Enxameação – Novamente

A enxameação é o tema que mais me fascina e prejudica a atividade apícola…pelo menos para mim é! e que em conjunto com a sanidade e com um plano financeiro adequado são a diferença entre ir progredindo ou regredindo.

Muitos autores tentam dividir a enxameação em categorias, necessitando nós apicultores de saber ler muitas vezes as colmeias de uma forma que não está ao alcance de todos.

No meu caso particular e excepção feita ao abandono da colmeia, agrupo todos os tipos de enxameação num só…se enxameou e seja por que motivo for, sobretudo quando enxameia a pleno fluxo, a campanha de mel dessa colmeia está perdida. Mesmo que eu a apanhe antes de enxamear, a febre já está instalada e a solução é sempre um maneio difícil e prejudicial ao rendimento apícola.

Ontem tive um debate que para mim foi uma bela aula!, com uma investigadora Portuguesa que trabalha com selecção genética…pelo que agora me arrepio todo ao saber que uso muitas vezes mal a palavra. Aquilo que imensos apicultores fazem é selecção fenotípica, que muitas vezes repetido pode levar à selecção de certas características.

Assim, que maneio posso dar às minhas colmeias para evitar ao máximo que enxameiem?

Não sou nada favorável a ser escravo das abelhas, e conforme o tempo vai passando, vou-me tornando cada vez mais adepto de lhes dar menos maneio, e de as deixar serem mais abelhas. Claro que dar menos maneio não significa deixá-las sem acompanhamento. Mas significa sim, garantir que tenho sempre dentro da colmeia uma raínha jovem e com as qualidades que prezo. Eliminando sistemáticamente todas as que saiam fora do que procuro e usando-lhes a cria e as abelhas para povoar novas caixas.

Agora que estou bem mais próximo de atingir o total de apiários e colmeias que pretendo ter, penso que poderei começar a organizar-me neste sentido, tal como progressivamente vou começando a ter suficientes raínhas fecundadas a todo e qualquer momento, tal como núcleos que permitem à mínima suspeita de que algo não vai como quero, tomarem eles as rédias dessa casa.

É com este objetivo que vai surgir o meu 3º apiário de fecundação e que terá capacidade de fecundar mais 120 raínhas por mês, num total que espero serem de 600as por ano já em 2018. Ficarei assim com os 3 apiários de fecundação dentro do meu centro, e estará mais um passo a ser dado para o futuro e se tudo correr pelo melhor de daqui poderem saír todas as minhas raínhas e muitas outras.

Já em 2017 serão cerca de 120 as colmeias que terão linhagem totalmente conhecida e que doarão zangãos em massa para esta zona, onde ao que sei existem apenas umas 6 ou 7 colmeias “alien”.

Como o tempo não é elástico vou novamente cortar nas inspecções de Primavera, reduzindo as inspecções sistemáticas a cada colmeia a 3 por ano (entrada na Primavera para ver a sanidade e categorizá-las, entrada no Verão apenas com caráter sanitário pela cresta e entrada no Outono com caráter sanitário e avaliação no final da campanha de pólen). Todas as outras serão inspecções curtas, apenas para maneio de alças e desbloqueamento de ninhos.

Com este plano ganharei imenso tempo, ao deixar de perder tempo com todas as atrasadas que entram automáticamente na categoria de desfazer por nucleação ou de levarem um núcleo inteirinho como reforço e que portanto saltam de categoria. Em 2018 espero já ter todo este plano em marcha ao invernar cerca de 290 núcleos.

Ainda não será em 2017 que terei a chance de usar a quantidade de sobreninhos que pretendo…mas lá se chegará!!

Todas as fortes serão sem excepção desprovidas da sua raínha no último maneio de Primavera, raínha essa que será retirada para um pequeno núcleo afim de semanas mais tarde ser substituida. Cada colmeia levará em seu lugar um par de realeiras a ponto de nascer ou uma raínha fecundada.

Outro ganho enorme reside no facto de ser tudo uniformizado e não precisar de anotar práticamente nada, bastando a informação sobre a data de substituição das raínhas que como sempre é feit para o gravador. Caso alguma falhe, e haverão núcleos ou raínhas suplentes oriundas dos mini-núcleos. Caso alguma seja substituida também não há problema…pois estaremos a menos de 1 ano de nova e total substituição. Nunca se farão velhas…e do dia em que coloco a última realeira até ao dia da cresta não preciso de me preocupar mais com elas, e posso andar só preocupado com o pólen e com as raínhas (algo que já é muitooo)

Objetivo – Enxameação zero!, pois se o fluxo é fraco e não ajuda, estou certo que bastante feromona real, ninho desbloqueado e raínha jovem e de linhagem cuja principal característica é esta o farão.

