Advogado do Diabo!

Hoje venho aqui escrever para que se faça um exercício de reflexão entre todos nós.

Como todos entendemos por este Dezembro atípico e com um ano marcado por 7 ondas de calor ( temperatura desviada 6ºC ou mais do padrão durante um período de tempo que julgo ser 6 ou mais dias consecutivos), a nossa apicultura está e irá ficar cada vez mais comprometida se nada for feito.

Mas voçês perguntam…As abelhas estão lindas, porque será que ele diz isto?

R: Porque estes efeitos primaverís vêm fora de tempo, são imprevisíveis e para serem rentáveis precisamos de ter as abelhas fortes logo na entrada dos mesmos e nós os entendermos atempadamente, dando ceras puxadas nas alças.

Assim, acontece que em muitas zonas, estas beneces são antecedidas de períodos de forte escassez, ou então terminam tão abruptamente como começaram e deixam colmeias cheias de gado (por vezes recém enxameadas) e com muitas bocas para alimentar, mas sem nada para colher.

Façamos o seguinte exercício de reflexão,

Imaginemos que agora de repente entra uma frente fria ou 3 semanitas de cupiosa chuva sem parar. O que aconteceria às nossas lindas colmeias que transbordam de cria e gado?

É isso que está a pensar… o mesmo que acontece quando no fim de um mês de março desata a chover sem parar. Rápidamente a cria aberta exigiria proteína, as amas geram essa proteína comendo pão de abelha, e passado 1a semana a 10 dias as reservas esgotariam. Todo o gado adulto comeria hidrato de carbono (mel) e estaria são. Mas as abelhas que nasceriam nas 2as semanas seguintes não teriam proteína sob forma de pão de abelha. As suas reservas corporais seriam baixas, e quando o tempo melhorasse passado 3 semanas, teríamos amas de baixa capacidade, as velhas abelhas entretanto estavam nos últimos dias de vida e nao serviriam de muito. A taxa de criação teria descido para 25%, logo a varroa saltaria do valor atual para 4x mais. Potencialmente aparecem micoses, o Nosema desenvolve-se e o risco de colapso agudiza-se. A melhoria do tempo estimula a raínha que desata a pôr pois o ninho está desbloqueado. As amas de fraca capacidade (precisavam de pólen durante 6 dias e não o tiveram) têm de alimentar muita cria e começam a ser substituidas por abelhas que entretanto nascem cheias de vírus transmitido pela varroa que ficou concentrada.

E daqui até o enxame entrar em colapso…é apenas um pulinho!

É por isso que evitei desbloquear os ninhos, que prefiro invernar em 8Q mesmo as que estão com meias alças, e que fora da zona litoral axo ser uma tonteira os apicultores estarem muito felizes com quadros de cria até à ripa superior, quando penso que deveriam estar apreensivos ao terem 6, 7, 8Q de cria. Eu mesmo estando na fronteira entre litoral e interior, gosto de ver 4Q de cria…mas não mais!

O que podemos fazer para produzir mais?

Esta é uma pergunta retórica que vos deixo, e gostava que me indicassem potenciais soluções. Alterações na forma de produzir e de ter os enxames. Pensem fora da caixa…Pensem no que precisamos de ter para aproveitar estes mimos? E sobretudo para aproveitas as Primaveras cada vez mais curtas…

Agradecem-se as partilhas de idéias e inovações!

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Sobre abelhasdoagreste

Jovem, apicultor apaixonado e que comercializa inovação apícola.
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26 respostas a Advogado do Diabo!

  1. Ricardo Toscano diz:

    Não sendo apicultor penso k precisam de ter um cultivo de plantas com floração em meses diferentes do ano de modo a permitir uma boa alimentação as abelhas o k torna se calhar mais dificil as produções de mel monofloral

  2. Pedro Mendonça diz:

    Ter rainhas fecundadas o mais cedo possível para desdobrar as caixas a abarrotar de abelhas é uma ideia. O problema é tê-las cedo. As rainhas começam agora com o comportamento típico de uma boa primavera: lusitanas com cria desde o ninho até à 2ª e 3ª meia alça. Como isto vai, com tanta abelha, até agora daria para desdobrar e mesmo em Janeiro-Fevereiro seria bom para desdobrar. Menos abelhas por caixa significa menos probabilidade de esgotamento de reservas, ainda para mais se ajudadas com fondant e bifes proteicos nos núcleos, caso não houvesse quadros de reserva suficientes para todos.
    Desdobramentos no cedo não implica não produzir mel de inverno, pelo contrário! Retiram-se é poucos quadros de cada ninho. Ajuda a evitar a enxameação, dá espaço para renovação de ceras e para postura/acumulação de reservas. Vai-se controlando a população com este tipo de desdobramentos.
    A meio de uma primavera normal já está tudo em novos ninhos e prontos a fazer mel no próximo inverno.
    Se a primavera for anormal, com chuva e frio intermináveis, não há população que chegue para iniciar um colapso por falta de reservas porque já foi tudo controlado nos desdobramentos. Mas o principal para isto funcionar: rainhas fecundadas…em portugal só a partir de abril é que se começam a vender estas rainhas…
    Poder-se-ia também controlar a postura das rainhas e isso até ajudaria a eliminar a varroa…mas isso já seria bem mais trabalhoso e menos produtivo…digo eu.

    • Bom dia Afonso!

      Viver com a meteorologia sempre foi o maior desafio da apicultura… com as alterações climáticas a instalar-se entre nós torna o trabalho mais dificil.

      Esta questão que colocaste para mim não tem apenas uma resposta porque para encontrar a solução que se adequa às necessidades de cada um primeiro temos de definir o que queremos mesmo da apicultura, ou seja, dedicamo-nos ao quê? Enxames? Mel? Pólen? ou tudo junto?

      É dificil responder contudo hà algumas coisas que se devem fazer e arrisco a dizer que já deveriam ter sido feitas! Refiro-me ao trabalho de cada um de nós no que diz respeito a conhecer a floração circundante aos apiários e saber reconhecer o estádio de desenvolvimento da mesma de forma a poder preparar os enxames para maximizar a rentabilidade de produção.

