Transumância por Leigo!

Agora que restam alguns dias de pouca atividade, fruto de um ano apícola que prometia imenso e que num àpice se virou do avesso (com vento e muito frio fora de horas…ainda esta noite a minima foi de 5ºC). Planeio pois o que serão as campanhas futuras e estudo um pouco.

Cada dia que passa, me convenço mais de que a apicultura transumante não é o meu caminho. Que viajar frequentemente 2h para cada lado…não é solução, pois o desgaste máquina, desgaste homem, risco que cada viagem acarreta…não servem a minha forma de pensar a apicultura. Somo-lhe o custo dessas horas perdidas, somo ainda o custo ambiental. Sim, tenho sido crescentemente mais cuidadoso com a pegada ecológica que deixo.

Faço assim um exercício de reflexão regularmente, e neste momento sinto que ir mais longe o que Setúbal só é praticável se decidir ter uma base semi-permanente noutra zona do país. E sim, equaciono num futuro não muito distante tomar essa opção, de me dirigir a uma zona do interior, alugar um quartinho (se possível numa vila ou aldeia) e constituir 5 ou 6 apiários grandes (se possível numa mesma herdade ou em herdades contíguas) para que a cada viagem possa passar o tempo necessário com as abelhas e com as atividades complementares. Talvez mesmo fazer uma parceria com um proprietáro local e habitar em regime semi-permanente um desses locais. Trocando os serviços de vigia e acompanhamento da propriedade pelo assentamento das colmeias.

Se aqui no Agreste, tudo é mais confortávem em termos logísticos. Mas a desvantagem deste vento que não pára por semanas a fio, e ainda ter de aturar um frio persistente que me atrasa o desenvolvimento de toda a atividade, faz-me ficar cheio de dúvidas nesta questão.

Este a no tenho a felicidade de ter dado formação em locais diferentes, temperaturas diferentes, desafios diferentes. E por isso uma percepção melhor e mais capaz de quais os desafios e vantagens de cada zona. Os riscos, as virtudes, os custos…enfim! Uma avaliação porventura mais completa.

O cenário ideal nunca existe, mas há que preparar vários cenários e hipóteses. Há que entender o que quero, até onde posso ir, quais as limitações humanas e materiais, quais as maiores virtudes!?

São questões e afirmações que apenas o tempo saberá responder…mas a tentação existe!

https://www.google.pt/maps/dir/Arruda+dos+Vinhos/Santiago+dos+Velhos/@38.969969,-9.1162869,208m/data=!3m1!1e3!4m13!4m12!1m5!1m1!1s0xd18d64673c5cf27:0xd1548c9144625fb6!2m2!1d-9.0774591!2d38.9835516!1m5!1m1!1s0xd192a2732e4a253:0x8411316b57468b14!2m2!1d-9.1068816!2d38.9492606

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Sobre abelhasdoagreste

Jovem, apicultor apaixonado e que comercializa inovação apícola.
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7 respostas a Transumância por Leigo!

