Buckfast – Mito/Realidade

Cada dia que passa e em que vou conhecendo mais e mais da nossa realidade apícola, me deparo com explorações de profissionais, hobbies e outras que estão no entremeio que precisam urgentemente de mudar práticas, mas sobretudo de mudar mentalidades e aprender imenso sobre maneio produtivo.

São dezenas os pedidos que me fazem do tipo “Tem uma abelha dessas Buckfast que me venda?” – Não sei se felizmente ou infelizmente…mas não gosto de me aproveitar e vender a apicultores não informados…Informo-os o melhor que posso.

O que se passa é que esses apicultores têm alguma dificuldade em entender o que é a abelha Buckfast.

A abelha Buckfast não é mais do que um híbrido que resulta da selecção de qualquer raça de abelha ou mesmo de uma mestiça, desde que siga os critérios de selecção que são as linhas mestras e unificadas para todo o Mundo. Há ainda um pedigree definido e que pode por nós ser seguido.

Mas uma abelha Buckfast pode ter origem tanto em abelha Ibérica, como numa Lingústica ou Caucásica…ou qualquer outra! Inclusivamente uma abelha Africanizada, se seleccionada perante este critério durante uma dezena de anos será uma abelha Buckfast.

Assim, o mito de que a abelha buckfast tem a característica X ou Y, que seja de uma vez por todas desmistificado.

Há as que não pausam postura e as que pausam essa postura durande 2meses, mesmo em clima litoral.

Há as claras…e as escuras…

Há linhas mais estáveis e linhagens menos estáveis e mais virís.

A característica que é comum é que todas elas devem ser inertes à enxameação, hegiénicas e com uma avaliação bastante definida e avaliável no tempo!

Mas quanto a todas as outras características, vai depender do criador…da nossa necessidade enquanto apicultor, e da escolha de linhagens que melhor se adaptem à nossa apicultura.

Mas não temos (apicultores comuns) meios de manter essas linhagens, e por isso o comum apicultor tem de adquirir anualmente um par de raínhas. Só pode fazer filhas dessas raínhas e está dependente disso para todo o sempre se quiser ter abelhas uniformes!

Enquanto apicultor consumidor de raínhas seleccionadas, tenho de avaliar o pedigree do que compro antes de o comprar. Avaliar as características depois de adquirir, definir o perfil de abelha que a mim se adequa…e manter.me fiel a isso para todo o sempre! Fazendo experiências exporádicas de outras linhagens e usando para tal um grupo de irmãs. Faço o paralelo com a criação de galinhas…Ao ir comprar uma galinha porque dizem ser muito boa, chego, compro e no final tenho uma poedeira fantástica quando o que queria era uma galinha gorda para cabidela! Ou seja…há que entender o que vou comprar para não fazer asneira da grossa.

Aduirir abelhas de um qualquer website, sem ter confiança no produtor, sem conhecer o seu trabalho e sem depois avaliar essas raínhas com cuidado…básicamente não nos permite usá-las como reprodutoras, pois as suas filhas jamais serão uniformes! – Já paguei algumas a peso de oiro

A única via é:

1 Compro uma abelha muito bem seleccionada (Custam muito papel!!)

2 Uso-a intensivamente como matriarca após a invernar e ver o seu comportamento e arranque (é o mínimo de análise)

3 As suas filhas serão as minhas raínhas de producção que não serão reproduzidas

4 As netas da raínha adquirida já não apresentam uniformidade, por isso devemos trabalhar sempre apenas com as filhas, que serão anualmente substituidas. Pontualmente teremos netas devido a substituição natural em colmeias de producção

5 No ano seguinte uso outra matriarca adquirida no ano anterior…e de linhagem diferente!!!…ou arrisco sériamente consanguinidade.

Espero com este texto desmistificar um bocado as coisas…

Lá por ser “Alta, loira” não quer dizer que seja Sueca!!! pode bem ser apenas uma Imperial fresquinha.  😉

P.S. – Os Enxames de Junho (feitos com apenas 2Q) ganham pujança…e não tarda precisam de espaço… Hoje mais 30 foram para apiário e os que há 10 dias foram para colmeia tinham já mais 2Q puxados. Levaram assim mais 2kg de paparoca e o último quadro.

 

 

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Sobre abelhasdoagreste

Jovem, apicultor apaixonado e que comercializa inovação apícola.
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5 respostas a Buckfast – Mito/Realidade

  1. MIguel Delgado diz:

    Boa Noite, Afonso
    Venho solicitar-lhe se possível uma ajuda, hoje na deslocação ao meu apiário deparei-me com uma situação para mim completamente nova e que me deixou muito preocupado, encontrei no chão em frente à colmeia um monte de abelhas mortas em quase toda a extenção da tábua de voou, sendo que que a colonia está forte com muitas abelhas, com criação em todas as fases e algum alimento não muito, sendo que me encontro a alimenta-las com dois litros de alimento por semana.
    Face ao que encontrei pedia-lhe a sua ajuda na interpretação do que encontrei.
    Atentamente
    MIguel Delgado

    • Miguel, pode ser uma montanha de coisas.
      Elas têm pasto sujeito a químicos?
      Pode ainda ser nosema (pouco provável nesta altura do ano)
      Ou paralesia (vírose bastante comum) associada a níveis de varroa altos.

      Mas o diagnóstico correcto só vendo a colmeia em causa.

      • Ou então fugindo das hipóteses do Afonso (mais relacionadas com medicina), avanço com outras mais “abélhicas”.

        Pode ter sido tentativa de pilhagem, dado o alimento em “excesso”; refiro “excesso” sem nenhuma razão negativa; mais porque para algumas colmeias pode ser tentador o cheiro da colmeia vizinha, devido ao “excesso” de alimento.

        Outra razão, muito menos provável, é a chegada de um pequeno enxame, um pouco fora de tempo, por isso pouco provável; dou esta hipótese porque já assisti ao caso.

        É o que penso sem ver a colmeia como diz o Afonso e bem.

  2. eusebio diz:

    boas Afonso é com estes ensinamentos que nós apicultores temos que seguir para poder ter boas colonias obrigado por ter este tempo disponível

  3. Carlos Marques diz:

    Boa tarde, tenho seguido com interesse o seu blog. A abelha buckfast sempre me suscitou curiosidade, penso ter tido um nucleo com uma hibrida dessas. Agradeço o facto de partilhar as suas experiencias e esclarecimentos. Estava com ideias de ter um apiario de abelhas buckfast, mas honestamente, pelas descrições que fez neste post, parece-me que dão muito mais trabalho e implicam muito maior conhecimento de apicultura para saber escolher e comprar qual o tipo de buckfast que se adapta à minha região. Alem do preço que deve ser muito superior, ou a obrigatoriedade de criar rainhas, etc etc…depois tem as tais linhagens f1 f2 f3 que complica um bocadinho para quem não percebe, pelo que diz são melhores, mas agressivas. Não sei ate que ponto elas são verdadeiramente mais productivas e qual a sua resistencia a doenças como a loque, comparativamente com a iberica. De qualquer forma continuarei a admirar a buckfast, talvez pela cor ou pela mansidão que se ve nos videos, não sei…
    Cumprimentos
    Carlos Marques

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