      Deve-mos também fazer uma selecção genética e respectiva criação de rainhas, de algumas características que considero preponderantes tais como rapidez de resposta da rainha ao fluxo de néctar e pólen, capacidade de invernar e resistir ao calor e resistência às doenças.

      A isto acho que a alimentação artificial das abelhas é cada vez mais necessária não só do ponto de vista energético mas também proteico, e aqui acho que a qualidade da proteina é ela também um factor decisivo na manutenção e estimulação dos enxames. Preparar os enxames para produzir ou para passar épocas de escassez tem as suas diferenças e os seus riscos.

      A isto acho que só resta juntar uma boa dose de bom senso e prudência na gestão do maneio das colmeias porque rezar ao São Pedro para regular o clima não chega….

      Abraços
      Hugo

  3. Hugo Martins diz:

    Bom dia Afonso!

    Tocaste num tema que permanece tabu para muita gente e sinceramente e me tem preocupado muito nos últimos 3 anos. Para mim esta instabilidade climática (fruto das alterações climáticas que todos os orgãos de poder parecem querer ignorar e esconder) revela o grande desafio do que é verdadeiramente ser apicultor porque ter abelhas é uma coisa e ser apicultor é outra, sendo que no primeiro caso se trata de um hobby e no segundo uma actividade económica que de acordo com a classificação das actividades económicas se encontra bem definida e independente de qualquer área da agricultura apesar de se encontrar no leque da mesma.

    Ora para quem faz da apicultura o seu ganha pão, viver vom a instabilidade climática tornou-se uma realidade cada vez mais dificil, não só pelo stress causado nas abelhas bem como o alterar de tudo o que tinhamos como rotineiro no calendário das estações meterorológicas e pelo qual o trabalho do apicultor se regia. Assim esta realidade traz-nos os desafios que tão bem ilustraste no teu post.

    O que entendo como sendo crucial fazer para que a apicultura não se torne uma actividade insustentável, é o trabalho que já deveria ter sido feito há muito tempo e que passo a enumerar:

    – Selecção e apuramento genético de caracteristicas que permitem às nossas abelhas superar as dificuldades climáticas nomeadamente resistência ao calor, baixo consumo de reservas e rapidez de resposta da rainha ao fluxo de néctar e pólen;
    – Conhecer bem a flora circundante aos apiários para prever os picos de floração e os seus contributos em néctar e pólen (é preciso reconhecer os sinais de quando começa a floração para começar a estimulação das colmeias pelo menos 1 mês antes desta começar por forma a maximizar o aproveitamento desta por parte das abelhas);
    – Apostar no reforço proteico e energético das colmeias em períodos de escassez, havendo para isso um trabalho de preparação que envolve ter sempre em reserva patchs proteicos na arca congeladora e/ou fondant/xarope de glicose ou mesmo de açúcar em alta concentração;
    – União entre os apicultores;
    – União entre associações de Apicultura;
    – Revisão urgente do programa apícola nacional para que o mesmo reflita a realidade e as verdadeiras necessidades da apicultura;
    – Formação profissional em apicultura com prática integrada e noções de gestão de recursos.

    Espero não ter sio demasiado extensivo no comentário mas este tema daria muitos serões de discussão…
    Abraços
    Hugo

  4. Hugo Martins diz:

    Bom dia Afonso!

    Viver com a meteorologia sempre foi o maior desafio da apicultura… com as alterações climáticas a instalar-se entre nós torna o trabalho mais dificil.

    Esta questão que colocaste para mim não tem apenas uma resposta porque para encontrar a solução que se adequa às necessidades de cada um primeiro temos de definir o que queremos mesmo da apicultura, ou seja, dedicamo-nos ao quê? Enxames? Mel? Pólen? ou tudo junto?

    É dificil responder contudo hà algumas coisas que se devem fazer e arrisco a dizer que já deveriam ter sido feitas! Refiro-me ao trabalho de cada um de nós no que diz respeito a conhecer a floração circundante aos apiários e saber reconhecer o estádio de desenvolvimento da mesma de forma a poder preparar os enxames para maximizar a rentabilidade de produção.

    Deve-mos também fazer uma selecção genética e respectiva criação de rainhas, de algumas características que considero preponderantes tais como rapidez de resposta da rainha ao fluxo de néctar e pólen, capacidade de invernar e resistir ao calor e resistência às doenças.

    A isto acho que a alimentação artificial das abelhas é cada vez mais necessária não só do ponto de vista energético mas também proteico, e aqui acho que a qualidade da proteina é ela também um factor decisivo na manutenção e estimulação dos enxames. Preparar os enxames para produzir ou para passar épocas de escassez tem as suas diferenças e os seus riscos.

    A isto acho que só resta juntar uma boa dose de bom senso e prudência na gestão do maneio das colmeias porque rezar ao São Pedro para regular o clima não chega….

    Abraços
    Hugo

  5. Eduardo Gomes diz:

    Oh Afonso então o pessoal todo satisfeito com o ritmo de enchimento das alças meleiras e a força dos enxames e tu vens falar de nuvens negras no horizonte? : ) Brincadeira minha!

    Agora mais a sério. Ontem um amigo do norte, que me comprou uns 40 enxames no passado, enviou-me uma foto das suas colmeias, com uma colmeia no centro da foto com 6 meias-alças em cima e muitas das restantes com 3 e 4 meias-alças. Por este andar os bidons vão ter grande procura este inverno e o mel vamos a ver a que preço se irá vender. Isto para dizer que no litoral centro e norte há colmeias com muita, muita força.

    E se vierem nuvens negras no horizonte? Que cenário? Sabemos que todas as colmeias dignas desse nome fazem reservas não só de néctar mas também de pólen/pão de abelha. Sabemos que as rainhas ibéricas ajustam rapidamente a postura à entrada de pólen e néctar, mas sobretudo de pólen. Sabemos que as reservas de pólen são sobretudo necessárias no estado larvar, que se desenvolve ao longo de 5 a 6 dias. Tendo reservas de pólen para estes dias, e mais alguns, tudo se passará muito bem, creio eu. Que colmeias ibéricas não têm este volume de reservas de pólen depois de 3 meses a trabalhar em força no exterior (Outubro, Novembro, Dezembro) no pólen do eucalipto, tojo e outros? As minhas têm. Outras de estirpe estrangeira como será? E qual o efeito de se ter estimulado excessivamente as colmeias nestes 3 meses com xarope a ser ministrado e sem correspondência com a entrada de pólen?

