Porque é que não vendes o teu mel a frasco?

A pergunta do título deste post é-me feita vezes sem fim.

Mas o verdadeiro e mais próprio motivo que me levou a querer ser produtor a granel é que além de ter o trabalho de enfrascar, rotular e explicar a cada cliente de onde veio e como foi produzido aquele mel…no final querem pagar o mesmo que pagariam por um qualquer mel de 3a.

E como atesta este vídeo, eu não produzo mel cheio de acaricidas, misturado com restos de cria e extraído assim,…nem aceito matar milhões de crias de abelhas para o obter.

Ao querer ser um produtor consciente, teria de cobrar um preço diferenciado pelo meu mel.

Em Portugal as pessoas acham obsceno se lhes pedirem 9Eur por um frasco de mel de 1Kg. Outros não o podem pagar.

E assim, será provável que comam uma falsificação, e que o produto de melhor qualidade termine na mesa de um Alemão ou Francês…ou mesmo seja misturado pelo granelista que o compra com uma dessas bodeguices falsas.

No hipermercado há “mel de cana” que custa 3eur/kg…uma falsificação a que dão o nome de mel, e não é mais do que o açúcar de cana dado às abelhas em quantidades indústriais, e extraído logo em seguida…e assim podem chamar-lhe mel. Uma falsificação que infelizmente é desconhecida ou ignorada por consumidores e retalhistas, bem como pelas autoridades.

Faço assim um apelo para que voçês consumidores se tornem mais conscientes, mais exigentes e obriguem a lei a estar do vosso lado.

É bem preferível isso a que tenham de ser os produtores a baixar o seu standard, pois no meu ponto de vista imagens como estas deveriam se impossíveis de obter.

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Sobre abelhasdoagreste

Jovem, apicultor apaixonado e que comercializa inovação apícola.
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5 respostas a Porque é que não vendes o teu mel a frasco?

  1. Eduardo Gomes diz:

    Das imagens do vídeo ressaltam aos meus olhos duas fortes impressões: o crime de crestar quadros com tanta criação; a mixordia e imundice em que a cresta é realizada. Foi escolhido a dedo Afonso.

    De facto a compra pelo consumidor de mel enfrascado por grandes companhias grossistas fomenta, ainda que indirectamente, este tipo de práticas. Nos sectores do café e do textil, só para dar dois exemplos, o consumidor já está um pouco mais alertado para o custo da procura desenfreada do mais barato. No mercado do mel há que estar atento para os custos existentes a montante pela procura do low cost. O low cost tem custos. O vídeo ilustra alguns.

    No que diz respeito ao maior valor a pagar pelo mel de um produtor consciente, a minha opinião é que no mercado a retalho o produtor deve colocar o seu mel de qualidade num momento inicial a um preço competitivo e moderado, para estimular os clientes a comprá-lo e a degustá-lo. Parece-me o caminho correcto para a fidelização dos consumidores e para a necessária pedagogia dos seus sentidos. Depressa descobrirão que o mel não é todo igual. Que aquele mel não provocou a morte desnecessária de abelhas. Que há mel que é crestado com dignidade e que honra os apicultores e as abelhas. Que há mel com alma. E nesse momento poderão estar dispostos a pagar um pouco mais. Esta tem sido a minha abordagem e não me posso queixar.

  2. Infelizmente a minha gradual e conscienciosa ascensão como produtor de mel (número de colmeias anualmente) não pode ser acompanhadas do mesmo modo com venda de mel a frasco. Concordo plenamente com as vossas duas opiniões, pois na procura da qualidade e do “bem fazer”, o custo aumenta. No entanto tenho de juntar outra barreira: a legislação. O colega Eduardo Gomes sabe bem ao que me refiro. Já estivemos presentes em locais onde houev discussão sobre o tema e tudo continua na mesma, enfim… Dos 500kg passaram para 650kg, mas que grande ajuda 🙂 Passei por cá a dar um olá, pois adorei este post do Afonso. Obrigado pelo Blog, continuo um leitor assíduo…

    Nota: Afonso! Enviei um email a solicitar um esclarecimento. Espero que não leve a mal. Abraço

  3. Eduardo Gomes diz:

    Deixo aqui uma informação e uma reflexão que julgo que poderá interessar a alguns de nós.

    No início desta semana durante uma conversa que tive com os patrões de uma das maiores empresas portuguesas de embalamento de mel e que fornece o grande retalho/grandes superfícies foi referido que um dos maiores grupos portugueses de venda ao retalho estava a exigir a esta empresa que lhe fornecesse sobretudo mel português.

    Mais do que os nomes das empresas em questão (e que são players da liga principal) interessa constatar que finalmente os consumidores estão a “acordar”, estão a procurar e solicitar cada vez mais mel de origem nacional às grandes superfícies, e que estas por sua vez pressionam os seus fornecedores (os grandes embaladores de mel) a adquirirem mel nacional em detrimento de mel importado sabe-se lá de onde.

    Poderei estar muito enganado ou até não, mas a conjugação desta maior procura, os valores de referência do ano passado, na ordem dos 4,10 € Kg na venda a granel, a juntar-se a um ano complicado para muitas regiões do país, em especial as do litoral, fará com que o valor de 2015 possa naturalmente chegar e até ultrapassar os do ano passado.

  4. Olá boa noite a todos,sou apicultor do Alentejo e este ano o preço baixou ainda mais sem explicação,as colmeias grande parte no Norte arderam grande percentagem infelizmente e no Algarve também e os preços vieram por ai abaixo ,sou vendedor de 7 bidons 300 kuilos cada,alguém interessado,contacto 961877042. abraço.

    • Explicação simples Fernando…fábricas a produzirem mel na China e Vietnam, e ainda um rótulo nada transparente que caso fosse carne seria o equivalente a dizer “mistura de costoletas de origem CE e não CE” ou se fosse peixe diria “Cabaz de Sardinha CE e não CE”…ou seja, aldrabam à vontade!! com custo para o consumidor inconsciente e sobretudo para o produtor. Por um lado gastam milhões em apoios aos novos projetos, por outro nada fazem para a qualidade e empenho serem reconhecidas no rótulo e no preço.

      Se o rótulo disser, mel proviniente da China ….comeriam?

      Se o pacote dos cereais disser “Cereal trangénico com sabor a mel de origem Vietnamita”…comprariam?

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