  1. José Marques diz:

    Olá Afonso

    A agricultura é incerta e a apicultura , ainda, de maior risco. Admiro quem faz o que eu não consigo : entregar-se a 100% às abelhas !
    Quanto à opção pela transumância há que pensar se se quer duplicar ou triplicar a produção, com o mesmo número de colmeias, fazendo deslocações, ou ter as abelhas 10 meses por ano a descansar.
    Para fazer transumância há custos (viatura, pessoal e instalação ), não fazendo há que multiplicar o número de colmeias, para a mesma produção.
    Para instalação dum apiário (temporário ou permanente) devem conhecer-se os costumes e legislação (zonas protegidas…) e procurar fazer contrato com um proprietário bem situado (zona melífera, local, exposição…), que possa vigiar o acesso de amigos do alheio e se possível aceite pagamento em espécie ( um frasco de 0.5 ou 1 kg de mel por colmeia ).
    Se me é permitido sugerir-lhe um cenário, relativo ao seu caso concreto, tomando como referências a floração e temperaturas médias:
    1º – Sobral de Monte Agraço tem temperaturas médias, em Fev. 14/8ºC e em Março 15-16/9-10ºC. A enxameação começa em princípios de Março . nesta data podem ter-se colmeias fortes.
    Há plantas melíferas, mas não me parece que haja plantas para acumular excedentes e produzir mel em quantidades apreciáveis, são mais apropriadas para produzir abelhas ou pólen.
    2º – Para nascente, entre 100 a 200 km ( caminho de ferro da Beira Baixa ou E23) nas zonas próximas das margens do Tejo ou afluentes, há sítios ( a pesquisar) com alecrim ( floração em Fev. e Março ) e rosmaninho (Abril e Maio). O alecrim desenvolve a criação e o rosmaninho fornece o mel, abundante e optimo.
    3º – Continuando na direcção das Serras Gardunha ou Estrela, de 600 a 1000 m de altitude é possivel encontrar floração, desfasada de dois meses ( Junho e Julho ), a pesquisar e confirmar.
    Será mais um acréscimo em quantidade e variedade.
    4º – Com vontade e determinação, ainda, se pode ir mais alto e mais longe !
    Penso que com este itinerário de 200 ou 300 km lhe ofereço a possibilidade de duplicar ou triplicar a produção sedentária.
    Nota: Sem permissão recomendo-lhe o contacto com o João Tomé ( Tm 964 490 068 ) do site Vale do Rosmaninho.
    As minhas mais cordiais saudações

    • Olá José Marques, e grato pelo exercício que se dispôs a fazer.
      Estou consciente dessas diferenças. No entanto não é tudo assim linear.
      Há que equacionar nos custos de transumancia que existem anos em que há falhas na floração, risco acrescido de incendio, triplo trabalho de limpeza dos apiários, riscos acrescidos de roubos em zonas que não conhecemos tão bem, desgaste extra das colmeias e todo o material e risco acrescido de acidentes tanto na estrada como acidentes de trabalho.
      Na minha zona é no final de Março que se dão os primeiros enxames (este ano mais tarde) e entre 15 de Maio e 10 de Junho o pico dessa enxameação e da campanha. O problema é esse que referiu, ou seja , um floração muito longa mas que nao permite acumulação até Abril. Aqui ao vermos as temperaturas esquecemos a velocidade média do ar, que na realidade dá sensação térmica mais baixa e é isso que as abelhas sentem.
      Numa transumancia, a minha opinião é de que retirar uma 2a colheita nem sempre é rentável, pois apesar do ganho de producção (produto bruto), o ganho nem sempre é maior (resultado final líquido).
      Conheço bem o João, axo o trabalho dele admirável, mas não é o meu caminho.
      Prefiro menos colmeias, menos custo.

      Quando me refiro em ir para o interior, refiro-me sempre a apiários não transumantes. O requerimento é o Salgueiro(que nem precisam de ser muitos), esteva ou sargaço e depois uma floração melífera, quer ela seja o rosmaninho ou a soagem ou outra.

      Porquê esta opção?

      Acredito que uma boa preparação das colmeias, uma colheita, e diversos sub-produtos da colmeia já geram rentabilidade. Ir a cada 3 semanas passar 3 ou 4 dias lá, e só na altura do pólen ter de estar em semi-permanência são um grande conforto tanto familiar como pessoal.

      A transumãncia tem esse custo escondido, de noites fora da cama, noites em sítios que não tomamos como nosso porto de abrigo, ter o coração apertadinho em época de incêndios ou zonas de roubos frequentes. Ter as colmeias no meio de muitas outras. Atenção às doenças…maior substituição de raínhas e percas de enxames. Enfim, uma panóplia de custos escondidos que não são apenas financeiros.

      Apenas compensaria em situações muito especiais (no meu ponto de vista).

      Prefiro largamente 2 meias alças apenas por cada colmeia…do que 3 ou 4 em transumancia.
      A minha opção por querer parte da exploração no interior, é sobretudo a maior produtividade quer do pólen, quer do mel, tendo uma campanha mais curta e flora concentrada em 4 meses apenas. Libertando-me tempo para todos os outros produtos que faço, para a família, as formações…enfim!, viver um pouco e gozar as outras vertentes da apicultura.
      Ter sobretudo a mesma cama a cada noite!, poder ter comigo a minha mulher, poder conhecer bem o meio em meu redor.