    Pensando fora da caixa, acho que a solução está em não pensar sempre fora da da caixa. Para quem ainda não entendeu, a solução está em conhecer e adequar o maneio às “manias” das abelhas sejam elas amarelas, cinzentas, laranjas, negras… com que se está a trabalhar. As minhas negras não me suscitam qualquer dúvida a este respeito. Como não as puxei com alimento estimulante, a correspondência entre o nectar entrado na colmeia e o pólen entrado na colmeia está equilibrado. Elas sabem bem fazer estas contas, penso eu.

    Relativamente à varroa, assino por debaixo as tuas preocupações. Como tal, antecipei 2 meses os tratamentos com Apivar nas minhas colmeias no litoral. Com o dobro da criação normal para a época, mais condições para as varroas se reproduzirem não é assim? E se há uma diminuição da postura? Resultado: taxas elevada de varroa para a criação disponível e carga viral perigosa. Coloquei as tiras no início de Dezembro. E conto deixar as tiras 10 a 12 semanas e não apenas 6. Porque me apetece? Não, porque há investigação científica que preconiza este alargamento do prazo. E o mel não ficará contaminado? Não tenho a colmeias preparadas para produzirem mel mas para produzirem enxames. Tenho colocado sobreninhos/alças e não meias-alças.

    Pensando fora da caixa para esta questão… sim muito fora da caixa. Será que o mel ficará assim tão contaminado pelo amitraz se estiver disperso por 50 a 60 mil abelhas e com uma boa parte das abelhas colectoras a circularem sobretudo no exterior? Desconfio que não. Mas se alguém possuir dados confiáveis e verificáveis que não sejam do tipo “ecoparanoico” que os apresente.

    Bom artigo Afonso, como habitualmente.

  6. Vou tentar responder a todos de uma assentada!
    1º agradeço o facto de participarem nesta discussão, pois é a debater estes pontos que podemos melhorar.
    Sendo cada zona uma zona diferente,
    Vim há dias de Braga/Porto, zona de abundante Eucalipto. A ideia com que fiquei é que alguns apicultores vão produzir mel, mas a maioria sonha apenas repôr o efetivo após os ataques da velutina, e que os enxames entraram tão mal o outono, que muitos estão agora a recuperar o facto de terem chegado a 3/4Q de abelhas.
    Por Leiria andam nas 2as meias alças (pelo menos um apicultor amigo que tem lá 200)
    Ou seja, o Hugo falou abertamente de todos os cuidados de forma genérica, o Eduardo sobre o controlo de varroa (que é bem mais fácil quando não se tenciona produzir mel de inverno).
    Numa coisa não concordo com o Eduardo, é que não são as larvas apenas a necessitar de proteína…são todas as abelhas que nascem, e durante 6 dias da sua vida. Portanto para toda uma geração nascer saudável temos de ter reservas para 21 dias + 6dias + 30% afim de evitar a “fome crónica”. Por outro lado sabemos que cada abelha que nasce come 1 equivalente de pólen, ou seja, a 7Q de cria teríamos de ter + de 7Q de pólen. Com sorte um bom enxame tem 3 (10 dias de reserva). É por isso que morrem muitos enxames a plena expansão primaveril se houver um longo periodo de escassez, pois as raínhas travam ou aceleram postura em resposta e não em antecipação.
    Não discuto raças de abelha neste tema, pois acho que seria demasiadamente disperso o tema, mesmo sabendo que tanto o Hugo como o Pedro tiveram já contacto com elas, amarelas ou tipo C (pelo menos quando me visitam).
    Ricardo, será a apicultores difícil semearem a extensão necessária, mas sim mais fazível semear para a escassez e transumar a essas zonas.

    Quando falo em maneio fora da caixa, é pensar em maneio que permita rentabilizar estas abundâncias momentaneas e materializar em produtos da colmeia e aumento de efetivo??

    Estou a tentar levar aí o tema, pois um país mais seco e de clima mais agreste que o nosso conseguiu triplicar produtividade…será que queremos mudar de vida?

    Na minha óptica formação há, mas maneio moderno a ser estimulado não vejo muito. E maneio moderno não é alimento! É plano de atividades anual e mudar toda a perspectiva de abordagem à colmeia, deixando de pensar na colmeia e começando a pensar numa unidade produtiva…

  7. Eduardo Gomes diz:

    Boa noite Afonso e restantes companheiros
    Não pretendo entrar numa batalha de números, mas rainhas sensíveis à escassez de néctares e principalmente pólen abrandam ou até param a postura. As ibéricas são umas máquinas bem calibradas a este respeito. O pólen deixa de entrar e temos uma rainha em férias.

    Numa época de clima instável o perigo pode vir do próprio apicultor. Pode alimentar em excesso ou fora do timing adequado, causando mais prejuízo à colmeia que benefício. Neste aspecto acompanho a Rusty que sabe muito mais que eu e ainda que em inglês deixa uma ideia bem-clara do porquê não utilizar substitutos de pólen:
    “But sometimes a ready supply of honey in the presence of pollen substitute will stimulate brood production. If this happens too early, your bees may eat through their food reserves and starve in early spring. The lesson here is that you need to keep a careful watch on stores if you stimulate brood rearing ahead of schedule. Remember, the closer you get to spring, the faster the food stores are consumed. Just when they have the least, they need the most.” fonte http://www.honeybeesuite.com/should-i-feed-pollen-substitute-to-my-bees/

    Mas como em tudo o mais, neste assunto há mais opiniões que apicultores, e a apicultura é sempre local. Eu nunca tive necessidade de utilizar até agora substitutos de pólen. Outros há que sem eles não passam ano após ano.

  8. Nisso tenho opinião bastante diferente, Eduardo.
    Axo que os Ensinamentos Nórdicos no que toca a Inverno são pouco úteis cá. Os motivos são os longos invernos deles. Aqui por exemplo este ano ainda não houve inverno nenhum. O consumo das nossas abelhas também é muito mais elevado, pois as temperaturas francamente positivas e a nossa velocidade média do ar fazem com que seja necessário maior consumo de reservas diárias.

