Aprendizagem Contínua

Ontem o meu dia de reflexão…foi passado entre abelhas, e começou pouco passavam das 6 e 30 da manhã, com toda a preparação do material.

Eu e o António tratámos assim 3 apiários, passámos um par de núcleos para colmeias e retirou-se as baixas.

É neste último ponto que me quero focar um pouco.

De um modo geral as colmeias estão boas, mas já o mesmo não se passa nos apiários de núcleos. Algo que me levou a procurar o culpado para que alguns dos núcleos que já deviam ter ido para colmeia não estivessem prontos e arrastem o seu desenvolvimento.

Assim, comecei por procurar as causas para toda a mortalidade que ocorreu numa bancada inteira, em que metade das minhas baixas totais ocorreram nesses 6 núcleos em que 5 pereceram.

Varroa seria a 1a suspeita, não confirmada pois em todos os outros não existem asas ratadas nem síndrome de colapso. Mas no qual se verificou uma substituição de rainhas que ocorreu naturalmente, mas que foi de tal forma elevada que não é algo natural.

A resposta foi encontrada minutos mais tarde, quando em 2 dos núcleos com esses sintomas, as rainhas ainda vivas apresentavam aquela côr brilhante apenas causada pelo vírus ABPV. Assim ficou revelado o mistério. A causa do problema é uma virose!

Mas Porquê apenas serem os núcleos a apresentarem essa causa?

Penso que a resposta vem com a naturalidade com que o apicultor pode explicar este facto. Todos os meus núcleos são de modelo Transporte, com ventilação inferior por rede, e dupla ventilação superior por dupla rede lateral. Assim, e como compensei no Outono as zanganeiras com quadros de cria dos núcleos irmãos e realeiras, enfraqueci um pouco esses núcleos que ainda não tinham chegado ao seu desenvolvimento máximo nos 5 Quadros. A isso somou-se provavelmente uma bela entrada do único pólen disponível em Novembro que é o pobre pólen de Eucalipto. Acresceu a diminuição das horas de luz e alguns dias de enclausuramento.

Tudo isto junto…ou algo mais que desconheço, fizeram com que o vírus da paralesis Acute Paralisis Bee Virus  Afetasse as rainhas.

Mas o que devo fazer?

Por estes já nada posso fazer, mas posso pelos próximos!

Vou durante o próximo verão fazer ponchas para diminuir o excesso de ventilação, e aliado a isto a decisão que já tinha tomado de não fazer mais núcleos com 3Q, mas sim apenas núcleos bem fortes logo de início, pois muitas vezes menos é mais.

Estas lições que são agora menos frequentes doem, mas são muito importantes para com elas se irem eliminando os erros e corrigindo aqui e ali os maneios mal feitos.

Felizmente que os outros apiários vão permitir dentro de pouco tempo repor os erros do apicultor!

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Sobre abelhasdoagreste

Jovem, apicultor apaixonado e que comercializa inovação apícola.
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8 respostas a Aprendizagem Contínua

  1. Eduardo Gomes diz:

    Afonso é isso mesmo, seguir em frente. Só quem nada faz não comete erros. Custam a engolir, mas são excelentes fontes de aprendizagem.

    O teu diagnóstico aponta para uma doença viral conhecida como Acute Bee Paralysis Virus (ABPV), que de acordo com as minhas leituras afecta sobretudo as abelhas e está relacionada com taxas elevadas de infestação pela varroa. A varroa como deves saber potencia as viroses, aumentado-lhes a virulência.

    Mas como na prática nada sei desta doença das rainhas, e felizmente, pode estar a escapar-me alguma coisa. Agradeço-te desde já se puderes dar mais detalhes.

  2. José Marques diz:

    Afonso
    Li o seu incidente, que é comum a todos ( mal de muitos não é conforto ! ) e que por comodidade, geralmente atribuímos à fatalidade.
    Aceito como muito provável a sua explicação e admiro a determinação com que procura ligar causas e consequências.
    A apicultura é uma profissão de alto risco, com mil perigos sempre à espreita.Como seres vivos as abelhas são atacadas por vírus que gostam de clima frio e seco, por bactérias que gostam de clima quente e húmido e por ácaros que gostam de qualquer clima, principalmente primaveril , com muitas larvas.
    A sua explicação insere-se na constatação da grande sensibilidade dos nucléos de fecundação, relativamente aos núcleos e destes relativamente às colmeias.
    Por este motivo (o tempo ) quem não está, hoje, hesitante na marcação da data do arranque da formação de núcleos ?
    Saudações e bons resultados

