Alterações climatéricas e apicultura!

Hoje, com a chegada do grande calor, estamos infelizmente a 24/48h de ver os noticiários de novo abertos com chamas e mais chamas.

Passou 1 ano, e talvez nem 25% do que deveria ter sido limpo o foi de facto e muito menos com o critério que uma boa política ambiental deve orientar.

Fruem assim medidas de caráter excepcional que se irão diluir com o passar dos anos em relação ao que em 2017 sucedeu.

Medidas de ordenamento sério e cadastramento de todas as terras…nada feito!

Já quanto à apicultura, ainda hoje falava na TV um meteorologista conhecido, explicando que as ondas de calor serão muito mais frequentes e intensas, e que no prazo de 25 anos poderão ser 5 a 7ºC mais elevadas que na atualidade.

Basta conhecermos o nosso território para compreendermos que um enxame mesmo forte passa muito muito mal com temperaturas acima de 40ºC, e no ano de 2017 com o pico de 47ºC de Junho tive várias caixas cujas alças, e mesmo ninhos derreteram, matando o enxame.

Portanto picos de temperatura superiores a 50ºC no interior irão muito provávelmente inviabilizar a atividade apícola em regiões inteiras do nosso interior, pois é altamente improvável que um enxame sobreviva a temperaturas da casa dos 55ºC.

Que alternativas temos, sabendo como é produtivo de bom mel o nosso interior, sempre e quando os enxames chegam à intensa e curta floração com força e vitalidade capazes de a aproveitar?!

Surge-me assim na mente que a única forma de poder continuar a contar com essas zonas no longo prazo, será a transumancia de todo o efetivo para juntinho ao mar durante os meses de grande calor, sobretudo na faixa a Norte de Sintra.

De todo me agrada a opção, mas vou-me cada vez mais mentalizando de que terei de ter parte da minha exploração a funcionar desta forma dentro de 10 anos, se quero poder continuar a crescer e atingir as 1000 caixas no médio prazo, sem abdicar do muito mais rico em mel interior.

Para tal fará necessáriamente falta o reconhevimento pela DGAV de apiários grandes e que sirvam de poiso temporário, onte todas as colmeias possam ser alimentadas, saneadas de parasitas e mantidas até às primeiras flores do interior aparecerem de novo.

Será económicamente válida a tese? de transumar 500 ou 1000 colmeias 2x por ano?

Um grande desafio!! Aberto às vossas opiniões e participação também..

Sobre abelhasdoagreste

Jovem, apicultor apaixonado e que comercializa inovação apícola.
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2 respostas a Alterações climatéricas e apicultura!

  1. Pingback: O Transporte das Alterações Climáticas! – APIBEIRAS

    • Queres ver o que ainda ontem enviei para a minha associação?
      Passo a transcrever,parte do mail…
      Hoje escrevo para efetuar um pedido, para que seja a associação a dirigir-se à DGAV. Algo não apenas para mim, mas para todos os apicultores.

      Eis o que necessito:

      Com as crescentes ondas de calor cada vez mais intensas, as colmeias que detenho no interior passam bastante mal, não sendo depois possível tê-las em condições de producção na urze de inverno.

      Assim, e como mecanizei a minha exploração com a aquisição de carrinha nova e grua, pretendo começar em 2019 a transumar grande parte dessas colmeias para o litoral logo após a cresta de junho, afim de que todas as colmeias possam ser limpas de àcaros, alimentadas convinientemente e que aproveitem o fortíssimo fluxo de pólen de tágueda que ocorre de 5 de Setembro a 15 de Outubro.

      Este modo de atuar é incomportável com a situação atual de apenas se poderem manter as colmeias em apiários de dimensão inferior a 100 colmeias. Sendo necessário o reconhecimento por parte das autoridades da necessidade de apiários de estio, onde o apicultor possa reunir o seu efetivo em zona favorável de acesso e condições de trabalho por forma a poder realizar a alimentação, estimulação e desinfecção das suas colmeias.

      A estadia nestes locais não é nunca superior a 90 dias, e deixo o link para que possam ver no que consta:
      http://sidelinebeekeeping.com/2014/04/21/holding-yards/

      Por cá em Portugal estes já existem mais ou menos às claras, mas por falta de controlo por parte das autoridades nunca se conheceram coimas. Algo que até é positivo, pois permite aos apicultores trabalharem!

      O que pretendo com este pedido é que cada exploração profissional possa ter um local que declare na sua declaração anual de efetivo que está afeto a esta prática, por forma a que os apicultores que vivem da apicultura possam ter esta ferramenta de trabalho tão importante sem terem de andar contra a legislação desatualizada, nem a olhar por cima do ombro.

      Deixo mais um exemplo,
      http://georgiabees.blogspot.com/2014/02/beekeeping-out-yards-vary-in-size-from.html

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