    Na minha opinião, cada vez mais as primaveras serão curtas, os invernos terão tendeência a chegar tarde e os outonos serão longos e pouco previsíveis no que toca a chuva.

    Assim acho muito importante ter sempre as colónias tão cheias quanto possível de abelhas ao longo de todo o ano, sem que estejam no entanto prontas a enxamear. Mas que estejam capazes de em 1 ciclo de cria estarem na meia alça a fazer o que devem nas meias alças…mel!

    Também não concordo nada que as Ibéricas sejam explosivas. Na minha opinião são enxameadoras, pois aqui enxameiam fácilmente 2 a 3x no ano se o mesmo lhes vier ao jeito.
    Na minha opinião uma colmeia é explosiva se passar de ausência de cria a 7, 8Q dela em 3ciclos de cria (como fazem as Carniolas). Passar de 4Q de cria para 7 ou 8 quando estimuladas é um comportamento que considero normal.

    Na explicação sobre as meias alças, concordo plenamente, e se tivermos cera puxada suficiente, esse é o método a fazer. No entanto o apicultor tende à preguiça, e isso custa tempo.É por isso que muitos fogem de mexer em ninhos e meias alças já pesadas.
    Uma excluidora pode ajudar bastante também se for bem usada.

    Quanto a não quereres mais de 4Q de cria 1 mês antes do fluxo, é na minha opinião um erro grande. Pois teres 6 ou 7, significaria mais 10 000 campeiras a trabalhar no fluxo, visto que essa cria de 1 mês antes serão as campeiras durante o fluxo. Ideal seria durante a parte final do fluxo ter pouca cria, que seriam poucas bocas a alimentar. Mas isto acarreta dificuldades no maneio. Tal pode ser francamente melhorado com uma realeira inserida na zona quente de uma meia alça durante o pico do fluxo (realeira mesmo à bica de nascer). Se ela nascer bem, substitui a outra e faz uma pausa de postura traduzida em mel. Maneio simples e muito eficaz!

    Serve também para seleccionares todo o gado que não serve por ser enxameador.
    A minha opinião é de que todo o gado que enxameia não me serve! Pois todo este trabalho adicional de movimento das meias alças é evitado se elas forem escolhidas a dedo, bastando 2 maneios de ninho toda a Primavera. Talvez na Guarda seja ligeiramente diferente devido ao fluxo curto e concentrado.

    Fartei-me de correr atrás de enxames. E mesmo aumentando sempre muito os efetivos, assim que elas metem na cabeça que é para saír, nada as pára! Ao 1º ovo posto na realeira, só restava procurar a raínha e nuclear ou matá-la. Este foi o 1º ano em que isso não se passou. Daí axar que não reside em tanto maneio de alça a solução, mas na escolha do gado que resiste a este impulso ou que não tem este comportamento mas se mantém a produzir acima da média.

    • Eduardo Gomes diz:

      Afonso a nossa querida amiga Rusty está a referir uma coisa que me parece universal e muito útil para todos nós, mesmo em latitudes mais amenas: estimular com substituto de pólen leva em geral a um aumento artificial/anormal da criação. Se esta estimulação for demasiado precoce pode levar a um rápido esgotamento das reservas e à morte da colónia por fome na entrada de primavera. Não me parece que as recomendações da Rusty estejam longe dos receios que tu referes no teu post inicial.

      Relativamente a como serão as primaveras, verões, outonos e invernos daqui para a frente não me atrevo a concordar ou discordar contigo. A verdade é que pura e simplesmente não sei.

      Colmeias cheias ao longo de todo o ano, sem alimentação artificial é impossível. Não desejo ter colmeias cheias de gado em Coimbra em pleno junho, julho e agosto quando não há campo, e à custa de muitos euros gastos em suplementos alimentares. Não desejo ter colmeias cheias de gado em pleno Novembro, dezembro e Janeiro na Beira Alta, quando não há campo, e à custa de muitos euros gastos em suplementos alimentares. Não estou a ver qual é o meu ganho.

      Relativamente às ibéricas julgo que podemos concordar numa coisa: as minhas ibéricas são explosivas, as tuas ibéricas são enxameadoras. Analiso o teu exemplo das carniolas como o exemplo que tu dás de abelhas explosivas: em 3 ciclos de criação passam de 0 quadros de criação a 7 ou 8. 3 ciclos de criação são 3×21 dias, isto é em 2 meses. As minhas fazem isso claramente na Beira Alta. Com pouca ou nenhuma criação nos finais de janeiro chegam a finais de março com 7 e 8 Q de criação.

      Relativamente aos 4 quadros de criação é uma experiência que vou fazer com 30 ou 40 colmeias para ver como corre. Está relacionado com o ponto anterior. Uma colmeia com 4 quadros de criação tem de ter pelo menos 6 quadros de abelhas. Sendo as minhas abelhas explosivas, num mês, com 1 ciclo e meio de criação, passam de 12 000 abelhas a cerca de 30 000 abelhas à entrada do fluxo. O fluxo dura cerca de 3 semanas, tempo para mais um ciclo completo de criação, e passam para 60 000 abelhas. 60 000 abelhas garantem ao apicultor cerca de 25 a 35 Kg de mel para ele (lei de Farrar). No final deste primeiro fluxo inicia-se logo outro, o que não é de desprezar no meu caso. Mesmo que a natureza seja um pouco menos generosa, e sabendo que as abelhas não lêem os mesmo livros que os apicultores, acho que vale a pena ensaiar esta estratégia, não como controlo da enxameação mas como prevenção da enxameação.

      A colocação da realeira, numa altura de fluxo, inserida na meia-alça, é um procedimento que já discuti no beesource no ano passado e parece-me realmente muito prometedor. Há no entanto que ficar atento porque se falharem 20 % das fecundações, quer dizer que em 500 colmeias, há que arranjar 100 colmeias. Não há bela sem senão.

      Para as minhas colmeias na Guarda o fluxo não é curto. Ou melhor, como se seguem dois fluxos, eles são intensos e prolongam-se por 4 meses.

      Umas Boas Festas!

