que poderiam não ser seleccionadas e assim manterem um maior pool genético dentro da raça.

    Mas não há qualquer monstro nisto. O Exemplo Americano prova-o. E uma boa mongrel tb pode ser seleccionada. Em termos de enriquecimento genético nada pode ser melhor.
    Básicamente é entrada de genes, alargamento do pool, e isso nada tem de mau, excepto se quisermos ter um pedigree com características definidas. Algo muito longe de acontecer neste momento.

    O trabalho que o Eduardo vai fazer com as do Kefuss, isso sim é uma mais valia, ao fim de um par de anos que continue a mantê-las sem tratamento será inclusive um benefício para os vizinhos!!

  14. Bernardino da Silva Gomez diz:

    Olá Afonso.
    Não sei qual a diferenças das nossas para as cárnicas, ou outras raças qualquer, dizes que são mais produtivas! dizes que não enxameam! não sei qual é a produtividade dessas, não sei a percentagem de enxameação, o que te digo é que este ano vou com toda a certeza ter colmeias com 60 ou 70 Kg de mel, em apiário fixo, e relativamente a enxameação, penso não passar dos 7 %, o que para mim é motivo para gostar cada vez mais das nossas abelhas. Não quero com isto provocar conflito contigo, como já falei aqui no teu blog, vou apostar mais uns anos nas nossas, mas se não tiver resultados terei que encontrar outros caminhos, eu também mandei vir mestras do Sr kefuss, mas irão ficar longe, deste apiário que estou em experiência.
    Já comentei aqui que estou apostar no maneio e na selecção.
    Abraço Dino

  15. Eduardo Gomes diz:

    Parabéns Dino. Apicultores com colmeias a produzirem 70 Kgs de mel em Portugal merecem o meu aplauso.

    Nos dois últimos anos a percentagem das minhas colmeias que enxamearam rondaram os 10%.
    O apicultor é uma parte importante nesta equação da enxameação. O meu pior ano de enxameação foi em 2010, pois os enxames com que me iniciei na apicultura, comprados em Setembro e Outubro de 2009, estavam fraquinhos, e entre fevereiro e meados de Abril de 2010 alimentei com alimento estimulante cerca de 4 vezes por mês (no total de cerca de 10 vezes). Em meados de Abril tive um dia em que destruí mais de 100 mestreiros de enxameação num apiário em que mais de metade das colmeias estavam para enxamear. Primeira lição aprendida: mais às vezes é menos. Daí em diante só alimento em casos pontuais.

    No segundo e terceiro ano (2011 e 2012) verifico que as colónias com rainhas com 2 anos tendem a enxamear mais que as colónias com rainhas mais novas. Em 2013 e 2014 dividi todas as colmeias com rainhas com 2 anos. Mais uma lição aprendida: a idade não perdoa. Nem a nós nem às abelhas.

    Para concluir, o Afonso fez as suas opções e decidiu seguir outro caminho. Mas estou certo que aceitaremos facilmente, todos nós, que em Portugal há apicultores muito felizes com as nossas danadinhas. Os problemas com que o Afonso se deparou nunca se atravessaram no meu caminho a não ser no primeiro ano, ano em que artificialmente forcei e estiquei demasiado a natureza.

    Somos todos homens com as nossas opiniões, algumas convergentes outras divergentes, mas ainda nos haveremos de sentar todos à volta do Vintage.

