Vírus nas abelhas. I

Na apicultura a compreensão dos vírus e sua importância nas quebras registadas é hoje em dia algo muito, mas mesmo muito importante e muitíssimo mal compreendido pela generalidade dos apicultores.

Assim resolvi partilhar informação sobre o tema, e irei em cada post abordar 1 dos vírus que se conhece, afim de facilitar a todos os apicultores um diagnóstico mais correto.

Introducção;

O vírus é um organismo microscópico que consiste em material genético (seja ele RNA ou DNA) e que está contido numa cápsula protectora. Assim, e como os vírus não adquirem nutrientes por si próprios, apenas se podem multiplicar dentro de células vivas de um hospedeiro.

A partícula viral penetra a célula e usa essa mesma célula para se replicar, usando para tal os mecanismos de divisão celular da própria célula hospedeira. Este processo continua-se no tempo até à morte da célula ou danificação da sua membrana celular, sendo que é nesse momento que se liberta a grande quantidade de partículas virulentas que estavam no seu interior.

Há que compreender que todas as formas de vida sofrem ataques virais, e que a maioria dos vírus atacam especificamente um tipo/raça/espécie de hospedeiro.

Nas Abelhas

Os vírus apícolas, de uma forma genérica infectam a fase larvar ou de pupa, embora os síntomas sejam muitas vezes óbvios apenas nas abelhas adultas.

Muitos desses vírus obtêm a sua porta de entrada através da comida (polen) ou da própria geleia real produzida pelas amas, e talvez até contidos no ovo e transmitidos por uma raínha doente (transmissão vertical). Mas aqui entra desde algumas décadas atrás um novo vector de contágio que desiquilibrou de forma mais pronunciada as colónias, esse vetor chama-se varroa. Sendo que a varroa os transmite através da sua parte mandibular ao se alimentar da hemolinfa da abelha (transmissão horizontal)

Os vírus das abelhas são muitas vezes partilhados pelas diferentes espécies de abelhas, não se limitando apenas à abelha melífera e mesmo em alguns casos são partilhados com insectos de outras famílias, podendo ter diferentes agressividades consoante a espécie hospedeiro que infecta e a sua capacidade de resposta imunitária.

Durante as atividades das campeiras ocorre muitas vezes a transferência de vírus entre colónias, ao pousarem na mesma flor abelhas de diferentes colónias. Mas são sobretudo as pilhagens de colónias infectadas que causam as maiores infecções.

Devemos ainda entender que muitos vírus se encontram já na colmeia, mas estão de forma latente, esperando apenas a debilitação da mesma por qualquer motivo para se manifestarem e se tornarem evidentes.

Nos Estados Unidos foi feito em 2009 um estudo abrangente em que foram tomadas amostras de mais de 20 estados e um total de 30o’s colónias, e que demonstrou estarem presentes em 80% das colónias tanto o vírus deformador de asas (DWV) como o vírus (BQCV) que torna as células reais de algumas realeiras numa múmia negra.

Termino este primeiro post da série que vou dedivar aos vírús com a nomenclatura de cada vírus, afim de que possa encurtar bastante os textos nos posts que se seguem.

BQCV – Vírus Células reais negras ( moderadamente prevalente em Portugal)

DWV – Vírus de asas deformadas(bastante prevalente em Portugal)

LSV2 – Vírus do lago sinai

ABPV – Vírus de paralesia aguda (bastante prevalente em Portugal)

IAPV – Vírus da paralesia Israeli (bastante prevalente em Portugal)

CBPV – Vírus de Paralesia Crónica (bastante prevalente em Portugal)

KBV – Vírus de Kashmira

SBPV – Vírus de Paralesia Incapaciante

P.S. – Estes termos são todos por mim traduzidos de literatura estrangeira, pelo que se algo na nomenclatura não estiver correcto, as minhas sinceras desculpas!

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Sobre abelhasdoagreste

Jovem, apicultor apaixonado e que comercializa inovação apícola.
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