Deitar Mitos por terra…

Quando estou com apicultores das diversas regiões escuto muitas vezes a idéia que sobretudo a geração mais velha possui de que as abelhas pequenas e agressivas são as mais produtivas.

Tento não contradizer a idéia, pois acho que para explicar algo pracisamos de dados que suportem essa tese. Assim, deixo-vos o resumo de um estudo feito no Brasil e que deita por terra esta idéia. Correlação entre agressividade e produtividade não existe!

 

RESUMO

Este experimento foi conduzido com o objetivo de avaliar a correlação entre a produtividade de mel e o comportamento defensivo em colmeias de abelhas africanizadas Apis mellifera Linnaeus como índices de melhoramento genético. O trabalho foi realizado em Salvador (BA) e foram utilizadas 14 colônias de abelhas provenientes de coletas na natureza, as quais foram analisadas quanto à defensibilidade e à produtividade de mel. O comportamento defensivo foi qualificado de acordo com a metodologia de análise subjetiva de campo, o qual visa à classificação das colônias em categorias (de zero a quatro). A produtividade de mel foi mensurada com a pesagem dos quadros de mel maduro colhidos das melgueiras de cada colônia. Foram encontradas seis colônias classificadas como altamente defensivas e oito como mansas. Com relação à produtividade de mel, as colônias apresentaram uma produção média de 12,8 ± 10,9kg por temporada. A análise de correlação indicou uma correlação pouco significativa, entre os comportamentos (ρ=0,490), mostrando que estas duas variáveis não estão suficientemente interligadas. Dessa forma, conclui-se que é possível selecionar colmeias com baixa defensibilidade e com alta produtividade de mel, viabilizando seu manejo apropriado.

Daiana Almeida de SouzaI ; Kátia Peres GramachoII; Guido Laércio Bragança Castagnino

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Sobre abelhasdoagreste

Jovem, apicultor apaixonado e que comercializa inovação apícola.
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10 respostas a Deitar Mitos por terra…

  1. Lem Sipa diz:

    A liberdade de cada um fazer as suas afirmações tem que ser respeitada, mas as conclusões deste trabalho não assentam em relevâncias estatisticamente aceites e como tal cientificas.

    • Olá Lem,
      Este trabalho foi feito por universidade reconhecidamente competente, pelo que é na minha opinião trabalho científico.
      Todos aqui neste blog têm a palavra, desde que respeitem os princípios do mesmo e não seja publicidade de tipo algum.
      A tua opinião, tal como a dos outros nunca será censurada, mas a minha opinião difere bastante da tua.

      • Paulo JMD Silva diz:

        Afonso, não ligues ao que alguém que nāo dá a cara nem o nome mas que está sempre na linha da frente para criticar o trabalho dos outros em vez de dar sugestões construtivas ou mostrar trabalho feito.

  2. Paulo JMD Silva diz:

    A agressividade exagerada faz com que um enxame perca mais abelhas do que um enxame mais manso. Por exemplo a inspeccionar há muita abelha a perder a vida e assim não chegam a campeiras. Ou seja não chegam a contribuir para as reservas alimentares da sua colónia.

    Sobre a correlação entre abelhas pequenas (os velhotes chamam-lhes muita vez de ratinhas) e sempre lhes atribuem uma agressividade excessiva. Há até quem diga que se trata de uma raça de abelhas diferente. No entanto suspeito que sejam abelhas de tamanho natural ou que emergiram de alvéolos cheios de casulos e por isso são mais pequenas.

    Ainda sobre as abelhas pequenas e produtividade. Quanto menor for a abelha maior será a quantidade de abelhas que podem emergir de um quadro e assim um enxame de abelhas pequenas terá facilmente muito efetivo. O facto de serem abelhas de tamanho natural faz com que vivam o tempo normal em oposição a abelhas grandes cujos músculos das asas se “desgastam” mais depressa levando a abelha a morrer um pouco mais cedo.

    Há a teoria de que abelhas pequenas lidam melhor com a varroa, pretendo comprovar isso nos próximos anos tanto em colmeias de quadros móveis como colmeias topbar.

    • Paulo, concordo parcialmente com a tua opinião.
      No entanto realço que o tamanho natural são os 5,1mm de alvéolo em abelha Europeia e não os tão proclamados 4,8mm.

      Na parte de enxames populoso é a raínha e sua capacidade que comandam a quantidade de população e não o tamanho do alvéolo. Alvéolo pequeno apenas faz mais abelhas/quadro…mas devemos dar tanto espaço quanto necessário.

      5,3mm é o tamanho do alvéolo que se estampa, algo um pouco maior do que deveria, mas usado por quase todos os apicultores.
      Favo Natural tem uma eficiência muito menor de cria de obreira/quadro, tendo no entanto outras vantagens.

      • Paulo JMD Silva diz:

        Veremos isso do tamanho natural dos alvéolos quando eu tiver abelhas completamente regredidas e que não precisem de tratamentos para sobreviver à varroa 😉

        Acho que há uns rolos que fazem cera estampada com alvéolos de 4.9mm em vez dos que fazem alvéolos de 5.3. Tu tens rolos suponho eu, escolheste qual tamanho de alvéolos? Já agora qual a razão da escolha?

  3. Eduardo diz:

    Eu tenho alguns enxames estremamente bravos, por acaso tenho reparo que desenvolvem mais rapido…
    Mas siceramente depois da cresta vou eliminar as rainhas, é mt desconfortavel!! Mal levanto a prancheta é uma coisa maluca nem com fumo acalmam!
    Afonso depois da cresta tens rainhas fecundadas para venda?

    • Eduardo,
      Tenho umas 70 a fecundar esta semana. E se chover amanhã como está previsto ainda faço mais uma ronda delas pois a repassagem vai beber.
      Se tal se confirmar, direi aqui…

  4. José Marques diz:

    Olá Afonso

    Como estamos a falar de um mito, está visto que se pode dar largas à imaginação . Eu, também, aproveito.
    Até meados do século passado, em Portugal como nos outros países, havia as raças locais.
    Nós tínhamos quase só a raça negra (Melífera) . Até lá os predadores eram muitos e numerosos (vespas, répteis ,aves e até sapos ) . Claro que as melhores colmeias eram as que melhor se de fendiam . Hoje os predadores reduziram-se e as abelhas aumentaram. São apenas problemas localizados . Mas o mito ficou !
    Depois da segunda Guerra, com importação de rainhas de várias raças (Ligústica, Buckfast etc. ) , as características de cada raça são diferentes , incluindo agressividade e produção. Note-se que há raças muito dóceis mas em que as híbridas são irrascíveis.
    Mas a escolha da raça é outro problema, mais geral e ainda mais polémico !
    Saudações

    • Paulo, eu não tenho rolos, e nao vou adquirir…nao consigo ter tempo para moldar cera!
      José Marques, concordo que tínhamos localmente ecotipos de abelha, mas não raças. Uma raça tem de ter estalão definido!! Algo que nem está especificado na abelha Iberensis (Index cubital, côr, comprimento de língua, etc…)
      As híbridas são sempre irascíveis, sobretudo a carniola quando cruza com drone local tipo A (zona litoral)

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