Após muito tempo…

Após muito tempo sem escrever sobre a varroa, devido a algumas pessoas usarem de forma errada o conhecimento que vou tentando disponibilizar aqui no blog, volto agora a fazer uma nova tentativa. Mas ressalvo, que não estou a conselhar o uso desta ou daquela forma de tratar. Apenas disponibilizo conhecimento!

Um estudo da universidade de Sussex

https://www.sussex.ac.uk/webteam/gateway/file.php?name=ratnieks-2014-varroa-bbj-1-15.pdf&site=60

indica que a utilização de àcido oxálico para o controlo da varroa é uma forma eficiente de a tratar (se na condição de ausência total de cria), mas em Portugal, devido ao nosso clima é difícil de obter a condição necessária a que isto aconteça.

Mas no mesmo estudo falam sobre a armadilha de zangão e sobre a eficássia da mesma. Ou seja, que meio quadro de zangão a ser recolhido no início da Primavera recolhe cerca de metade das varroas da colmeia, o que, não sendo muito eficiente, permite ainda assim 1 mês de protecção adicional até que os números das varroas regressem ao nível anterior.

Por outro lado sabemos que os restantes 50% das varroas estão divididas entre cria selada (2/3) e na fase forética (1/3).

Podemos assim constatar que ao usar o corte da cria de zangão com um sistema adicional de controlo da varroa forética que seja eficaz, e podemos eliminar cerca de 65% das varroas da colmeia. Não importa se esse sistema adicional é o limão, ou o fumo de nogueira, fumo de parra vermelha de videira oxálico sublimado ou outro. Importa sim perceber que 2 maneios destes durante a Primavera permitem manter por 2 meses e meio a população de varroas em xeque…e reduzir assim a ncessidade de uso de químicos na colmeia, permite manter as viroses mais longe de se tornarem sintomáticas e portanto a colmeia mais sã.

Não tenho meios para fazer o estudo complementar de alguns destes meios de combate ao parasita varroa. Não garanto a ninguém que apenas este maneio lhe resolve os problemas para um ano inteiro no que à varroa respeita. Mas não posso deixar de salientar que é mais uma arma, mais uma ajuda, pois infelizmente neste cantinho a sul da Europa a varroa reproduz-se o ano inteiro e portanto cresce muito mais rápidamente a sua população do que em latitudes mais a Norte.

Ao usarmos este conhecimento a necessidade de outros tratamentos está já reduzida em cerca de 75 dias, o que implica que o nível económico de ataque à praga (varroa) é atingido bem fora do período produtivo e reduz-se a necessidade de outros controlos de pragas mais agressivos e dispendiosos.

Parte 2

A colocação de enxames a nú (retirando toda a cria) tem sido estudada por mim como uma opção para o controlo da varroa, mas não tenho ainda resultados suficientes que me permitam libertar conhecimento nas formações e aqui no blog. Pelas primeiras impressões, é extremamente eficaz quando combinado com um controlo da varroa forética, mas a minha dúvida que ainda persiste é de entender qual o melhor tratamento a acompanhar esse maneio.

Sinto-me tentado a dizer que é um tratamento químico, pois a época em que sinto ser mais eficiente este tipo de tratamento é fora do período produtivo, e desta forma é possível eliminar uma elevadíssima % de varroas.

Este ano irá decorrer uma experiência que envolverá todo um pequeno apiário de 6 colmeias e que irá comparar este método em diferentes variantes. Objetivo de eliminar 99% das varroas do apiário.

Parte 3 – Conclusões Pessoais

Parece-me que o controlo de varroa pode ser extremamente eficaz apenas quando estão reunidas 3 condições;

1 – Baixa taxa de reinfestação

2 – Tratamento ser eficaz (métodos complementares usados em conjunto são muitíssimo mais eficazes)

3 – Conhecimento do ciclo de reproducção quer da varroa, quer da abelha

Conclusões finais,

Durante este ano um grupo de apicultores tem seguido aqui no agreste um pequeno apiário que montámos com fins didáticos e que regularmente vamos seguindo. Apesar da taxa de infestação inicial de varroa ser de 9% em Março, e por isso ser já nessa altura alta, temos conseguido mantê-lo sem baixas, sem sintomas de varroa e com incremento quer de população quer de caixas em cima para producção de mel.

Ou seja, sem químicos…é possível!

Não garanto que…mas dentro em breve saberei os resultados do nível de infestação que suspeito ser agora bem menor do que os 9% iniciais.

É este tipo de conhecimento que estamos a tentar construir, sem radicalismos nem fundamentalismos ideológicos, tentando uma abordagem de custo zero ou próximo, para o combate à varroa e que mesmo assim seja soberbamente eficaz.

Conseguiremos? …Não sei! Sei que se for positivo o resultado (e está bem encaminhado), serão mais 12 apicultores que ficarão com o conhecimento para depois usarem nas suas abelhas.

 

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Sobre abelhasdoagreste

Jovem, apicultor apaixonado e que comercializa inovação apícola.
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3 respostas a Após muito tempo…

  1. Márcio diz:

    Afonso, para fazer o tratamento com sumo de limao é necessario ter estrado sanitário? ou o normal serve?

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