  9. Eduardo diz:

    Boas!! Eu sinceramente, aki no norte ñ sinto mt as alterações climaticas! Ñ esta tão frio como em outros anos, mas as abelhas ja estão paradas a mt tempo! Alias ha dias como hj em k elas nem saem da colmeia apesar de haver alguns eucaliptos em flor! Alguns dias qd esta mais ameno (como este fim de semana) até tive sorte pk tinha alguns enxames com mt varroa, mas ja estão lindos com abelhas novas ja com asas!!! Aki msm qd não chove mt aki no norte a primavera é boa, mas isto depende mt de zona para zona, da geografia do terreno!!!

  10. Boa noite!

    Eduardo não sei se nos conhecemos pessoalmente mas deixa-me dizer que concordo contigo em vários aspectos do que já disseste principalmente acerca da da primavera variar muito de zona para zona. Para ilustrar quão pode variar em pouca distância, eu sou da zona de ponte de sor, que este ano a primavera foi favorável e consegui retirar das colmeias aquilo que considero um ano médio. Já em avis que fica a mais ou menos 30 km a primavera foi muito má e seca. A única diferença que existe entre as duas terras é que na minha zona os terrenos são arenosos e a flora adianta 15 dias em relação aos terrenos argilosos de avis. Foi o suficiente para o rosmaninho beber as poucas gotas de chuva do mês de abril e permitir um bom fluxo de néctar.

    Na minha opinião as alterações climáticas já se estão a fazer sentir e muito na minha terra. Onde consigo ver melhor é na falta de chuva e nas temperaturas de verão que este ano do meio de junho até finais de setembro foram apenas 2 ou 3 dias que não tocaram acima dos 37º. As nossas abelhas (ibéricas) são resistentes lá isso é verdade, mas estão a ser submetidas a condições extremas e as floradas estão a ser cada vez mais curtas e intensas, o que leva a que as rainhas mesmo muito rápidas na adequação da postura ao fluxo de pólen e néctar chegam sempre atrasadas ao pico de fluxo se não forem empurradas por nós antecipadamente. Considero-as explosivas na postura também mas também muito enxameadoras o que aliás me leva a crer que existe aqui um comportamento bastante semelhante ao das intermissas do norte de áfrica. Não estou a defender raças mas a verdade é que precisamos de ter abelhas que se adequam aos nossos maneios e sinceramente também já me fartei de correr atrás de enxames.

    Apesar de não fazer criação de rainhas (confesso que por falta de tempo) faço selecção rigorosa nos desdobramentos que faço. Não aproveito nada das colmeias que tentam enxamear mais cedo e com isto em 10 anos o que consegui foi atrasar o instinto de enxameação em mais de uma semana em relação ao pico de floração, o que me permitiu aumentar significativamente as produções médias e ter maior controlo na gestão das colmeias.

    Eduardo a verdade é que apicultura não é uma ciência exacta e cada um tem de gerir o seu maneio de acordo com o que pretende. Para mim apicultura moderna não implica necessariamente utilizar técnicas novas ou materiais diferentes dos que temos, mas sim interpretar bem os sinais que as abelhas nos dão e o meio envolvente. Isto só se aprende com o tempo e sinceramente estamos a viver tempos de mudança rápida e hostil para as abelhas.

    • Eduardo Gomes diz:

      Olá Hugo!
      Tenho gente amiga em Ponte de Sor. O rosmaninho não precisa de muita água com antecedência. Nada melhor que ir chovendo um pouco hoje e outro pouco depois de amanhã. Como dizes mesmo pouca água poderá chegar às suas raízes que são superficiais se os terrenos não forem impermeáveis. Nas minhas zonas são terrenos também muito absorventes, constituídos pelo areão do granito e não são nada argilosos.

      Se não me engano foi o Dadant que referiu que se só pudesse fazer uma pergunta acerca das abelhas a que faria seria “como se previne a enxameação”? O Dadant não trabalhava com ibéricas, mas ainda assim, a sua maior preocupação era prevenir a enxameação. Hugo como já referi anteriormente, espero francamente que o Afonso, tu, e outros, onde já me incluo, porque já tenho filhas da 286 do Afonso, tenhamos encontrado a solução para a questão do Dadant. Digo espero, porque eu só em 2016 vou poder testar as rainhas desta estirpe. O Afonso ainda não percebi se quando as arrefeceu lhes tirou 2 quadros de criação e dois de mel ou 4 quadros de criação? Se as tinhas a produzir novas colónias ou a produzir mel. As minhas se estão a produzir novas colónias também não enxameiam. Só enxameiam, e só algumas, se estão em pleno a produzir mel.

      Creio que compreendo a opção de fundo que tu tens e que o Afonso tem. Querem uma raça de abelha que esteja sempre a cobrir 8 a 10 Q de abelhas de um ninho, que com um ciclo apenas de criação (21 dias) chegue rapidamente ás 50 000, ou 60 000 abelhas, que não decidam mudar de casa, e que trabalhem a fundo um fluxo por pequeno e curto que seja. Têm todo o direito de correr atrás do vosso sonho. Mas deixa-me colocar estas questões: nas vossas zonas não há períodos de escassez? Não há períodos em que não há campo? Como pensam controlar os gastos energéticos de uma colmeia com 20 000 a 30 000 abelhas nos períodos de escassez? Deixam muito mel nas meias alças? Alimentam artificialmente? E o pólen? Substitutos? Não vejo nada mal nisso, apenas alguns riscos. Para uma operação de 500+ colmeias quais são os gastos/ano que calculam?
      Obrigado pelos esclarecimentos. Boas Festas!

      • afonso diz:

        Oi a ambos!

        O Natal Chegou! Feliz Natal a ambos!

        Quanto a abelhas, sim, quero que cubrm mesmo na escassez 7 ou 8 Q.
        Sim, quero que estejam prontas num ciclo de cria.

        Das cerca de 20 e picos que deixei a produzir este ano, a media foi de 12kg apenas devido ao Maio muito mau.

        Mas aqui so ha escassez e apenas de nectar em Agosto e muitas x de polen e nectar em Novembro.

