Os Milagreiros…

Por estes dias começa o frenezim nas redes sociais…

É fotos de enxames a serem recolhidos, apicultores a vangloriarem-se dos seus feitos heróicos, é a atribuição desses fenómenos dignos do Entroncamento a colmeias XPTO…a Abelhas XPTO ou ainda mais recentemente a produtos e suplementos XPTO.

A verdade é outra!

Exceptuando cantinhos melhores… a maioria do território acaba de passar pelo pior ano de sempre da história apícola recente, com milhares de colmeias queimadas, com centenas de milhar de colmeias mortas por um verão que durou 7 meses, que concentrou varrou acima do normal, que provocou pilhagens acima do normal, que por stress fez as contagens de esporos de nosema aumentarem até ao infinito,  que destruíu muitos sonhos a muita gente boa!!

A verdade é que parte do território está seco (tudo a Sul do Tejo está a 1 passo de nova hecatombe em 2018 se não caírem pelo menos 100mm de àgua num curto espaço de tempo…basta ver as charcas e as barragens).

A verdade é que há muita gente que quer viver aos ombros dos sonhos dos apicultores!

A verdade está acima escrita…mas poderia continuar a relatar!

Por aqui, seria fácil destapar 5 ou 6 colmeias seguidas cheias de abelhas…mas também seria fácil mostrar um par de apiários com muitas caixas onde deixaram de morar abelhas.

Portanto…o que tentarei fazer é dar com estas palavras uma ponta de consolo aos muitos apicultores que passam ou passaram por essas dificuldades. E que não se deixem ir atrás de profecias…nem de heróis. Que se esteja preparado para um 2018 como foi 2017…pelo menos a Sul do Tejo.

Ainda agora me sentei aqui a escrever e acabo de chegar do Sul, onde o salgueiro a florir mascara a seca, faz as abelhas começarem a ter cria selada em boa quantidade e faz as colmeias mais fortes estarem um par de semanas de serem um verdadeiro vulcão de abelhas…abençoado pólen do Salgueiro!!

Mas dói…dói muito, olhar para cabeços com sobreiros secos às dezenas, ver as valas que deveriam ser mini-charcos de àgua corrente a estarem totalmente vazios de àgua.

Vale que começaram os desdobramentos, as realeiras…começou a recuperação!

P.S.  – Faz muito muito tempo que não tinha uma raínha autóctone que merecesse o meu respeito e admiração. Eis que hoje trouxe comigo a “Padeira de Aljubarrota” para o apiário onde crio raínhas…e …se não morreu na viagem…ir proporcionar um lote de filhas, que me dirão se é um acidente genético positivo ou se é o início de algo muito muito bonito! Será a % das filhas com características de relevo que o dirá…

Faltam poucos dias para ter as matriarcas todas juntas, para começar a tirar partido de todas elas.

Há 3 que me regalam os sonhos. Uma delas é a 3a geração do meu trabalho…é um trabalho que começa a ter a sua história. É a “Miss Pólen”, filha de uma raínha que tinha exatamente as mesmas qualidades, neta de uma raínha híbrida com linhagem materna importada. Neste momento já tem 2as filhas com excelentes princípios de não se tratar de um acidente genético.

 

Sobre abelhasdoagreste

Jovem, apicultor apaixonado e que comercializa inovação apícola.
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10 respostas a Os Milagreiros…

  1. A situação que relata é real e dramática e, só por si, justifica o desânimo e o abandono de muita gente na apicultura. O único comentário que me merece é que, ao ver a sua luta diária pela sobrevivência, e o seu sonho de conseguir, geneticamente, encontrar um genótipo da apis, multiresistente e produtivo, acredito que apicultura não morrerá. Mas deixo aqui uma ressalva: A investigação genética, ou farmacêutica, não pode depender de apicultores profissionais, que vivem desta actividade, porque, por definição, o profissional é aquele que aplica o conhecimento disponível aplicando soluções produtivas para rentabilizar a sua empresa, sem se preocupar com experimentações que o desviam do seu objectivo principal. Os amadores e os investigadores, esses sim, podem, sem por em causa a sua sobrevivência, dedicar-se a estudos e experiências que resolvam problemas pontuais, ou criem soluções para o futuro. Por isso lamento a falta de investimento na investigação por parte dos estados ou empresas. Parece que ainda não perceberam o drama que será ter um mundo sem abelhas, sem flores, sem plantas superiores, e sem humanos.

  2. Sobretudo ver meia Península Ibérica a ficar deserto…depressa, depressa , depressa! Isso é muito desanimador…

  3. Eduardo diz:

    Na minha opinião ha mts pessoas a abandonar a apicultura pk kerem ser apicultores ( amadores ou proficionais) sem saber o trabalho ke da manter os enxames vivos e msm os apiarios limpos…
    Vou contar um episodio k até da vontade
    de rir! Um amigo meu keria comprar um enxames e foi a uma loja de spucultura aki na minha zona! Depois de ter ido la ficou todo animado, e sr da loja vendia-lhe os enxames disse-lhe k cada colmeia apenas precisava de 4 vistorias por ano e k cada uma iria render 50kg de mel! Ora ao ouvir isto as pessoas ficam euforicas pouco trabalho mt rendimento… o problema é k na realidade ñ é assim…
    Agora imaginem quantas pessoas ñ acreditam nestas cantigas…

