Os custos por detrás,

Por detrás de uma operação apícola há uma série de custos escondidos que são os grandes causadores de que algumas delas entrem depressa numa espiral de extinção.

O apicultor tende a ignorar uma série de custos fixos e presentes na operação.

O primeiro a ser ignorado é o da renovação de madeira. Em que uma colmeia se degrada ao longo de uma década mas em que a maioria dos apicultores só olha para elas com apreensão nos últimos 2 anos em que se remendam buracos.

Em segundo lugar, o armazém…que a maioria não soma como custo. Mas caso seja próprio é um espaço a ser mantido, e isso tem custos: Tinta, telhados a serem limpos e mantidos, imi, espaço que não se aluga…ou em caso de ser alugado tem de se pagar a renda. Claro que para apicultores do interior, esse custo é muito diferente do meu ou de qualquer outro do litoral.

Somando:

Contabilidade: 45 eur/mês,

Viatura 4×4: Sem aquisição custa sempre 100 em diesel e outros 100 para seguros e manutenção

Seg Social: É aqui que compensa aos part-timer’s, pois vendem o mesmo mel à porta e fogem a este custo (120 eur/mês) bem como fogem ao da contabilidade. Daí haver tanta gente com 50 ou 100 colmeias pois o melhor benefício vem destas primeiras.

Apenas nestes 3 ítems falamos de 365 eur/mês, aproximando 4500 Eur/ano

Se o apicultor tiver 500 colmeias por exemplo, 100 núcleos e 400 colmeias, deve esperar tirar algo de pelo menos 300 das 400 (há sempre uma que zanganeia, outra que é derrubada ou passa fome ou enxameia, uma que abandona outra que morre ou é furtada)…portanto a grosso modo é isto. Tem assim que renovar em ninhos 50 colmeias d média anual (só sentirá isto ao fim de 10 anos…mas se não cuidar de ir juntando, depois é o aiJesús!)  Falamos pois de 1500 eur/ano para madeiras

Moldagem de cera custa 200 eur e fácilmente na caldeira se gastam mais 150, seja em horas a colher lenha, seja em gás. Portanto 350 eur com ceras.

Aos 4500 anteriores somam agora 1850. A que se somam os fatos, as luvas, algumas horas de trator a manterem limpos os apiários e a despesa da roçadora e renovação da mesma. Vamos em 7000.

A àgua para o armazém por pouca que seja, 100 eur/ano. A Luz, se secar pólen passa a 1000 eur por ano sem grande esforço mais esse diesel outros 1000.

Ou seja, sem grandes floreados estão gastos 9000.

Falta alimentar as colmeias e tratá-las. Suponhamos que o apicultor gasta 1 palete de açúcar granulado e apenas 1 pacote de apifonda/ano por caixa. Flamos em 1600 eur de alimento (isto é a ser apertadinho e a correr riscos), portanto meteria 2000 neste campo. E colocaria pelo menos 1000 para tratamentos.

12000 Eur anuais, correspondem a 1000 Eur mensais. Um pouco mais com a extracção e embalamento…o melhor é contabilizar mais 1500 para contingências.

Não coloquei seguros de responsabilidade civil, nem de armazéns. Não coloquei uma série de outros riscos. E claro que nas zonas planas do Alenteja não há necessidade de 4×4…que há outras zonas em que há excepções…que alguns preferem ter um emprego e manter 200 colmeias com a ajuda do sogro ou do irmão ou da esposa…há tudo isso.

No entanto numa altura em que a crise de desemprego volta a pairar, façam as contas antes de se meterem de cabeça.

É possível viver disto?  Claro que sim! Mas não pensem que é o el-dourado. O problema da maioria dos projetos é equacionarem producção que nunca atingem. E o problema dos já instalados é terem producção para uma procura que por vezes não existe…pois as grandes cadeias querem apenas e só o mais barato possível (o nosso clima e custos não permite isso) e as cooperativas e organizações do setor são muitas vezes barcos falidos! O apicultor passa a ter de ser não só o produtor como o vendedor do seu produto.

Ao preço atual do mel, com 1 tambor de mel a valer 1000 Eur…são precisos 13 tambores vendidos a granel só para pagar despesas. 13 tambores são 3900kg de mel.

Ou seja, para ganhares líquido no bolso algo para meter em casa. Estas são as contas da sustentabilidade.

Claro que há quem corte em alimento, em tratamento, em idas às colmeias. Há sim! Há quem com metade do mel faça o mesmo dinheiro em feiras e em vendas específicas…há sim! Mas imaginem em alturas como esta, com hotéis a falir, feiras sem se realizar, pessoas a perderem poder de compra…tenham atenção a calcular bem os custos e o que podem produzir!

Para terem uma idéia o mel chegou em 2018 a 4,20 no granel…já desceu entretanto a 2,90 com notícias anedóticas de vendas exporádicas a 2,70 e está agora nos 3,20 mas com má procura (para profissionais, abaixo de 3,80 não é interessante). O pólen que chegou a 14 em 2018 desceu a 6 e está agora próximo de 7 (de 8 para baixo não vale a pena, e diria que 10 a 11 é o preço justo).

Apenas fica o alerta de fazerem bem as contas. Pois os setores não estão sempre mal nem estarão sempre bem! 2019 e 2020 são anos mais complicados. Embora me pareça que este ano irá ser o ano de inversão para novo ciclo mais positivo no setor. Mas não sabemos se tal será mesmo assim…há ainda a velutina, relatos da aethina ter saído já de Itália.

Sobre abelhasdoagreste

Jovem, apicultor apaixonado e que comercializa inovação apícola.
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2 respostas a Os custos por detrás,

  1. pedro diz:

    Afonso quanto ao açucar granuladp tens algum forneçedor com bom preço

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