        O Custo associado e de 1500eur em alimento por ano…talvez mais, mas que fica todo recuperado na 1a semana de captacao de polen cujas colmeias estao prontas logo na entrada de marco. Preciso de aproveitar o fluxo de setembro tamem e alem de produzir polen, ser capaz de nesses 40 dias produzir 1 enxme por cda 2 colmeias e com sorte uma meia alca se o ano for como este (7 ou 8kg de mel de uvas e figos)

        Retiro sempre apenas 2q de cada colmeia, 1 tijolo e 1 de cria, 2x na Primavera se a colmeia esta para mel. Aqui tenho fluxo de nectar de Dez a Jul e o de polen ate agosto. massempre fluxo fraco.

        Prefiro no que toca a maneio referir que os nordicos invernam 7kg de abelhas, e que nos devemos tentar ter sempre as abelhas prontas. Nao creio que a solucao seja alimento em grande quantidade, mas passasem duvida por alimento.

        Peco a ambos que experimentem no fluxo de outono meter um sobreninho de cera puxada por baixo do ninho que a rainha trabalha. Quando o fluxo termina, reverter e ficando este ninho por cima no inverno. Seria giro comparar com os meus resultados.

  11. Eduardo diz:

    Boa noite hugo! Ñ nos conhecemos pessoalmente, mas nunca se sabe! Apenas tenho abelhas a 2 anos! Tb ñ crio rainhas mas este ano vou começar a criar,pk acho que é essencial! Mas vamos ao que interessa, eu tenho as colmeias nas encostas do douro (perto do peso da regua) estão viradas numa posição entre nascente e sul, mas basta andar 200m e tenho encostas viradas a norte com urze branca… E a seguir a encostas ha ribeiros replectos de castanheiros bravos, e mts silvas!!! Mas basta andar 7km até ao peso da regua, e td muda completamente!!! Ja ñ ha mesma flora mas mais importante os terrenos são mais secos, com encostas viradas todas para sul!!

  12. Eduardo Gomes diz:

    Obrigado pelos esclarecimentos Afonso.
    A tua opção, ter ninhos com abelhas e criação a um ciclo de distância de se tornarem fábricas de fazer mel, agora faz mais sentido para mim, dadas as tuas principais condicionantes ambientais: período de escassez de cerca de um mês. Gastas 3 € por colmeia para as manteres a topo durante esse mês.

    Em Coimbra e na Guarda são pelo menos 3 meses de deserto. Seria necessário investir cerca de 10 €/colmeia em alimentação e mais alguns custos associados para conseguir esse objectivo. No total seriam necessários 5000€/ano ou mesmo mais. Dadas as minhas circunstâncias julgo que não viria a recuperá-los. Explico mais detalhdamente: na Guarda uma colmeia com reservas de mel no ninho começa a sua expansão no início de Fevereiro com o primeiro fluxo de pólen importante. De cinco Q de abelhas à entrada de fevereiro, está a rebentar de abelhas no ninho no final de março. O primeiro fluxo de néctar digno desse nome inicia-se em meados de Abril. As colmeias estão a topo nesse momento. E alimentei apenas as mais leves. Gasto poucas centenas de euros e atinjo os mesmos objectivos. Poderia dizer exactamente o mesmo para Coimbra, mudando apenas as datas no calendário.

    As soluções deverão ser locais, casuísticas e contingências. A apicultura é o local!

    Nota final: este ano estou a alimentar pela primeira vez de forma massiva as colmeia da Guarda, pois o ritmo de consumo das suas reservas está a ser maior que o habitual, dado o outono muito atípico. Será que o próximo outono-inverno será como o deste ano? Não sei! Acredito que se está a verificar uma tendência para o aquecimento. Mas é apenas isso, uma tendência. E apesar desta tendência o próximo outono-inverno poderá ser extremamente chuvoso e/ou frio.

    Temos tempos desafiantes pela frente! Um abraço!

  13. Boa tarde Eduardo!

    Fizeste perguntas muito precisas e concretas e para as quais tenho uma resposta simples.

    Na minha terra só há um período bom de fluxo de néctar e é na floração do rosmaninho (sensivelmente vai do meio de abril ao meio de maio). Fora disto tudo o resto está bastante condicionado de acordo com a chuva que cair. O verão é o meu maior inimigo sendo a única altura do ano em que as minhas rainhas fazem a diapausa. Quando não o fazem (em regra as rainhas fecundadas já tarde na primavera) costuma ser um enxame perdido no inicio do outono se não fizer nada por elas, porque limpam completamente um ninho de reservas (pólen e mel).

    Este ano o que optei por fazer e me deu bastantes resultados positivos foi a meio do fluxo do rosmaninho retirar a rainha das colmeias que não tentaram enxamear e deixei-as bloquear completamente o ninho com reservas. Não desbloqueei ninhos e a rainha nova apenas fez postura onde tinha espaço. O efeito prático foi que deu tempo à colmeia de começar a reduzir população praticamente no final do fluxo de néctar e evitou-me ter uma rainha a por que nem uma desalmada. Assim consegui equilibrar a balança energética da colmeia à entrada do verão.

    Não é do meu interesse ter um elevado número de abelhas dentro da colmeia a passar o verão, mas já tudo muda de figura quando entra o outono. No início de Setembro a tágueda floresce e independentemente de chover ou não eu começo a estimular a postura da rainha com alimentação artificial porque no inverno apesar do néctar existente não ser muito dá para ir mantendo as colmeias. O fornecimento do polen está garantido durante o inverno pela floração circundante. É nesta altura que eu quero ter um ninho cheio de abelhas (uso ninhos reversíveis sem sobre-ninho) porque considero que para um enxame sobreviver ao inverno necessita de uma certa dimensão critica que na minha opinião corresponde ao volume de um ninho reversível completamente cheio.

    Com isto também as minhas estimativas apontam para um gasto médio de 10 euros por colmeia só em alimentação, mas a verdade é que me tem compensado este gasto extra porque pensando em números e no valor actual de um enxame facilmente percebemos que a perda de um enxame equivale a alimentar 10 outros. E sinceramente Eduardo quantos enxames já salvaste com alimentação artificial? Para mim as contas não se fazem apenas com os gastos, há que equilibrar com os ganhos. Só assim se consegue perceber se a actividade está a ser rentável. Mas mais uma vez os fins justificam os meios e cada um tem de adaptar o seu maneio à sua realidade.

