Fitofármacos

Por estes dias decorre em Portugal uma verdadeira corrida aos cartões de aplicação de fitofármacos.

Mais uma vez a nossa pobre lei corre atrás do prejuizo, após Portugal ter sido multado devido ao proletar por muitos e bons anos a entrada em vigor e real aplicação da lei e diretivas comunitárias.

Também eu, que aplico poucos e cada vez menos, me inscrevi e fui tirar o curso.

Para meu espanto, hoje juntei os velhos frascos cheios de inseticidas obsoletos e proíbidos entretanto, e que o meu avô tinha no armazém desde que fui menino. Alguns estavam já numa caixa de madeira a aguardar para serem entregues. No entanto cheguei à loja que vende estes produtos, procurei o responsável e disse que os vinha entregar. Mas não mos recebem!!

Então perguntei o que faço com eles?

Disseram-me que não há ponto de entrega…e mais baixinho, disseram que para me ver livre deles, tal custaria cerca de 200eur entregando a uma firma Espanhola que o faz.

Mais Piurso fiquei quando me dizem que o melhor que teria a fazer, seria diluí-los em aplicações de herbicida por forma a me ver livre deles.

Assim a conclusão que se chega é de que o interesse mais uma vez é o de cumprir as imposições comunitárias apenas no papel e não o de resolver os problemas. De que as opções legais são caras e punitivas, e que se não tiver escrúpulos me vejo livre de todos estes produtos cheios de caveiras e avisos de perigosidade para a vida aquática. Mas que se for um cidadão com bom senso terei de arrotar com uma verdadeira fortuna e pedir por favor para mos receberem.

Assim, prevejo que muitos e muitos litros destes venenos sejam indecentemente despejados ilegalmente, ao invés de serem tratados como deveriam.

Urge pois expôr esta vergonha que sinto. Quero ter entidades que me respeitem e queiram resolver os problemas, ao invés de quererem apenas aparecer bem nas estatísticas da amizade ao ambiente.

Há que denunciar estas coisas.

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Sobre abelhasdoagreste

Jovem, apicultor apaixonado e que comercializa inovação apícola.
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2 respostas a Fitofármacos

  1. André Paulino diz:

    Pois é Afonso,
    para além da pouca vergonha que descrever, à mais!
    Os fitofármacos, que eram vendidos a qualquer pessoa, com iva a 6% e são agora apenas vendidos a quem tiver feito o curso.
    Na prática continuam a poder ser adquiridos livremente, mesmo por quem não fez, nem nunca vai fazer o curso, mas com iva a 23% (bom negócio para o estado).
    Basta apenas fazer umas alterações na rotulagem, que a legislação permite e tudo passa a ser legal.
    No rótulo não pode constar “destina-se a uso profissional”.
    Se por outro lado passar a constar a informação “o produto destina-se a plantas ornamentais e a hortas familiares”.
    Continuamos a estar todos felizes e a usar os venenos de sempre, mas mais caros.!
    Assim encontrei eu esta semana, em venda livre, o famoso Roundup Extra, da Monsanto (glifosato – herbicida sistémico), em embalagens de 0,750L.
    É um crime!

    • Olá André,
      Eu no fundo compreendo o porquê da formação que temos de fazer e até concordo com ela. O que não concordo é ser feita à mata-cavalo, nem colocar na mesma sala quem tem 10h de fruticultura com quem tem 10 àrvores no quintal e ainda com quem tem apenas uma àrvore.
      Claramente seria necessário uma primeira fase para agricultores profissionais, depois uma 2a fase para agricultores semi-profissionais e só após estes terem terminado se deveria dar uma pequena formação de até 6h aos que têm um quintal e semeiam a saca de batata ou têm canteiro de nabiças para a sopa.
      Por outro lado parece-me bem que os não profissionais tenham acesso ao produto pronto a usar apenas, com a concentração já diluída, pois assim se evitam envenenamentos. O que está mal é o preço ser absurdamente alto para esses!

      Gostaria de sentir que o meu país estava a formar pessoas com o intuito de saírem dali mais conhecedores e não apenas a ensinar a ler rótulos e usar as protecções físicas, mas sem que no fundo tenham aprendido a mudar a sua posição de fundo.
      Dou exemplo de um sr. que é cantoneiro e não faz idéia de qual o herbicida que usa todos os dias, nem se é sistémico ou de contacto…e pergunto-me? como é possível ao setor público trabalhar desta forma? Como é possível que o nível de consciência do aplicador seja tão baixo…pois isso revela que o nível de consciência de quem contratou também é baixo, e o nível de quem elegeu está pelas ruas da amargura! Logo o nível de consciência de todo um povo onde estou incluído é desmoralizante.

      Se calhar é por isto que tenho tantas saudades do centro da Europa…pois foi o local que conheci com maior consciência organizativa, cultural e ambiental. E sinto que queremos lá chegar, mas desperdiçamos imenso recursos e know how por se fazer tudo atabalhoado e em cima do joelho.

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