Tal como os Japoneses que a cada entrada no trabalho colocam um objetivo utópico e trabalham para ele…vou tentar fazer o mesmo! Pois quem aponta baixo nunca pode atingir alto.

No ano anterior perdi 16 enxames, e a realidade mostra que a cada ano tenho perdido menos apesar de aumentar o número de colmeias. Nos mini-núcleos ocorrerá sempre algo, pois é mpressionante como crescem em Abril e Maio…e sofrem logo muito aos primeiros calores, pelo que basta um descuido. Mas…O caminho é caminhando que se constrói!!

 

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Sobre abelhasdoagreste

Jovem, apicultor apaixonado e que comercializa inovação apícola.
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7 respostas a Enxameação – Novamente

  1. Eduardo Gomes diz:

    “estou certo que bastante feromona real, ninho desbloqueado e raínha jovem”.

    Afonso é isto que eu estou a fazer cada vez mais nos últimos dois anos com as minhas, e em todas as que realizo estas operações a enxameação aproxima-se muito do zero que tu referes. A manipulação do ninho (a abertura do ninho seja qual for a técnica específica utilizada) e a renovação de rainhas são as chaves mestras para prevenir a enxameação na minha opinião. E é necessária em todas as raças de abelhas senão enxameiam todas elas. Pedir às abelhas que não enxameiem é como pedir a um adolescente que não tenha sexo, dito pelo Randy Oliver.

  2. É mais ou menos isso que penso tb.
    Aqui a campanha é muto longa…muito longa mesmo. E Se o tempo ajudar o pico do fluxo ocorre muito antes de as abelhas melarem algo. Geralmente há um enorme pico de fluxo quando as azedas se juntam aos pilriteiros, ao sanguinho e aos últimos eucaliptos. Depois vem as mostardas selvagens que seriam excelentes não fora serem pequenas bolsas. Após isto ocorre o mesmo com a ervilhaca, que geralmente é muita, mas em que o início de abril muitas vezes é frio e chuvoso. Quando isto termina dá-se uma quebra pronunciada mal termina o trevo branco e até a silva aparecer em força (de 1 a 20 de Maio geralmente). Mas a silva não é um fluxo forte, as soagens já estão de meio para a frente e exceptuando um ou outro apiário o orégão tb não chega.
    É por isso que dependendo do ano as abelhas têm aqui muitas oportunidades para enxamear, mesmo antes de as minhas primeiras raínhas fecundarem (de meio de março ou meio de abril em diante, dependendo dos anos).
    Neste caso muitas vezes chega-se atrasado aos apiários por mil e uma razões.
    Se as abelhas quisessem saír todas em início de Março…seria uma benção! O problema é que a maioria das tentativas ou concretizações ocorria entre abril e meio de junho, mesmo em cima do último e ténue fluxo cujas temparaturas e certeza climática permitem geralmente que se transforme em mel.

    O que procurei?
    Formas de melarem mais cedo..e abelhas que se eu me atrasar um pouco não me façam pagar o preço com a perda desta colheita (a minha única) colheita certa de mel.

    No ano passado penso ter resolvido finalmente o enigma de fazer parte delas melarem logo na entrada do trevo branco. Fiquei muito entusiasmado e vou tentar extrapolar este ano a 2 ou 3 apiários inteiros o mesmo maneio.
    A resultar, permite-me aproveitar o extraordinário mel de trevo branco e na silva ter uma importante pausa de postura dentro das colmeias.

    A diferença da proporção de enxames que saem ou tentam saír é que me interessa neste caso. A redução de tentativas tem sido dramática, apesar de progressivamente as visitar menos vezes. E é só e tão apenas isto que me interessa.

    Apenas posso fazer apicultura profissional aqui por explorar uma vasta gama de produtos e não apenas o mel. Na minha opinião esse é o fator diferenciador que me permitiu instalar boa parte da exploração aqui nos vales, e a razão que leva à falta de tradição apícola desta zona ventosa e Agreste.