    Abraços
    Hugo

    • afonso diz:

      Hugo, esta tua abordagem paece ser quanto a mim a melhor. Eu tambem gosto da mesma e so nao a aplico em Setubal e Alcochete pois nao vou ter tempo de procurar as rainhas. Dai ir ser o apiario de Setubal o meu transumante. Mas acho que seria bastante eficaz tirar a rainha velha em Maio e inserir uma nova, bloqueando o ninho com 5lt de xrope denso enquanto elas libertam a nova.

      Axo 10eur um valor razoavel a gastar em alimentacao e nao tenho qualquer problema em gstar essa verba ou mais, se for investimento.

      No meu caso um enxame que entra 1a semana de setembro logo com 4Q de cria rende 60g de polen por dia ao inves de comecar em 35g, faz zangao logo na 2a semana e dia 25 esta pronto a doar 2Q (1 tijolo e 1 de cria), podendo a 15 de outubro ser regredido aos 8Q em que os inverno (pois os 2 lateris nao servem de nada se estiver frio, visto as abelhas nao chegarem a eles) e nessa altura doar mais 3Q. Assim esse alimento dado em Agosto e que me custou 2eur esta convertido em mais 300gr de polen ou mais e 3Q extra que se podem tirar. Ou seja, de cada 2 enxmes fortes sai um enxame de 6Q…que a sul do tejo inverna muito bem, quer em Setubal como em Alcochete.

      Alimentar na minha opiniao apenas um custo se for para se ter colmeias fortes apenas porque sim. Equaciono dar inclusive polen que extraio cedo se houver clientes para enxames ou o polen estiver a ser pago a bom preco.

      O custo para mim e o risco de o fluxo nao aconteer por mau tempo…apenas isso.

      Tambem sou muito mais favoravel a apicultura fixa, por isso entendo que as abelhas devem estar tao fortes quanto possivel logo na entrda do fluxo, e que o problema da enxameacao so pode ser eliminado com abelhas o mais inertes possivel e via realeiras. Nao me vejo a cortar realeiras a 500 caixas, nem a procurar 500 rainhas.

      Tambem assim como tu Hugo so trabalhas 1 modelo de colmeia, eu tb fiz essa escolha. Tudo no armazem parece mais simples. E se puder, no futuro, so trabalharei 1 tmanho de quadro…ou so ninho ou so meias alcas.

      Eduardo, o Dadant de 12Q parece demasiado grande para o nosso fluxo, mas sobretudo para as nossas rainhas. Em relacao as reservas, penso que ao preco a que se consegue fondant nao existe motivo para colmeiasmorrerem com falt de hidratos, e volto a pedir que experimentem o que vos disse, penso resolver enorme parte dos problemas e alimentacao de inverno a todos nos e arranque de primavera, independentemente do fluxo ou da temperatura.

      So nao aplico em escla, pois estou numa zona mais maritima, e alem disso nao tenho cera puxada devido ao crescimento louco de efetivo que tenho registado. E o Hugo lembra s bem de me dar umas aulas e ter sido meu professor quando eu tinha meia duzia de enxames.

      Quanto a epocas curtas e intensas, apenas aprendi este verao em Setubal, e entendi que nos escapa grande parte da produccao por as abelhas nao estarem prontas.Levei 4 ja prontas ao medronho e vi que o potencial do local e muito mas muito maior do que as pobres que tiveram o infortunio de la passar o verao demonstram.

      • Eduardo Gomes diz:

        As Dadant em princípio serão de 10 quadros. E porquê as Dadant? As Dadant são o modelo preferido de um apicultor português que tem cerca de 5000 (cinco mil) colmeias. Tanto quanto sei as suas abelhas são ibéricas e está a fazer a conversão de colmeias Langstroth para Dadant de há oito anos para cá. Em conversa ele referiu diversas vantagens que encontra nas Dadant por oposição às Langstroth: enxameação muito baixa; maior produção; melhor invernagem.

        Porque achas que as rainhas ibéricas não funcionam bem nas Dadant? E acerca dos fluxos?

        Em Espanha, e com rainhas ibéricas, a Dadant é um modelo relativamente comum. Tenho conversado com alguns apicultores espanhóis que as utilizam e que estão satisfeitos. Julgo que vale a pena ensaiar nos meus locais, com as minhas abelhas, e com o meu maneio. Com poucas, inicialmente para avaliar. Uma espécie de estudo-piloto.

        Afonso não percebi se a tua afirmação acerca de deixar morrer colmeias com falta de alimento se dirigia a mim. Com falta de alimento nestes 5 a 6 anos de experiência profissional com abelhas só dei conta de me terem morrido 4 colmeias. Se assim não fosse não aumentava o efectivo de ano para ano, conjugando esse aumento do efectivo com o aumento na produção de mel. Com abelhas ibéricas tenho de ano para ano aumentado o efectivo em cerca de 1/3 ao ano e produzido entre 25 a 30 Kg/colmeia/ano. Se as rainhas que te comprei funcionarem ainda melhor que as minhas ibéricas, no meu ambiente, e com o meu maneio, serei um apicultor muito feliz.

        Já me conheces e não fecho a porta a nada, mas não me atiro de cabeça. Do pouco que sei de apicultura parece-me que soluções universais não existem.

        A tua proposta do sobreninho para aproveitar o fluxo de outono não funciona nos meus apiários da Guarda. A razão é que é um fluxo muito escasso, nas zonas onde tenho os meus apiários. Mais uma vez o local!
        Um abraço!

    • afonso diz:

      Eduardo,
      De modo nenhum me referia a ti no alimento. Refiro m a muitos apicultores que preferem andar a correr atras do prejuizo ao deixar morrer sistematicamente os enxames, visto que esta discussao esta aberta a todos.

      Como apicultor eu gostaria tambem de regressar as Ibericas, apenas nao o faco pois na comparacao ficaram sempre atras, e sobretudo pois nao erm uniformes. As melhores sao tao boas ou melhores que as melhores amarelas. So que sao poucas, muito poucas, e o apiario parece uma montanha russa. A herditabilidade das caracteristicas demoraria tempo e recursos que nao tenho a serem fixadas.