    • Mas são esses vendedore que para encherem os seus bolsos esvaziam os de muitos…Tenho tido pessoas que chegam até mim com idéi de começarem com 50 colmeias…e no fim da conversa afinal percebem que devem iniciar com 5 ou 6 e depois ir vendo no que dá. Ainda há dias esteve cá uma família que percebeu isto mesmo…nunca tinham ido a um apiário e pensavam em 50 colmeias sem nunca terem levado com um ferrão sequer. Se fossem ao invés a um local como o que refere…saíriam de lá cheios de sonhos que se iriam desfazer, 100 colmeias e um monte de material desnecessário…

  4. JG diz:

    Desculpem meter-me na conversa, mas acho que no geral concordo com tudo que foi aqui dito.
    Há muita publicidade enganosa nestas coisas das abelhas. Autenticos vendores de sonhos…e maus por sinal.
    Aconselho as pessoas que queiram ter abelhas, a começarem a ler esta vossas conversas/partilha de ideias, bem mais uteis do que comprar um sem numero de colmeias cheias de abelhas que so metade delas, se tanto, chegarão ao ano seguinte. E depois, claro, alguma formação que também será muito util.
    Mas atenção, também percebo pouco disto. Iniciei-me há há três anos com uma colmeia que comprei, entre experiencias, desdobramentos e algumas fatalidades de colmeias q se ficam pelo penoso outono/inverno. Tenho hoje 3 colmeias as quais visito de semana a semana…. de perto muito mais espaçadamente.

    Jorge Godinho

  5. José Marques diz:

    Olá Afonso

    Compreendo, mas não creio que vamos todos lançar a toalha ao chão.
    Na história do mundo muitas espécies se têm adaptado, outras não tiveram condições (inossauros.
    Os apicultores dispõem, hoje de mais informação e mais conhecimentos para continuar.
    O nosso País não foi nunca um jardim à beira mar plantado. Hoje, está na verdade a ficar mais seco. No interior sul há abelhas que, há séculos, já estão habituadas a 3 meses de inverno frio e 3 meses de verão quente e não se extinguiram
    Há poucas décadas não havia em Portugal apicultores profissionais, hoje já há e ainda bem.
    Penso que para a maioria a apicultura continuará a ser um hóbi ou um complemento, como sempre foi .Estes amadores poderão continuar a subsistir, sem pensar em unirem-se e promoverem acções conjuntas.
    É caminhando que se faz o caminho !

  6. Obrigado JG!!
    José, o perigo não é que as abelhas se extingam…o perigo é de que os apicultores profissionais e semi profissionais deixem de ter rendimento nessas zonas e sejam eles a extinguirem-se. Estou bem mais a Norte e bem perto do mar…mas mesmo assim o verão este ano durou de 4 de Abril até meados de Novembro. Não fosse aquele salpico de Agosto que tocou esta zona e haveria sido uma lástima a colheita de pólen de Outono. Ou seja, a Sul ainda falta chegar a Velutina…mas está a caminho… que encontra nessa zona um local ideal para não ter sequer de invernar. Ter meia dúzia de colmeias para brincar é como ter um bixinho de estimação…mas viver delas é outra coisa…e as contas ditam a lei.
    Muita gente que conheço no interior Sul teve em 2017 1/3 do que deveria…e se 2018 vem igual? o que sobra para 2019? Essa é a questão…numa zona em que a colheita de pólen se resume a 3 semanas e a de mel depende de Março e Abril.
    Deviam ver com os vossos olhos como estão as charcas de Benavente para sul…e dar 3 enxadadas no chão da zona de Beja…e veriam o que relato.

  7. Eduardo diz:

    Eu comecei ha 4 anos com duas colmeias, hj tenho 30! Tenho os 30 k tinha em agosto, ñ deixei morrer nenhum ja me sinto feliz, pk tenho houvido relatos de mts mortes de colmeias!
    Mas sinto k tenho k evoluir no maneio pk a zona tem potencial para tirar mais rendimento!
    Este ano decidi instalar outro apiario,preciso de mais produção pk ja dois anos seguidos na altura do natal ja ñ tenho mel para vender…

  8. JG diz:

    Lá diz o ditado que as conversas são como as cerejas..e cá estou eu para tentar dizer mais qualquer coisa.
    Nesta altura do ano, desculpem mas estou não só preocupado com as pessoas que realmente vivem da apicultura mas tambem e muito principalmente apreensivo com as questões climatéricas.
    Se os meses de março e abril não são chuvosos …mas falo de chuva durante no minimo 3 ou 4 semana de precipitação…caso isso não aconteça receio muito pela total ausência de humidade e tomando como exemplo as tragedias que aconteceram o ano passado…valha nos Deus, porque não estou a ver outros que nos acudam…e olhem q nem vou à missa ao domingo.
    Vamos esperar que os Deus estejam connosco e ao mesmo tempo cuidando o melhor que sabemos e conseguimos as nossas abelhas….mas venha chuva mt sinceramente!
    Obrigado por esta permissão à livre opinião.

  9. Lá por cima por Braga, pelo que me contou o Bruno Moreira…tá tudo ensopadinho. De Leiria a Lisboa…parece que há humidade, mas só para as ervas…de Alcochete para Sul, é terra seca e erva com menos de uma mão travessa. JG, não peço 3 semanas de chuva…mas que faz falta 3 ou 4 dias a chover sériamente…isso faz!! 100mm de àgua divididos por 4 dias e a vida seria outra…

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