  3. José Marques diz:

    Olá Afonso

    Sobre o tema venho devolver a sua oferta, a quem possa interessar :
    Enxameação:
    – O aparecimento de taças nos quadros e principalmente taças com ovos é sinal provável de início para enxameação : aumentar a vigilância até se observarem realeiras .
    PREVENÇÃO DA ENXAMEAÇÂO :
    . Procurar seleccionar abelhas pouco enxameadoras
    . Mudar de Raínha todos os anos ou , pelo menos de dois em dois anos. Mudar de preferência no verão ou outono, enquanto houver abundância de zangãos .
    – Inversão do Ninho com a Alça:
    1º – Passar, antes da época da enxameação, um quadro de criação operculada, rodeado de quadros de cera puxada, do ninho para a alça .
    2º – Duas semanas depois, se as abelhas tiverem subido para a alça, inverter a posição da alça e do ninho.
    3º – Em cada duas semanas verificar a posição das abelhas e criação e inverter a posição da alça e ninho, de modo a que a criação fique em baixo, no ninho e haja espaço de armazenamento na alça.
    – Equilíbrio da força das colmeias :
    Pode fazer-se retirando quadros de criação das colmeias fortes para as fracas ou trocando a posição das colmeias fortes com as fracas.
    As colónias fracas não podem estar doentes.
    Esta técnica ajuda a baixar a pressão das colmeias que se preparam para enxamear.
    – Ventilação das Colmeias
    Regular a dimenção das entradas com a temperatura da época.
    Em zonas muito aquecidas sombrear as entradas.A ventilação e arrefecimento ajudam a baixar a pressão da enxameação.
    Em aditamento seguirá : Controlo da Enxameação
    Com os meus cumprimentos e desejo de Feliz Natal

  4. Bernardino diz:

    Olá Pessoal.
    José marques, essa técnica que menciona dá bom resultados, mas só para quem tem poucas colmeias, para quem tem muitas centenas, esta fora de questão. dá trabalho e despesas em deslocações.
    Eu já escrevi aqui no blog do Afonso, o método que utilizo para diminuir a enxameação .
    Além da ventilação que refere, troco dois quadros do ninho, por quadros com cera estampada.
    Geralmente são os quadros das laterais, os chamados tijolos, ou quadros que apresentem muita criação de machos ou com defeitos.
    O Afonso comentou, que eu arrefecia muito os ninhos com este método.
    Aqui na minha zona faço isto, nos finais de Janeiro ou princípios de Fevereiro, depende do tempo, sempre antes de começar a febre da enxameação.
    A anos em que, Janeiro é quente, alem de trocar quadros, tambem coloco uma meia alça com quadros com cera puxada, alternando com quadros de cera laminada, logo por cima do ninho.
    Com este método aproveito para trocar alguma ceras. evita andar abrir colmeias para raspar alvéolos reais e poupar algum gasóleo.
    Abraço, e um Santo e Feliz Natal.

  5. Eduardo Gomes diz:

    O José Marques e o Bernardino acertaram na mosca. As técnicas de prevenção da enxameação são variadas. A uns servem umas, a outros servem outras. A grande maioria validades, testadas e re-testadas por bons apicultores de há 100 anos para cá. Os timings são importantes. Para isso nada melhor do olhar para as florações como faz o Afonso. Que não seja a nosso maneio menos competentes que provoque a enxameação. E que estejamos preparados para que apesar do nosso maneio competente algumas possam enxamear.