  16. Bernardino da Silva Gomez diz:

    Olá Eduardo
    O teu primeiro Problema, eu também o tive, motivo alimentação, também alimentei varias vezes ao mês, com xarope, depois foi tal apanhar enxames. trabalheira, para esquecer.
    Quanto as mestras serem novas ,tenho o cuidado de ver se trocaram de mestra, se não eu troco, este ano deixei duas com mestras velhas para ver o que vai dar, por enquanto não apanharam a febre de enxamear. mas tenho duas colmeias, que por motivos meteorológicos, e esquecimento, não coloquei alça, resultado, quando abri já tinham começado a construir mestreiros, mas como a rainha não tinha posto, resolvi e coloquei uma meia alça com cera nova em cima do ninho, por enquanto perderam a febre, e já vão com a segunda meia alça, quanto aos 60 Kg, tenho varias colmeias que verifiquei no sábado passado que têm três alças de mel, já opérculado, pronto a tirar, e a caminho da quarta, e a explosão primaveril ainda não chegou. o ano que passou nesta altura não tinha colocado nenhuma alça, e de 28 colmeias em Junho tirei 700 Kg
    PS Tenho reparado, que as nossas abelhas não gostam que coloquem alças sobre alças, Gostam mais que coloquemos as alças o mais perto do ninho possível.
    Abraço

  17. Dino eu nunca tive uma colmeia dessas, simplesmente porque nesta zona tal não é possível. O máximo foram 4meias alças. Mas 3 considero uma bela colmeia.
    A enxameação das F1 é de 0% durante os 2 anos que duram(pura e simplesmente não tentam células). A das ibéricas é de 90% ou mais (só não é porque eu as parti assim que têm mestreiros ou indícios). Tenho tido mestras com 2 meses de vida a quererem enxamear em pleno Junho, depois de eu ter retirado a raínha velha, 2Q de cria 1Q de reservas em Abril.
    Sendo que eu não estimulo ou se o faço apenas alimento 3X, a culpa não pode estar aí.
    Está na zona, nas abelhas e talvez em mim…Mas ninho Lusitano desbloqueado, 2 meias alças em qua elas apenas ocupam 1a, raínha nova em plena postura (axo que não falhei maneio)

    Quanto aos 2 anos que me faltam, refiro-me a que só este ano termino a conversão dos apiários da periferia. Como nesta zona 90% das abelhas existentes são minhas, significa que no próximo ano a totalidade ou quase dos zangãos serão meus, e que portanto as raínhas do próximo ano além de puras originarão obreiras quase na sua totalidade Buckfast, com menos de 10% de interferência das locais silvestres. Essas sim, dentro de 3 ou 4 anos estarão tb práticamente Buckfast. Assim espero que no verão de 2016 o resultado seja muito muito próximo do final que ambiciono, sem tentativas de enxameação, com metade ou menos dos maneios e média de 3 meias alças/ colmeia, e com pouca diferença entre os melhores e piores enxames.

    Os meus apiários são pequenos (excepto o de Setúbal que terá 70). O normal é de 25 colmeias pois a zona não dá mais! Axo que apontar para 500 a 800kg/apiário/ano é uma meta razoável assim que as ceras estejam puxadas e tudo instalado. Mas ainda não posso fazer médias, pois preciso de duplicar este ano o efetivo e no próximo ano novamente. E a minha zona é pobre em intensidade de néctar.

    Dino, axo muito bem que puxem pela nossa ibérica, e gostava de um dia poder voltar a ela.

  18. Bernardino da Silva Gomez diz:

    Afonso também tive colmeias, que depois de as mudar de núcleos, passado pouco tempo enxamearam incluindo as que comprei em Espanha, se não me engano já comentei aqui.
    Quanto a alimentação é um dos motivos para a nossa abelha enxamear, e não só , também a altura em que façamos os enxames, a zona e a característica da abelha também.
    eu actualmente tenho colmeias, só com uma ou duas alças, outras que mudaram de mestra , sem alça, mas é como digo estou a apostar no maneio e na selecção, mas na verdade este trabalho não se pode fazer em um ou dois anos, temos que dar tempo ao tempo.
    Espero dentro de seis anos ter resultados, a nível da enxameaçao , da produtividade e da higiene.
    Espero se tudo correr bem ao nível da sanidade, pois espero que as mestras que vierem do Sr kefuss me dêem alguns resultados.
    Quando falas das tuas abelhas, em que a enxameação é zero, fico preocupado, pois essas abelhas estão dependente de ti para procriar, se continuarmos com essa mentalidade em que as abelhas não devem enxamear, um dia destes temos “nós” que ser os pais das abelhas!
    Abraço.

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