  3. Rui Bento diz:

    Sr. Afonso.
    Este seu blog tem sido uma grande ajuda para mim e para muitos outros apicultores com certeza. Neste ponto dos núcleos fico um pouco mais esclarecido visto que 3 dos meus 8 núcleos morreram, esses 3 estavam em núcleo de madeira e os restantes 5 em núcleos de roofmate feitos por mim. Estavam todos na mesma bancada mas os de madeira fraquejaram muito com a chegada do inverno, e os de roofmate sempre a evoluir e estam a pedir mais espasso… coincidência ou não, esta é a realidade. Para o ano vou isolar melhor os núcleos de madeira.

  4. Aproveito para responder aos 3 e agradecer os vossos comentários.

    De facto, como diz o Eduardo, estas viroses andam muitas vezes de braço dado com a varroa. Mas não foi este o caso.
    Pois existem outros fatores debilitantes que podem levar ao mesmo resultado.

    O facto de terem sido quase todas as baixas em núcleos consecutivos, leva-me muito mais a querer que existe um factor contágio direto.
    Por outro lado este acontecimento apenas ocorre em núcleos que apresentaram a dada altura no outono uma carência de pólen e que foi suprida pela única fonte disponível em Novembro e que era de eucalipto quase exclusivamente.

    Assim, culpo-me a mim, por ter ainda facilitado isto, o retirar a todos os que cobriam 4Q na entrada desse fluxo, um quadro de cria. Coloquei assim, por ero meu, em risco todos esses núcleos, pois os mais fortesficaram com poucas amas e perderam momentum, os zanganeiros recuperados ficaram com 2Q de cria e realeira mas com campeiras enfermas, e portanto todos ficaram vivos…mas fracos. Ou seja, mais vali ter ssumido 3 ou 4 perdas em Novembro e agora ter tudo são.

    O local também é um pouco mais húmido que outros, e o tratamento com o fórmico que fiz nessa altura apenas foi colocado nos que tinham raínhas em postura, pelo que não excluo o factor de reinfestaçao e o efeito dominó que a pilhagem causa.

    Mas faz parte de ser apicultor, e não devemos nunca ter vergonha de expôr os erros, pois podem evitar que outros os repitam. Devem depois ser analizados, discutidos com outros apicultores que possam contribuir com respostas…e só assim podem ser evitados novamente.

    Felizmente hoje fui ao apiário da criação de raínhas…e estão boas…até demasiado boas. 7 dos 9 núcleos que servirão de criadeiras estão prontos a ir para colmeia. Outro que deixei em colmeia levou já o 8º quadro e meia alça de 10 para expandir postura. Está assim pronto a dentro de poucos dias começar a fazer a primeira ronda do ano…Espero pois que ainda em Fevereiro saia o primeiro lote de 40 realeiras.

    • Hugo diz:

      Quanto ao frio nos núcleos eu costumo colar fita adesiva de papel nas grelhas superiores de ventilação, este ano quase não tivemos temperaturas negativas não as coloquei. O problema quanto a mim nesses núcleos foi o enfraquecimento provocado em Novembro. Eu em Novembro “faço pólen”, isto é farinha de milho, trigo, soja e levedura de cerveja misturada com açúcar em pó e polvilho os quadros,na quantidade de 1/2 copo de café / colmeia e isto da-lhes para 30 dias mais ou menos.

  5. Carlos Figueiras diz:

    Bom dia Afonso,

    Ainda em relação às zonas controladas, por exemplo eu tenho um apiário numa zona controlada por uma certa associação, mas eu não quero ser sócio dessa associação, mas sim de outra de outra zona do país, tal é possível? e se poder, depois essa associação pode vir ao meu apiário fazer as análises e as outras coisas todas?

    Abraço!

  6. Carlos, essa pergunta não sei responder.
    Mas estou certo que o técnico apícola saberá!

  7. Eduardo diz:

    Boas pessoal, este fim de semana fui dar uma vista de olhos pelo apiario, e era um regalo velas chegar carregadinhas de polen de tojo!!!
    E tb desconfio a razão de ter tido tanta varroa, a uns 500m ha um senhor que tem 10 colmeias, mas 5 morreram, nem sabe o tratamento que fex… As minhas quaze de certeza que as pilharam, e tb carregaram varroas….

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