  6. José Marques diz:

    Aditamento :
    CONTROLO DA ENXAMEAÇÃO
    Se não foi possível prevenir a enxameação e se notarem sinais de acumulação de abelhas ou células de raínha , tenha ou não havido saída de enxame , mas havendo abundância de abelhas, faz-se o seguinte , para controlar a enxameação :
    Enxame Artificial ( I )
    Dividir a colmeia em duas colónias :
    Coloque junto da colmeia uma caixa, estrado , prancheta e telhado .
    Coloque nesta caixa dois quadros com criação (aberta e fechada ) e abelhas aderentes. Acrescente dois quadros, com mel e pólen, um de cada lado . Complete com quadros de cera puxada ou estampada.
    No meio dos quadros de criação coloque uma realeira ou raínha fecundada em caixa tapada com candi .
    Desloque o novo enxame para um local conveniente , reduza a entrada , feche com ervas , para reduzir a saída de abelhas e alimente com xarope de açucar 1:1 .
    – O Método de Demaree
    É um excelente método de controlo, para amadores, quando encontram realeiras :
    Destruir todas as realeiras , sem deixar nenhuma ;
    Colocar todos os quadros com criação noutra caixa ;
    Deixar a Raínha no quadro de criação e abelhas na caixa inicial com os quadros vazios ;
    Coloque a caixa com os quadros de criação sobre a anterior, separada por uma grade excluidora
    Uma semana depois destruir todas as células reais da caixa de criação superior .
    A caixa inferior com a Raínha fica com espaço e a caixa superior com a criação, separada pela grade excluidora, retem as abelhas,que não poderão criar raínha e continuarão a recolha de nectar .
    – Enxame Artificial ( II )
    Deslocar a colmeia para uma posição próxima da inicial ( menos de dois metros ) ;
    Na posição inicial colocar a Raínha no quadro de criação com abelhas . Completar com quadros vazios , se possível puxados.
    Cortar todas as realeiras que possam existir.
    Uma semana depois , cortar novamente as realeiras deixando uma, todas ou uma selecionada .
    Este método exige encontrar a raínha , dividir a colmeia e eliminar células , o que pode ser difícil
    Pode , no caso de se querer aproveitar a floração , juntar novamente as duas colmeias formadas
    A raínha que ficar na caixa inferior tem maior probabilidade de ser poupada e continuar.
    – Formação de Enxame sem procurar a Raínha :
    Dividir a colmeia em duas, ambas com criação e ovos . Afastar uma e fechá-la com ervas, para reter abelhas. Passados 3 dias uma terá raínha e ovos e a outra terá células reais.
    Na colónia sem raínha cortar as realeiras , excepto uma , que criará nova raínha .
    – Renovamento da Raínha :
    É também um método de controlo da exameação, embora falível e com perda de de mais de 3 semanas de floração.
    Encontrar a Raínha e colocá-la num núcleo provido de quadros de criação com abelhas e reservas . Na colmeia inicial introduzir uma Raínha ou Realeira . Na semana seguinte ou depois fazer a inspecção..
    – Colmeia com duas Raínhas :
    Possibilita maior produção de mel e renovamento da Raínha .
    Dois meses antes do pico da floração dividir a colmeia . Colocar a Raínha com a criação destapada e metade das abelhas na caixa inferior .Quando conveniente colocar por cima outra caixa com quadros de cera, se possível puxada .
    Colocar sobre esta/s um separador ( estrado ou telhado ) e por cima, com entrada independente, a outra metade da colmeia com uma nova raínha , a criação fechada e metade das abelhas . Se for conveniente colocar sobre esta, também, uma caixa com quadros puxados.
    Se necessário inverter as caixas de criação como indicado no Método de Prevenção de Enxameação.
    Depois de duas semanas substituir o separador por uma grade excluidora.
    Tendo começado a floração, subir a criação, em cada uma das partes, se necessário .
    Um mês antes de acabar a floração retirar a grade excluidora para unir as duas colónias .Aproveitar ou não a raínha mais velha e invernar a colmeia com a Raínha nova.
    Uma vantagem deste método é que reduz a enxameação, porque a criação dos ninhos é subida e porque se usam raínhas novas . As colónias tendem a igualizar-se o que ajuda a gerir o maneio .

  7. José Marques diz:

    Olá Afonso

    ENXAMEAÇÂO
    Depois da longa transcrição de técnicas e métodos apícolas anterior , que para os apicultores amadores terá sido pouco e para os apicultores profissionais demasiado ( ” estes conduzem muitos burros e alguns têm que ficar para trás” ) , venho apresentar uma receita simplificada,
    que seja mínima para os amadores e máxima para os profissionais : :
    1 – Na época da enxameação tentem fazer visitas semanais ao apiário.
    2 – Na visita exterior às colmeias, observem as que têm muitas abelhas na entrada inactivas, aglomeradas , espalhadas pela parede frontal do ninho e por vezes a “fazer barba” .
    3 – Abram estas colmeias e verifiquem se têm taças com ovos ou realeiras . Se não tiverem é falta de espaço ou de arejamento .
    4- Se tiverem taças ou realeiras façam um núcleo e destruam as realeiras da colmeia mãe no caso de ainda ter rainha, ou se, já, não tiver deixem uma realeira . Cuidado porque se tiver rainha e deixarem uma realeira vai enxamear .
    5 – Depois façam o acompanhamento que for possível
    Fácil , não é ? – Penso que até os apicultores profissionais conseguem !
    Saudações

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