Apicultura Prática – 2

Cada vez mais, a minha idéia assenta em métodos mais simples para ir levando as colmeias de fluxo em fluxo e sobretudo para as apresentar bem ao fluxo seguinte.

Algo que muitos apicultores não dominam é a percepção de que uma colmeia apenas sobe às meias alças se o ninho se encontrar totalmente cheio. Desta forma, o domínio da quantidade de cria e reservas no ninho poderá influenciar muito o que se passará no fluxo.

Em fluxos muito fortes não importa assim tanto, pois são de tal forma intensos que em poucos dias uma colmeia moderadamente populosa entra pelas meias alças sem pedir meças. No entanto estes fluxos estão a tornar-se mais raros! e em zonas onde antes abundavam em frequência, são hoje por vezes mais os anos que falham do que aqueles que aparecem.

Assim, ter abelhas em zonas cujos fluxos sejam pouco fiáveis na sua regularidade é a meu ver uma escolha que à partida tem logo poucas chances de sucesso. Zonas emblemáticas como as da Serra da Lousã, Serra dos Candeeiros são disso exemplo.

Outra questão que muitas vezes atormenta o apicultor é a dos desdobramentos. O seu timing e como o fazer? Há que dizer que apenas uma colmeia moralizada com uma raínha fecundada irá trabalhar para o apicultor, e que a enxameação é uma enorme limitante produtiva. Mas que a prevenção da mesma é além de desgastante para o apicultor um enorme custo em hora/homem para alguém que da apicultura queira viver. Não sendo viável a meu ver andar a abrir semanalmente colmeias já com alças que progressivamente estarão mais pesadas e temperaturas cada vez mais elevadas com a finalidade de andar a destruír mestreiros. Por vezes é melhor planear as coisas e fazer apenas 3 maneios de Primavera, mas libertando o corpo de trabalhos desnecessários.

De tal forma é exigente a abertura de colmeias, sobretudo quando são centenas, que opto por não usar fumo e ser rápido no que nelas fizer, além de as chatear o menor número de vezes possível. Hoje em dia, em apiário não-transumante, limito-me a uns 6 maneios/ano. No entanto, é de notar que sempre que vou crestar (seja mel, cria ou abelhas) levo comigo o frasco das amostragens, tratamentos e alimento. Sempre que se cresta, alimenta-se!, desbloqueia-se os ninhos, testa-se a infestação média do apiário e se necessário trata-se a varroa. Isto é meio caminho feito para se poupar viagens, diesel e o corpinho.

Não vou entrar em muitos mais detalhes, apenas dizer que quando as abelhas se encontem a armazenar nas alças, não se alimenta com líquido, afim de não haver contaminação. Mas que em tempo de estio, uma colmeia populosa consome muito mais alimento do que a maioria dos apicultores supõe, e diria que o 1º Kg de xarope (pouco denso) fica práticamente na massa viva de abelhas, indo muito pouco dele ao favo sequer. Sobretudo se houverem muitos zangãos na colmeia, os quais servem de armazém vivo e têm um elevado consumo de energia.

Saliento ainda que na maior parte dos estios há pólen no campo, mas a falta de estímulo energético coloca as abelhas num estado de letargia que diminui muito a sua atividade de cria. Isto ficou por mim comprovado este verão, quando a pleno Agosto uma razoável melada de cardicha, azinho e girassol ocorreu após uma chuvada. A àrea de cria aumentou a níveis de Primavera, não sendo os 42ºC uma limitante. A limitante era sim a humidade dentro da colmeia e a falta de estímulo nectarífero.

Ficam as idéias…caso alguém as queira aproveitar!!

Sobre abelhasdoagreste

Jovem, apicultor apaixonado e que comercializa inovação apícola.
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