      A Dadant tem na minha opiniao uma zona de cria bastante apropriada(mas na de 12Q), mas se eu comecasse hoje a apicultura iria para reversivel sem duvida, e em 2 ninhos. Melhor para as costas e muito boa para proveitamento de fluxos curtos e produccao de enxame. Tambem permite trabalhar apenas ninhos, o que juntamente com a possibilidade de quintuplicar efetivo numa temorada, axo muito valorizavel no momento atual.
      A Dadant apresenta o problema adicional de ser pouco usada ca, logo o mercado da venda de enxames desce muito.
      Tendo sido eu empurrado a ter rainhas fecunddas de qualidade feitas por mim…entao f sentido nao desprezar este ramo da apicultura, visto que dentro de 1 ano espero ja ter quantidade de enxames e rainhas que me permita disponibiliar.

      O ColmeiaCentro tem de facto essa particularidade, e com ela poupa alcas.
      Se produz mais…axo que nao, mas facilita maneio e transporte sem duvida!

      Eu tento manter tudo o mais simles possivel. Assim, mantenho apenas um modelo que de fcto serve 2 (lusitana permite fazer enxames tambem em reversivel).

      Parece m que na guarda poderias proveitar o fluxo bastnte mais cedo e logo para mel, com poucas alteracoes.
      Isto apenas e uma opiniao que se aplica a muitos outros apicultores e a mim incluido, mesmo tendo aki um fluxo muito longo e fraquinho em intensidade. A ver se em Maio posso fazer um post sobre isso, reatando fatos concretos. Pois parece m que todos nos estmos a desperdicar muito mel sem darmos por isso.

      Abraco!

      • Eduardo Gomes diz:

        “Parece m que na guarda poderias proveitar o fluxo bastnte mais cedo e logo para mel, com poucas alteracoes.”
        Cito esta tua afirmação. Se me quiseres ensinar agradeço. Podes fazê-lo aqui ou para o meu e-mail. Como achares mais conveniente.
        Esta tem sido uma conversa do diabo! Excelente trabalho que tens estado a fazer Afonso!

      • afonso diz:

        O giro disto e ser tudo aqui…publico e aberto.

        Assim que tiver chance vou tirar umas fotos ou fazer um video das abelhas, elas explicam tudo sem eu necessitar de dizer nada. Apenas pergunto…Sera que uma colmeia deve ter apenas uma monarca …ou podemos aumentar a eficiencia da mesma

  14. Eduardo Gomes diz:

    Obrigado Hugo pelos detalhes da tua acção.
    Não estou a dizer nada de novo, mas o teu caso, o caso do Afonso e o meu caso ilustram claramente que, para além dos objectivos de cada apicultor, há um determinante ambiental que torna as boas soluções sempre locais. O que te serve, pode não servir ao Afonso, e o que serve ao Afonso pode não me servir a mim.

    Achei muito interessante a forma como resolves a questão da postura desequilibrada de rainhas muito novas. Fica-me no entanto uma dúvida: tens os ninhos bloqueados como referes, o que é bom no verão e nas tuas circunstâncias; no final do verão início do outono como geres o espaço para estas rainhas fazerem a criação das abelhas de inverno? O mel consumido durante o verão vai dar esse espaço às rainhas? Outra explicação?

    Relativamente à tua questão devo ter salvo entre 10 e 20 famílias ao longo destes 5 anos com a alimentação artificial. Trabalho com Langstroth e Lusitanas (estou a pensar testar as Dadant) e o ninho bem aprovisionado destas colmeias (cerca de 15 Kg de mel) em regra é suficiente, e friso bem, com as minhas abelhas, com a população média das minhas colmeias, com outonos e invernos típicos nos locais onde inverno as minhas colmeias ( o que não é o caso deste outono-inverno).

    Parece-me que temos que nos convencer que Portugal é um país que está na vertical, com cerca de 550 Km de distância entre a latitude norte e a latitude sul (se estivesse na horizontal creio que a história seria diferente); tem uma zona de forte influência marítima e outra de influência continental; é um país que vai dos 0m de altitude aos 2000 m de altitude (por cada 1000 m de diferencial nas altitudes as temperaturas variam em média 6ºC). Se estas diferenças são, como bem sabemos, determinantes, as boas soluções de um qualquer de nós devem ser lidas com uma pitada de sal, devidamente condimentadas pelo conhecimento e experiência que cada um tem do seu meio envolvente.
    Um abraço!

    • Oi Eduardo!

      Quanto à pergunta que me fizeste sobre o espaço nos ninhos para a criação de abelhas de inverno, a verdade é que com a fome que elas passam no verão o espaço que as rainhas têm é suficiente e até arrisco dizer que é excessivo. Portanto a questão da alimentação no início do outono para mim é preponderante para conseguir ter os ninhos cheios não só de abelhas como de reservas.

      Gostaria de poder fazer um aumento de 1/3 do efectivo ao ano como tu consegues mas como já tenho dito muitas vezes ao Afonso, os conhecimentos existem, a vontade também mas falta o tempo e a disponibilidade. Logo tenho de ir aos poucos e quem sabe um dia poderá ser a minha actividade principal. Até lá é ir sempre aprendendo e discutindo novas ideias e maneios com quem não se importa de partilhar conhecimento. O que desde já te agradeço porque fazem falta muitos mais jovens como tu e o Afonso que não se importam de falar abertamente de assuntos como este.

      Abraços
      Hugo

  15. Sergio Gois diz:

    Viva Hugo!

    Como está actualmente a populacao das colmeias ai pela Ponte de Sor? Eu tenho colmeias em Alvega e este verao foi por aqui muito mau tendo me levado a algumas dezenas de reversiveis à fome. Tenho tambem algumas lusitanas que nao produziram nada na primavera mas que ate passaram bem o verao. Actualmente as colmeias estao estaveis mas sao poucas as que levam o ninho cheio.

    Abracos
    SGois

    • Oi Sérgio.
      As minhas colmeias neste momento estão bem povoadas mas graças ao meu esforço para que as mesmas ficassem assim. Não sei se sem qualquer intervenção minha elas estariam assim pois o verão este ano foi mesmo muito agreste.

      Abraços
      Hugo

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