  2. Martins diz:

    Ola Afonso, A que tempo não falamos! Sou aquele tipo de Coimbra que viajei contigo para Paredes na formação de rainhas que ministraste em Maio. Olha se quiseres criar a base que falas, na Beira, tens todo o meu apoio e Logística. Naquela Zona que falaste ( a tal adega do Anselmo junta da Ribeira, lembras-te?) tem muito potencial. Eu tenho la uma casita rural… cedo-te te um quarto gratuitamente e terrenos la não faltam. Quando vieres para o norte, liga-me para uma churrascada. Um abraço! Martins 966393336; antonio.j.martins@sapo.pt

    • Claro que me lembro Antonio!
      Éramos nós os 2 e o Tiago a fazer a viagem.
      Este ano estou a instalar devagarinho mas de forma segura o apiário de fecundação de raínhas com uma montanha de núcleos de fecundação. Mas mal tenha este projeto pronto, vou ligar-lhe e fazer uma visita. Ou talvez aproveite um dia dos que for à Sertã e logo fica mais perto.
      Agradeço imenso a oferta. É óptimo saber que se tomar essa opção há pessoas amigas que estão dispostas a ajudar!
      Um grande abraço e um enorme obrigado!!

      P.S. – e como vão as abelhas?

  3. José Marques diz:

    Olá Afonso

    Não tendo tido acolhimento a primeira proposta sobre transumância apresento uma segunda muito mais leve. Esta poderá ser praticada por algum dos participantes que acompanham o Site,
    com as devidas adaptações
    Foi uma experiência ensaiada e comprovada com bons resultados.
    1º – Local X : Zona litoral ( no caso arredores de Lisboa ) : Com temperaturas amenas é possível produzir núcleos ( no caso Langstroth de 5 quadros ), nas quantidades desejadas.
    2º – Transporte dos núcleos : Pelo peso e volume o trabalho é muito simplificado.
    No caso concreto, uma carrinha Simca 1300 c.c., com grade feita à medida : 8 núcleos no interior e 12 no tejadilho. Total 20 núcleos por viagem.
    3º – Local Y : Na zona interior das margens do Tejo e afluentes, entre Abrantes e Castelo Branco ( A23 ),é possível encontrar locais com flora de alecrim seguida de rosmaninho desde Fevereiro até Junho, plantas abundantes em nectar e polen.
    Juntando, em Abril, num apiário fixo, um núcleo às colmeias fracas ou dois núcleos para aumentar o apiário, consegue-se, salvo raras excepções, sem mais intervenções, uma alça igual ao ninho Langstroth cheia de mel ( 25 kg ) por colmeia.
    POR ECONOMIA DE ESPAÇO E TEMPO FALTAM OS DETALHES QUE FORAM BEM INTERESSANTES .
    Cordiais saudações

  4. José, já vi que andas a treinar a transumancia!
    Nucleos no tejadilho é grande aventura!!

  5. José Marques diz:

    Olá Afonso

    No rescaldo da transumância quero deixar claro que os modelos que apresentei são mais versáteis e flexíveis do que parece.
    Portugal tem uma zona litoral do Algarve ao Minho, com clima/s mais ameno/s e floras próprias. De 100 a 200 km, para o interior, há zonas serranas com temperaturas e floras desfasadas 1 a 2 meses, que convidam à transumância.
    O transporte de núcleos ou colmeias tem exigências diferentes e não requer um modelo stander.
    Pode optar-se por apiários sazonais ou sedentários, muitos ou poucos, grandes ou pequenos ….
    O apicultor profissional, com 400 ou mais colmeias, a menos que esteja numa zona excepcional, para ter rentabilidade, difissilmente poderá prescindir das boas condições de trasumância que o País oferece.
    Para o apicultor amador, que vive feliz com as suas abelhas, sem fazer contas, é melhor que as não faça porque pode ficar triste.
    Cordiais saudações

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