Sobre a varroa…mais info!

Como a informação mais recente sobre a nossa Arqui-enimiga é cada vez mais completa, convém começar por entender as bases, para depois se adquirir o conhecimento mais complexo.

Assim esta imagem é extremamente elucidativa de como funciona o ciclo de reproducção da varroa,

Varr

Penso que não há muito a explicar, pois é extremamente perceptível.

Há que entender que a varroa é cega, surda (tal como as abelhas), mas extremamente sensível a odores, feromonas, temperatura…enfim! Há que entender que a qualquer alteração de cheiro da colónia de abelhas a varroa se consegue adaptar e imitar esse mesmo odor em menos de 30min e imitar o mesmo sem ser detetada.

Há pois formas de a combater, e a mais usada é a forma química, a qual afeta a varroa quando ela está na sua pausa entre ciclos de postura (estado forético). No entanto, este estadio deixa-a protegida durante 2/3 do tempo, enquanto se reproduz.

Desta forma, surgem novas linhas de pensamento, nas quais se tenta encontrar uma solução para reduzir o potencial reprodutivo da varroa, que na abelha asiática (Apis Cerana) apenas se reproduz na criação de zangão.

Porque é que isto acontece?

Pois na Apis Cerana o zangão tem um respiráculo que permite trocas gasosas e a reproducção da varroa. Já a cria de obreira de Apis Cerana, caso seja parasitada pela varroa, irá libertar marcodores químicos que farão com que as abelhas a removam, em auto-sacrifício em prol do todo. Além disto, e se a remoção não for rápida, ela própria rodará sobre si mesma e morrerá asfixiada, afim de não permitir que a varroa se multiplique.

Nas imagens anteriores podems ver que a nossa Apis Mellífera tem também características hegiénicas que variam de colónia para colónia e que devem ser alvo de apurada selecção por parte do apicultor.

Sabe-se também que algumas larvas emitem marcadores químicos que pedem a sua remoção ao ser parasitadas, e portanto há que seleccionar abelhas que os reconheçam.

Temos que entender como é ténue o sucesso da varroa na colmeia de Apis Melífera, e que basta reduzir a metade o seu sucesso reprodutivo para reduzir a 1 tratamento anual o controlo necessário. Vejamos:

Ponto de Partida 10 varroas, e 15 ciclos reprodutivos, inerentes a 8 meses de reproducção acelerada, tendo em conta a duplicação do número de varroas a cada mês e triplicação aquando de cria de zangão presente

10Jan – 20 Fev – 60 Mar – 180 Abr – 540 Mai – 1620 Jun – –época de baixa na cria– – 3240 Set – 9720 no final de Outubro —- Dez mesmas 9720.

Considerando como tratamento eficaz 90% de redução, 10% de 9720 são ainda 972 varroas, um segundo tratamento com a mesma eficássia faria 97 varroas e um 3º traria o seu número a 9,7 varroas…as tais cerca de 10 que significariam sustentabilidade.

Vamos calcular agora, para os mesmos dados, mas com abelhas que cortem a metade o sucesso reprodutivo da varroa e que com cria de zangão presente em vez de 3x, apenas duplique mensalmente o número de varroas.

10 Jan – 15 Fev – 30 Mar – 60Abr – 120Mai – 240Jun – –época de baixa na cria– – 360 Set – 720 Out —–  Dez as mesmas 720

Considerando varroacida com a mesma eficássia de 90%, e bastaria um tratamento para se ficar com 72 varroas apenas, e se fosse usado um segundo tratamento, a varroa ficaria a 7 por colmeia em Janeiro do ano seguinte…ou seja, 30% abaixo do nível inicial. Passando a ser necessário apenas entre 1 a 2 tratamentos por ano.

Nota – hoje em dia é muito difícil encontrar varroacidas com 90% de eficássia, pelo que o caminho tem de ser feito na escolha das abelhas!, pois basta uma pequena redução no sucesso reprodutivo da varroa para que o seu controlo seja muito mais simples.

Estes cenários colocados são hipotéticos mas realistas, e a variação no número de ciclos reprodutivos da varroa será variável de ano para ano com a climatologia.

Sobre abelhasdoagreste

Jovem, apicultor apaixonado e que comercializa inovação apícola.
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5 respostas a Sobre a varroa…mais info!

  1. Eu diria mais, com a meteorologia, com a importação de varroas de colónias vizinhas e com a eficácia dos tratamentos efectuados, quer do ponto de vista da % de mortalidade dos ácaros, quer do momento da aplicação e da forma da mesma. São muitos se ssssss, que só alguns apicultores vão conseguir enquadrar em termos técnicos e sobreviver. Continuo a pensar que cada um individualmente não conseguirá encontrar o caminho das pedras, ou da salvação. Só um esforço conjunto de todos os países da UE, e uma investigação pública bem planeada,nos levará a ter sucesso nesta matéria. Porque as farmacêuticas não estão interessadas, tal como na medicina, a acabar com as doenças e pragas, porque são estas a base do seu crescimento sustentável.

  2. Olá Gustavo,
    Apenas concordo que quando falhe o Amitraz (uma questão de tempo), boa parte dos apicultores não se vão adaptar, excepto se surgir entretanto uma nova bala de prata que empurre com a barriga mais um par de décadas.
    Por outro lado axo que a UE, governos Nacionais, etc…cabe-lhes medidas estruturantes, e essas são o apio ao surgimento de centros nacionais de selecção genética, fomento de que os apicultores deixem de ser individualistas e ainda a formação dos mesmos e atualização dos restantes para o que de novo for surgindo.
    Ser apicultor é ser cuidador de animais, e não entendo como é proibido e criminoso dar com um bico de bota a um gato…mas nada acontece quando um apiário é abandonado. Um apicultor tem uma responsabilidade bastante grande para com todo o ecossistema ao seu redor e para com as suas abelhas.
    Relembro o que era ser caçador antigamente – Era ir à câmara municipal e passado 5 min trazer de lá a carta de caçador
    Hoje em dia, felizmente – há que ler um livro, fazer uma prova que garante um conhecimento mínimo, pegar numa arma e ter conhecimento de como esta opera em segurança. A arma viaja numa bolsa com um cadeado próprio. Nesse caso e para mim, o exagero é a tonelada de papéis que está associada ao uso e porte de arma, o preço excessivo e a falta de recebermos via mail as actualizações da lei.
    Os apicultores em muitos Países são muito bem vistos, pois toda a comunidade entende o que fazem, pois ninguém pode começar a atividade desacompanhado e porque se iniciam com o primeiro enxame a ser tutorado pelo menos durante 1 ano no apiário da sua associação. Assim, logo de início há um conhecimento prévio, há uma relação estabelecida com a comunidade apícola local.

  3. Eduardo diz:

    Afonso eu feito 3 tratamentos por ano! No verão no fim da cresta tenho usado apivar, depois tenho feito no outono e inicio da primavera com timol!
    Mas o timol sou eu k faxo em casa!

  4. Eu não uso Apivar no verão, pois axo a eficássia muito má nessa altura. Costumo fazer já no fim de Outono, por 2 motivos…1º é mais barato ao ter muitas colmeias em pausa de postura u quase, bastando 1a tira entre os 2 quadros de cria existentes, em 2º lugar porque a eficássia em tempo frio é extraordináriamente superior.
    Mas estou cada vez mais a fugir aos químicos e espero no próximo ano não precisar de usar…veremos como corre o ano.

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