Fecundação, dissertação de um Produtor!

Em pleno séc XXI, as técnicas de producção de abelhas raínha em grande número são porventura uma das mais essenciais ferramentas que nós apicultores possuimos.

No entanto, muitos de nós, muitas vezes influenciados por opiniões que são aparentemente conhecedoras, parecemos esquecer que há coisas que não podem nem devem ser forçadas.

Digo isto, com a certeza de que qualquer raínha de inferior casta mas bem fecundada é muitíssimo melhor do que uma raínha de casta apurada com má fecundação.

Assim, este pequeno texto sirva para elucidar jovens e menos jovens apicultores acerca de coisas que muitas vezes não são relatadas com a necessária clareza.

1- Zangão – No processo de fecundação, o zangão de qualidade é essencial para a correcta fecundação das nossas raínhas. Assim, é de extrema importância a sua selecção e aparelhamento correto e na quantidade suficiente.

Assim, e para que a nossa escolha dos papás descenda apenas e só das melhores colmeias que possuímos, é necessário que (fora da zona costeira) as nossas realeiras sejam construídas quando apenas os primeiros 30% de melhores colmeias tenham as primeiras manchas de zangão selado.

É minha forte opinião de que este critério é de extraordinária importância para a obtenção de uma próxima geração competente!

2 – Temperatura – Diz muita literatura que com temperaturas inferiores a 18ºC a fecundação das nossas raínhas é de certa maneira encurtada. Mas prefiro não me focar nisto!, pois de um modo geral elas sabem quando saír e muitas vezes esperam que temporais amainemantes de voarem com os zangãos.

Foco-me sim nos transportes, que muitas vezes são sujeitos a picos de temperatura com carros parados ao sol. Isto leva muitas vezes a que a qualidade do esperma armazenado pelas raínhas seja grandemente diminuido.

3 – Pseudo Selecção – Talvez seja hoje em dia o pior dos cenários, ter uma tonelada de produtores de raínhas de baixo custo, feitas por calendário, faça chuva ou faça sol, faça vento ou tempestade, em micro-núcleos e sem tempo de que estas provem o seu mérito. Pessoalmente apenas compro hoje em dia umas 2 ou 3 raínhas anuais, sendo tudo o restante material já da minha exploração.

Equaciono sem reservas a compra de um lote de raínhas de producção se me faltar o tempo para algo (mas é raro…muito raro). E perco largas dezenas de horas a avaliar anualmente.

Considero que todo o apicultor com mais de 100 colmeias tem seguramente um par de raínhas que valerão a pena propagar.

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Esta selecção própria traz grandes vantagens, embora seja claríssimo para mim que o ponto de partida importa muitíssimo nos resultados imediatos.

Mas sobretudo importa que o apicultor seja suficientemente clarividente para perceber que todo o cuidado trabalho tem um preço, mas que muito mais importante está no ponto 1. Pois quase sempre acontece serem as melhores raínhas e que passaram os estios com distinção as primeiras a chegarem à condição de doadoras de papás.

Só com estes cuidados, geração após geração…as coisas tomarão o seu caminho!

P.S. – Não falei nem falo sobre Autóctones/Não Autóctones, por considerar a sua inexistência nos dias de hoje. Na minha opinião, toda e qualquer abelha que aporte caractéres produtivos é bem vinda, pois esses genes são sempre recuperáveis em gerações futuras…assim nós o queiramos!!

 

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Sobre abelhasdoagreste

Jovem, apicultor apaixonado e que comercializa inovação apícola.
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